Capítulo 30: Caridade

Princípios do Evangelho, (2011), 173–78


O que É Caridade?

  • Como vocês definiriam a caridade?

A vida do Salvador expressa Seu puro amor por todas as pessoas. Ele até deu Sua vida por nós. Caridade é o puro amor que o Salvador Jesus Cristo tem. Ele ordenou que nos amássemos uns aos outros como Ele nos ama. As escrituras dizem que a caridade vem do coração puro (ver I Timóteo 1:5). Temos amor puro quando, de coração, expressamos preocupação e solidariedade genuínas por todos os nossos irmãos.

A Caridade É a Maior de Todas as Virtudes

O profeta Mórmon disse: “Portanto, apegai-vos à caridade, que é, de todas, a maior, porque todas as coisas hão de falhar — mas a caridade é o puro amor de Cristo e permanece para sempre” (Morôni 7:46–47; ver também I Coríntios 13; 2 Néfi 26:30; Morôni 7:44–45, 48).

O Salvador deu-nos o exemplo de Sua vida para seguirmos. Ele foi o Filho de Deus. Tinha um perfeito amor e mostrou-nos como amar. Por Seu exemplo, mostrou-nos que as necessidades físicas e espirituais do próximo são tão importantes quanto as nossas. Antes de dar a vida por nós, Cristo disse:

“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.

Ninguém tem maior amor do que este; de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:12–13).

Falando ao Senhor, Morôni disse:

“E novamente me lembro de que tu disseste ter amado o mundo a ponto de dar a tua vida pelo mundo (…).

E agora sei que esse amor que tiveste pelos filhos dos homens é caridade; portanto, a não ser que os homens tenham caridade, não poderão herdar o lugar que preparaste nas mansões de teu Pai” (Éter 12:33–34).

Talvez não tenhamos que dar a vida como Ele fez, mas podemos ter caridade, se pusermos o Salvador no centro de nossa vida e seguirmos Seu exemplo e ensinamentos. Como o Salvador, nós também podemos abençoar a vida de nossos irmãos e irmãs aqui na Terra.

  • Por que a caridade é a maior de todas as virtudes?

A Caridade Inclui Ajudar os Enfermos, os Pobres e o Aflitos

O Salvador ensinou-nos muitas coisas por meio de histórias ou parábolas. A parábola do bom samaritano ensina-nos que devemos ajudar os necessitados, sejam eles nossos amigos ou não (ver Lucas 10:30–37; ver também James E. Talmage, Jesus, o Cristo, 1964, pp. 415–418). Na parábola, o Salvador diz que um homem viajava para outra cidade. Na estrada, foi atacado por bandidos que lhe roubaram as roupas e o dinheiro, e o surraram, deixando-o quase morto. Um sacerdote passou, olhou e seguiu seu caminho. Também passou um homem que trabalhava no templo, olhou para ele e depois seguiu em frente. Entretanto, um samaritano, que era desprezado pelos judeus, passou pelo local e, quando viu o homem, sentiu profunda compaixão por ele (ver a gravura deste capítulo). Ajoelhando-se a seu lado, o bom samaritano cuidou de seus ferimentos e o levou num jumento para uma hospedaria. Ali, pagou o dono da hospedaria para que cuidasse dele até que se recuperasse.

Jesus ensinou que precisamos alimentar os famintos, abrigar os que não têm teto e vestir os pobres. Quando visitamos os doentes e os presos, é como se estivéssemos fazendo essas coisas pelo Senhor. Ele prometeu que, se fizermos isso, herdaremos Seu reino (ver Mateus 25:34–46).

Não devemos tentar decidir se alguém precisa ou não de ajuda (ver Mosias 4:16–24). Se já cuidamos das principais necessidades de nossa família, precisamos ajudar todos os que necessitam de auxílio. Dessa forma, seremos como o Pai Celestial, que faz chover igualmente sobre os justos e os injustos (ver Mateus 5:44–45).

O Presidente Thomas S. Monson lembrou que há pessoas que necessitam de outras coisas além de bens materiais:

“Façamo-nos a seguinte pergunta: ‘Neste mundo, acaso, fiz hoje eu a alguém um favor ou bem? Ajudei alguém necessitado?’ [ver Hinos, nº 136]. Que fórmula para a felicidade! Que receita para a satisfação, para a paz interior — inspirar gratidão em outro ser humano.

Nossas oportunidades de darmos de nós mesmos são, de fato, ilimitadas, mas elas se desvanecem. Há corações a alegrar. Palavras gentis a se proferir. Presentes a serem dados. Boas ações a serem feitas. Almas a serem salvas” (A Liahona, janeiro de 2002, p. 69).

  • Na parábola do bom samaritano, como vocês descreveriam as pessoas que passaram pelo homem ferido sem ajudar? Como vocês descreveriam o samaritano? De que modo podemos aplicar a mensagem dessa parábola em nossa vida?

A Caridade Vem do Coração

  • Como podemos amar as pessoas apesar de terem pecados e defeitos?

Mesmo que cuidemos dos necessitados, se não tivermos compaixão por eles, não temos caridade (ver I João 3:16–17). O Apóstolo Paulo ensinou que, quando temos caridade, nosso coração transborda de bons sentimentos por todas as pessoas. Somos pacientes e bondosos. Não somos arrogantes, orgulhosos, egoístas ou rudes. Quando temos caridade, não nos lembramos das coisas más que os outros fizeram nem nos alegramos com elas. Não fazemos o bem apenas porque nos é conveniente. Em vez disso, partilhamos a alegria dos que vivem a verdade. Quando temos caridade, somos leais, acreditamos no que há de melhor nos outros e somos bondosos com eles. As escrituras ensinam que a “caridade nunca falha” (ver I Coríntios 13:4–8).

