Fazer o Bem no Dia do Senhor

Manual de Sacerdócio Aarônico 1, 1992


Objetivo

Cada rapaz deverá entender o propósito do Dia do Senhor e desejar as bênçãos advindas de sua observância correta.

Preparação

  1. 1.

    Materiais necessários:

    1. a.

      Obras-padrão para cada rapaz

    2. b.

      Um lenço ou pedaço de corda com um nó feito

    3. c.

      Um lápis para cada rapaz

  2. 2.

    Prepare uma cópia de Atividades Apropriadas para o Domingo para cada rapaz.

  3. 3.

    Examinai o conselho sobre o domingo, dado nas páginas 16 e 17 de Para o Vigor da Juventude.

Sugestão para o desenvolvimento da lição

É Lícito Curar no Sábado?

Atividade

Peça aos rapazes que imaginem que estejam vivendo na época do Salvador e explique que eles vão ver quem santifica o Dia do Senhor, de acordo com leis daquela época.

Sem maiores instruções, permita que cada rapaz tente desfazer o nó do lenço ou corda. Se o rapaz desfizer o nó com as duas mãos, diga-lhe que não santifica o Dia do Senhor, mas não explique o motivo. Se ele o desfizer com apenas uma mão, diga-lhe que santifica o Dia do Senhor. Não diga aos jovens em que você se baseia para determinar se eles estão santificando o Dia do Senhor, até que todos tenham tentado desfazer o nó.

Depois que cada rapaz tiver a sua vez, explique que, durante a época em que o Salvador viveu na terra, havia muitas leis e regras feitas pelo homem, a respeito do que podia ou não podia ser feito no Dia do Senhor. O nó que pudesse ser desmanchado com uma só mão podia ser desfeito, mas usar as duas mãos para desfazê-lo era considerado pecado. As pessoas que tivessem ossos quebrados ou juntas deslocadas tinham de esperar até que o dia estivesse terminado, para que seus ferimentos fossem tratados. Se um edifício ruísse e alguém fosse soterrado nas ruínas, era permitido cavar até encontrar essa pessoa, se estivesse viva, mas, se estivesse morta, tinha que ser deixada no local até que o dia tivesse terminado. (Ver James E. Talmage, Jesus, o Cristo, pp. 208-209; ver também Cunningham Geikie, The Life and Words of Christ [Londres: Longmans, Green, and Company, 1903].pp. 406-17).

História das escrituras

Explique que num determinado dia de sábado, Jesus entrou numa sinagoga e viu na congregação um homem cuja mão direita estava mirrada. No meio da multidão, havia um grupo de fariseus. Esses homens estavam tentando fazer com que Jesus fosse preso por quebrar a lei. Eles o observavam com cuidado, tentando descobrir uma forma de pegá-lo em uma armadilha. Perguntaram ao Salvador: “É lícito curar nos sábados?”

• O que acham que o Salvador respondeu?

Permita que os rapazes opinem, então continue a história.

O Salvador respondeu com outra pergunta: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Pois quanto mais vale um homem que uma ovelha?…

É, por conseqüência, lícito fazer bem nos sábados. (Ver Talmage, Jesus, o Cristo, p. 208; ver também Mateus 12:10-13; Marcos 3:1-6 e Lucas 6:6-9.)

Escritura e debate

Freqüentemente, como os fariseus, achamos que santificar o Dia do Senhor é apenas uma lista de coisas que não podemos fazer no domingo. Explique que, assim como o Salvador disse aos fariseus que devemos fazer coisas boas no Dia do Senhor, ele também disse aos profetas modernos coisas concernentes a esse dia.

Peça a um rapaz que leia Doutrina e Convênios 59:9-10.

Citação

• Como podemos conservar-nos limpo[s] das manchas do mundo? Compartilhe a seguinte declaração do Élder Bruce R. McConkie:

Esse dia… é chamado de Sábado, da palavra hebraica shabbat, que significa dia de repouso. O repouso, embora seja importante, é parte casual da verdadeira observância desse dia. O mais importante é ser ele um dia santo — um dia de adoração em que os homens voltam toda a sua alma para o Senhor, renovam os convênios que fizeram com ele, alimentam a alma com as coisas do Espírito…

A questão da observância do Dia do Senhor é até hoje um dos maiores testes que separa as pessoas justas das mundanas ou iníquas.

Sendo o domingo o Dia do Senhor, é um dia em que os homens devem realizar exclusivamente o trabalho do Senhor. Nele não devem ser feitas atividades dispensáveis, de natureza material, como divertimentos, viagens desnecessárias, passeios e coisas semelhantes. O Dia do Senhor deve ser usado para nele se fazer uma adoração espiritual afirmativa… (Mormon Doctrine, 2.a ed. [Salt Lake City: Bookcraft, 1966], pp. 658-59.)

Somos Abençoados Quando Santificamos o Dia do Senhor

História

“Quando menino, vivíamos numa pequena propriedade agrícola em Utah, onde o dinheiro era escasso e abundante o trabalho. Naqueles anos, os verões pareciam-me particularmente duros e repletos de faina infindável. Havia fileiras e mais fileiras de beterrabas para desbastar, milho para capinar e valas para limpar; o mato crescia sem cessar e havia sempre mais outro monte de feno para recolher.

A única coisa boa, o único oásis agradável em todo o verão trabalhoso era o domingo, o Dia do Senhor. O mato, o feno no campo e o milho maduro tinham de esperar a segunda-feira.

Descansar no domingo nem sempre era tão fácil como largar a enxada e esquecer o milharal. Havia complicações o verão era a única época para se conseguir certa segurança financeira. Se o lavrador não obtivesse bons resultados nos breves meses de estio, o longo inverno se tornava duro e difícil. As plantações tinham de dar boa safra e geralmente a chave para essa modesta prosperidade era água - água que era escassa em Utah, água que raramente vinha em forma de chuva, água que tinha de ser acumulada com todo o cuidado durante o inverno e a primavera e bem racionada nas semanas quentes e secas do verão.

Toda fazenda dependia da irrigação. E a vala de irrigação com sua água indispensável era a única defesa do lavrador contra o desastre. Irrigar era imperativo e às vezes criava um grave dilema no Dia do Senhor. Alguns anos o dia de irrigar caía na segunda, outros na terça e assim por diante; mas, de tempos em tempos, também caía no domingo. O lavrador não tinha escolha.

Como acontecia a todo o mundo, às vezes o dia de meu pai caía no domingo. Lembrome bem dessas ocasiões, pois sempre me impressionava a determinação de meu pai de santificar o Dia do Senhor. Não acredito que o Senhor o condenaria por irrigar suas plantações num domingo. Ele conhecia o seu coração e também as condições de trabalho dele e dos outros lavradores. Entretanto, meu pai procurava evitar até mesmo esse trabalho no domingo. Tinha certeza de que, se o Senhor fosse responsável pelo calendário de irrigação para os agricultores, ninguém teria sua vez no domingo. Jamais ouvi papai falar de sua decisão de não violar o Dia do Senhor, mas sua vida o demonstrava.

Quando sua vez de irrigar caía num domingo, ele fazia o possível para evitá-lo. Na sexta-feira e sábado, ele ficava vigiando a vala de irrigação, à espera de alguma sobra de água dos vizinhos, utilizando cada gota que sobrasse e assim, no domingo, suas plantações estariam aguadas. Não me lembro de que alguma vez tenha sido forçado a trabalhar no Dia do Senhor. Isto significava aumento de trabalho para ele, mas o pai estava disposto a sacrificar-se se isto lhe permitisse descansar no Dia do Senhor.

Tudo o que precisava ser feito acabava executado. Observando-o durante anos, sua dedicação e firmeza foram um testemunho para mim de que o Senhor abençoa os que procuram guardar seus mandamentos.

Então, veio um ano em que sua fé foi duramente provada. O calor chegou cedo naquele ano, fazendo prever forte seca. Os dias se arrastavam, enquanto o sol queimava tudo - o gramado, a horta e os campos. Um péssimo ano para o dia de irrigação cair nos domingos! As plantações precisavam de água, água que não sobrava na vala na sexta e sábado; conseqüentemente, no domingo tudo estava seco.

Certo domingo, minha mãe abordou meu pai muito preocupada, dizendo: Joseph, acho melhor abrir o dique, pelo menos para o gramado e a horta. Eles estão esturricando.