O Salvador foi o exemplo de como precisamos sentir-nos em relação a outras pessoas e de como tratá-las. Ele desprezava a iniquidade, mas amava os pecadores, apesar de seus pecados. Tinha compaixão pelas crianças, pelos velhos, pelos pobres e necessitados. Tinha tanto amor, que pôde suplicar ao Pai Celestial que perdoasse aos soldados que Lhe pregaram pregos nas mãos e nos pés (ver Lucas 23:34). Ele ensinou-nos que, se não perdoarmos aos outros, o Pai Celestial não nos perdoará (ver Mateus 18:33–35). Ele disse: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; (…) Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis?” (Mateus 5:44, 46). Precisamos aprender a sentir pelos outros o que Jesus sentia.

Como Desenvolver a Virtude da Caridade

  • Como podemos tornar-nos mais caridosos?

Para o professor: No subtítulo “Como Desenvolver a Virtude da Caridade”, cada um dos quatro primeiros parágrafos ensinam uma maneira de tornar-nos mais caridosos. Se a classe puder ser dividida em grupos de debate, você pode separar os alunos ou familiares em grupos de quatro. Designe um dos quatro parágrafos a cada membro dos quatro grupos. Peça aos participantes que estudem individualmente o parágrafo que lhe foi designado. Peça que pensem em exemplos tirados da vida de pessoas conhecidas ou das escrituras que ilustrem aquela maneira de tornar-nos caridosos. Depois, peça-lhes que compartilhem seus exemplos uns com os outros no grupo.

Primeiro, uma forma de tornar-nos caridosos é estudar a vida de Jesus Cristo e guardar Seus mandamentos. Podemos estudar o que Ele fez em certas situações e fazer as mesmas coisas quando estivermos em situações semelhantes.

Segundo, quando tivermos sentimentos não caridosos, podemos orar para afastá-los. Mórmon recomenda-nos: “Rogai ao pai, com toda a energia de vosso coração, que sejais cheios desse amor que ele concedeu a todos os que são verdadeiros seguidores de seu Filho, Jesus Cristo” (Morôni 7:48).

Terceiro, podemos aprender a amar a nós mesmos, o que significa entender nosso verdadeiro valor como filhos do Pai Celestial. O Salvador ensinou que precisamos amar os outros como amamos a nós mesmos (ver Mateus 22:39). Para amar-nos, precisamos respeitar-nos e confiar em nós mesmos. Isso significa que precisamos ser obedientes aos princípios do evangelho, arrepender-nos de nossos erros e perdoar-nos após nos havermos arrependido. Passaremos a amar-nos mais quando tivermos a certeza profunda e confortadora de que o Salvador realmente nos ama.

Quarto, não devemos pensar que somos melhores que os outros. Podemos ser pacientes com os defeitos das pessoas. Joseph Smith disse: “Quanto mais nos aproximamos de nosso Pai Celestial, mais dispostos estamos a olhar com compaixão para as almas que perecem; sentimos que desejamos levá-las nos ombros e tomar seus pecados sobre nós” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 451).

No Livro de Mórmon, lemos sobre Enos, um jovem que desejava saber se os seus pecados haviam sido perdoados. Ele disse:

“Minha alma ficou faminta; e ajoelhei-me ante o meu Criador e clamei-lhe, em fervorosa oração e súplica, por minha própria alma; e clamei o dia inteiro; sim, e depois de ter anoitecido, continuei a elevar minha voz até que ela chegou aos céus.

E ouvi uma voz, dizendo: Enos, perdoados são os teus pecados e tu serás abençoado” (Enos 1:4–5).

O Senhor explicou a Enos que, devido a sua fé em Cristo, seus pecados haviam sido perdoados. Quando ouviu essas coisas, Enos não se preocupou mais consigo mesmo. Ele sabia que o Senhor o amava e que o abençoaria. Em vez disso, começou a preocupar-se com o bem-estar dos seus amigos e parentes, os nefitas, e orou a Deus por eles de todo o coração. O Senhor respondeu-lhe e disse que eles seriam abençoados de acordo com a fidelidade que tivessem em guardar os mandamentos que lhes haviam sido dados. O amor de Enos aumentou ainda mais após ouvir essas palavras, e orou fervorosamente pelos lamanitas, que eram inimigos dos nefitas. O Senhor concedeu-lhe seus desejos, e ele passou toda a vida tentando salvar a alma dos nefitas e dos lamanitas (ver Enos 1:6–26).

Enos ficou tão agradecido pelo amor e perdão do Senhor que espontaneamente passou o resto da vida ajudando os outros a receber a mesma dádiva. Ele tornou-se um homem realmente caridoso. Nós também podemos ser caridosos. Na verdade, precisamos sê-lo, para herdar o lugar que nos foi preparado no reino do Pai.

Escrituras Adicionais

  • Colossenses 3:12–14 (caridade é o vínculo da perfeição)

  • Alma 34:28–29 (nossas orações serão em vão, a menos que tenhamos caridade)

  • I Coríntios 12:29–13:3 (definição da caridade)

  • D&C 121:45–46 (tenhamos o coração cheio de caridade por todas as pessoas)