E era verdade. Tudo estava esturricando sem água. Não havia alternativa. A lavoura precisava de água e, se meu pai deixasse passar sua vez, não haveria água até o domingo seguinte. E as plantações não agüentariam outra semana de seca.

Assim, antes de vestir-se para as reuniões dominicais, meu pai saiu de casa carregando uma pá. Deve ter sido muito duro para ele subir a colina naquela manhã. Durante anos se esforçara por evitar até mesmo esse trabalho e estava então sendo forçado a fazê-lo. Estávamos convencidos de que o Senhor não o condenaria por aquilo; ainda assim, meu pai ansiava por encontrar outra saída.

Chegando à vala de irrigação, instalou a comporta de lona; mas, antes de prosseguir, ficou contemplando a vala, ainda agachado. O que fazer? Perguntava-se, ponderando o mandamento do Senhor de santificar seu dia. Será que realmente acreditava nesse mandamento, não apenas da boca para fora, mas de todo o coração?

Ainda profundamente imerso em pensamentos, ele recebeu uma comunicação comovente e poderosa, que jamais conseguiria esquecer: “Tira essa comporta, pega tua pá. Eu cuidarei das coisas para ti. Pode não ser hoje, mas cuidarei. Quanto ao verão, deixa comigo. Eu proverei.”

Meu pai se pôs de pé. Não havia mais ninguém ali. Olhou para cima. O céu estava claro e azul, nenhum nuvem à vista. E uma brisa seca prometia um dia tórrido, sufocante.

Com a terra esturricando sob o sol inclemente, meu pai arrancou a comporta e voltou para casa. Fora-lhe dito o que fazer. Sabia disso. Não sabia como, mas sabia o que lhe fora prometido. Arrumou-se e foi para a reunião, deixando sua propriedade aos cuidados do poder no qual confiara a vida inteira.

Quando voltamos das reuniões, o céu continuava límpido, o ar quente e seco e as plantações estiolando-se ao sol inclemente. Sem nenhum sinal de chuva à vista, mamãe, profundamente preocupada com sua horta, voltou a falar com meu pai, que não contara nada de sua experiência. Continua sem nenhum sinal de chuva. O que você vai fazer com a horta?

Pela segunda vez naquele dia, ele foi até a vala de irrigação, com o coração pesado. Colocou a comporta com relutância, mas depois parou, assustado com sua convicção vacilante. Onde anda sua fé? perguntou-se pungentemente.

Com renovada decisão, retirou a comporta e desceu a colina, resolvido a nunca mais voltar à vala num domingo. Descendo a colina, ergueu os olhos para o céu e viu nuvens se acumulando. Dentro de uma hora, chovia a cântaros. O solo seco absorveu a água tão necessária, dessedentando o gramado, a horta e as plantações.

Aquela chuva foi um milagre, mas foi somente o começo. O verão apenas começara. Restavam ainda os sufocantes meses de julho e agosto. O pai, contudo, não se preocupava. O Autor da lei lhe prometera prover um meio para que ele cumprisse o mandamento.

Na manhã seguinte, um vizinho perguntou-lhe se não trocaria parte de sua água de domingo por parte da água de sábado. Meu pai rejubilou-se. Durante o breve período de irrigação no sábado, pôde aguar o gramado e a horta, mas não as culturas de milho, cevada e feno. O Senhor, porém continuou abençoando-o. Durante todo o verão, sempre que havia mais necessidade de chuva, surgiam nuvens, chovia e as culturas eram salvas.

Meu pai estava tão certo de que o Senhor cuidaria das coisas, que durante o verão inteiro não limpou nenhuma valeta na plantação de milho. Estávamos no quente e seco Utah, onde a existência de todo lavrador dependia literalmente daquelas valas de irrigação. Naquele verão, porém, as valetas de nossa propriedade nunca foram usadas. Nunca antes ele passara o verão inteiro sem irrigar suas plantações, mas naquele ano foi diferente - aquele era o verão do Senhor e ele proveria.

No outono, meu pai havia colhido três excelentes cortes de feno, uma ótima safra de cevada e milho. Em verdade, as janelas dos céus foram abertas e o Senhor proveu. (Alma J. Yates, O Verão Inesquecível, A Liahona, fevereiro de 1983, pp. 9-12.)

Debate

• Que dificuldades o fazendeiro desta história teve que enfrentar, para santificar o Dia do Senhor?

• Como o Senhor abençoou este homem?

• Por que é importante santificar o Dia do Senhor?

Explique que todas as bênçãos que recebemos por santificar o Dia do Senhor talvez não sejam tão dramáticas como estas, recebidas por este fazendeiro, mas podem ser exatamente tão importantes e significativas para nós, se tivermos a fé para cumprir esse mandamento.

Santificar o Dia do Senhor

Citação e debate

Explique que às vezes não temos total certeza de quais atividades são apropriadas no domingo. A melhor maneira de saber se uma atividade está de acordo com o Dia do Senhor é usar o dom do Espírito Santo para decidir o que é correto. Da mesma forma, devemos seguir o conselho de nossos líderes.

Leia a seguinte citação do Élder Russell M. Nelson:

Peço-lhes que façam mais do que apenas seguir passivamente listas do que podem ou não fazer, compiladas por outras pessoas. Determinem suas próprias normas e vivamnas. Cumpram o padrão do Senhor, que há séculos disse: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica….

As dúvidas sobre qual é o comportamento apropriado no Dia do Senhor serão facilmente respondidas se estudarem as escrituras e decidirem o que farão para mostrar a Deus o quanto o estimam e honram. (Standards of the Lords Standard- bearers, Ensign, agosto de 1991, p.10.)

Conclusão

Questionário Examinai os conselhos sobre o domingo dados nas páginas 16 e 17 de Para o Vigor da Juventude. Dê uma cópia do “Atividades Apropriadas para o Domingo” e um lápis para cada rapaz e explique como proceder para completar o questionário. Conceda tempo suficiente para completarem a folha e depois faça as correções. Não deixe de salientar que todas as respostas são sim. Todas as atividades alistadas são apropriadas para o Dia do Senhor. Debata as atividades alistadas na folha e peça aos rapazes que as guardem, para usarem como orientação no futuro. Lembre aos jovens que o Salvador não aprovou as leis que o povo tinha em sua época, porque freqüentemente proibiam as pessoas de fazerem o bem nesse dia. Deixe claro que esta lista contém apenas algumas sugestões e que cada rapaz deveria esforçar-se para santificar o Dia do Senhor, de modo que o Espírito Santo possa estar com ele. Se fizer isso, será verdadeiramente abençoado.

Desafio

Sugira que os jovens registrem seus sentimentos no diário, no final de cada Dia do Senhor, durante as próximas quatro ou cinco semanas. Eles devem analisar as atividades do dia e escrever seus sentimentos a respeito dessas atividades. Um esforço honesto ajudará os jovens a desenvolverem um relacionamento mais íntimo com sua família e com o Pai Celestial.

Atividades Apropriadas para o Domingo

Instruções: Escreva “sim” no espaço em branco à esquerda da atividade, se achar que ela é apropriada para o domingo. Escreva “não”, se achar que ela não deve ser realizada no domingo.

  1. 1.

    Ler as escrituras, relatórios de conferências e as publicações da Igreja.

  2. 2.

    Estudar a vida e os ensinamentos dos profetas.

  3. 3.

    Preparar aulas e outras designações da Igreja.

  4. 4.

    Escrever no diário.

  5. 5.

    Orar e meditar.

  6. 6.

    Escrever ou visitar parentes e amigos.

  7. 7.

    Escrever para os missionários (amigos, membros da família, membros da ala.)

  8. 8.

    Ouvir música inspiradora.

  9. 9.

    Participar do estudo do evangelho em família.

  10. 10.

    Fazer reuniões de conselho em família.

  11. 11.

    Ler com uma criança.

  12. 12.

    Fazer pesquisa genealógica, incluindo o programa de quatro gerações e a história pessoal e familliar.

  13. 13.

    Cantar hinos da Igreja.

  14. 14.

    Fazer leituras inspiradoras.

  15. 15.

    Desenvolver o gosto pelas artes culturais.

  16. 16.

    Planejar os estudos e atividades para a noite familiar.

  17. 17.

    Planejar outras atividades familiares.

  18. 18.

    Fazer amizade com não-membros.

  19. 19.

    Fazer amizade com os vizinhos.

  20. 20.

    Visitar os doentes, os idosos e os solitários (adaptado de Our Family, [folheto, 1980], p.2.)