A Expansão da Igreja

Nosso Legado: Resumo da História de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1996


De 1901 a 1970, quatro profetas presidiram uma Igreja em expansão – Joseph F. Smith, Heber J. Grant, George Albert Smith e David O. McKay. Eles testemunharam a evolução dos meios de transporte, do cavalo e charrete ao foguete espacial. Duas guerras mundiais e uma depressão global desafiaram os santos. Durante essa época, nove templos foram erigidos. Em 1901, havia aproximadamente 300.000 membros em 50 estacas, e, em 1970, a Igreja ultrapassou o marco de 2.800.000 membros, reunidos em 500 estacas em todo o mundo.

Presidente Joseph F. Smith

Joseph F. Smith nasceu em 1838, durante o auge das perseguições no Missouri, numa pequena cabana perto do local do templo em Far West. Na época do nascimento de Joseph, seu pai, Hyrum Smith, foi preso em Richmond, Estado de Missouri, e a mãe, Mary Fielding Smith, ficou sozinha para cuidar dos filhos.

O jovem Joseph mudou-se com a família de Missouri para Nauvoo, Illinois, onde ocorreu algo de que se lembraria pelo resto da vida: o assassinato do pai e do tio na Cadeia de Carthage. Joseph nunca se esqueceu da ocasião em que viu o pai pela última vez, quando, a caminho de Carthage, montado num cavalo, Hyrum pegou o filho, beijou-o e colocou-o no chão. Nem poderia esquecer-se do terror que sentiu ao ouvir um vizinho bater na janela para contar à sua mãe que Hyrum fora assassinado. A visão do pai e do tio deitados no caixão na Mansion House, em Nauvoo, ficou-lhe para sempre na memória.

O menino Joseph tornou-se homem quase da noite para o dia. Quando Mary Fielding Smith e a família acompanharam o êxodo de Nauvoo, Joseph, então com sete anos de idade, foi o condutor de um dos carroções. Joseph tinha treze anos quando a mãe morreu, deixando-o órfão, e antes de completar dezesseis anos, partiu em missão para as ilhas Sandwich (mais tarde chamadas de ilhas Havaianas). Três meses após sua chegada a Honolulu, Joseph falava a língua nativa fluentemente, dom espiritual que lhe fora conferido pelos Élderes Parley P. Pratt e Orson Hyde, dos Doze, que o designaram. Quando tinha 21 anos, partiu para outra missão, dessa vez por três anos, nas ilhas Britânicas.

Joseph tinha somente 28 anos quando o Presidente Brigham Young sentiu-se inspirado a ordená-lo Apóstolo. Nos anos subseqüentes, serviu como Conselheiro de quatro Presidentes da Igreja. Era conhecido por sua capacidade de expor e defender as verdades do evangelho. Seus sermões e escritos foram compilados numa obra intitulada Doutrina do Evangelho, que se tornou um dos importantes textos doutrinários da Igreja.

Nas primeiras décadas do século vinte, a Igreja progrediu de várias maneiras importantes. Com a contínua ênfase dada ao dízimo e a fidelidade dos santos a esse princípio, a Igreja conseguiu quitar todas as suas dívidas. Seguiu-se um período de prosperidade, o que permitiu aos santos construir templos, capelas e centros de visitantes e comprar lugares históricos da Igreja. A Igreja construiu também o Edifício Administrativo em Salt Lake City, que serve ainda hoje como seu escritório central.

O Presidente Smith reconhecia a necessidade de se construírem templos no mundo e, numa conferência em Berna, Suíça, estendeu a mão e declarou: “Vai chegar a hora em que esta terra ficará repleta de templos onde vocês poderão ir para redimir seus mortos”.1 O primeiro templo da Igreja na Europa, o Templo da Suíça, foi dedicado quase meio século mais tarde, nos arredores da cidade onde o Presidente Smith fez sua profecia. O Presidente Smith dedicou um terreno para a construção de um templo em Cardston, Alberta, no Canadá, em 1913, e para um templo no Havaí em 1915.

A partir da primeira década do século XX, os líderes da Igreja encorajaram os santos a permanecer em sua própria terra em vez de mudarem-se para Utah. Em 1911, Joseph F. Smith e seus Conselheiros na Primeira Presidência emitiram a seguinte declaração: “É bom que nosso povo permaneça em sua terra natal e forme congregações de caráter permanente para auxiliarem no proselitismo”.2

Seis semanas antes de seu falecimento, o Presidente Smith recebeu uma importante revelação a respeito da redenção dos mortos. Teve uma visão do ministério do Salvador no mundo espiritual e soube que os santos fiéis teriam a oportunidade de continuar a ensinar o evangelho no mundo dos espíritos. Essa revelação foi acrescentada à Pérola de Grande Valor em 1976 e, em 1979, foi transferida para Doutrina e Convênios como seção 138.

Presidente Heber J. Grant

Pouco antes de sua morte em novembro de 1918, o Presidente Joseph F. Smith tomou Heber J. Grant, na época Presidente dos Doze, pela mão, e disse: “O Senhor o abençoe, meu rapaz, o Senhor o abençoe. Você tem uma grande responsabilidade. Lembre-se sempre de que esta é a obra do Senhor, não do homem. O Senhor é maior do que qualquer homem. Ele sabe quem Ele deseja que dirija Sua Igreja e jamais comete um erro”.3 Heber J. Grant tornou-se o sétimo Presidente da Igreja aos 62 anos, tendo servido como Apóstolo desde 1882.

Quando jovem e durante toda a vida, Heber mostrou uma determinação incomum de cumprir metas. Sendo filho único de uma viúva, ficou um pouco afastado das atividades dos meninos de sua idade. Quando tentou entrar para a equipe de basquete, riram dele por causa de sua falta de jeito e inabilidade para o esporte. Foi, então, recusado. Em vez de sentir-se desencorajado, passou muitas horas treinando insistentemente o arremesso de bola até que, finalmente, entrou em outra equipe que ganhou vários campeonatos locais.

Quando criança, decidiu que ia ser guarda-livros, depois de saber que poderia ganhar muito mais dinheiro com essa profissão do que engraxando sapatos. Naquela época, para ser guarda-livros exigia-se uma ótima caligrafia, mas a sua era tão ruim que os amigos diziam que sua letra mais se parecia com as marcas de pés de galinha. Mais uma vez, não se abateu; passou horas treinando caligrafia. Heber J. Grant tornou-se conhecido por sua bela letra e acabou ensinando caligrafia numa universidade, além de ser muitas vezes solicitado para escrever documentos importantes. Sua determinação em fazer o melhor possível para servir ao Senhor e ao próximo foi um grande exemplo para muitas pessoas.

O Presidente Grant foi um homem de negócios prudente e bem- sucedido, cuja capacidade ajudou a liderar a Igreja durante uma época em que a depressão financeira atingiu o mundo inteiro, além de ajudar também a resolver problemas pessoais resultantes dessa crise. Ele acreditava firmemente na auto-suficiência, na dependência do Senhor e em seu próprio trabalho, não no do governo. O Presidente Grant abençoou muitas pessoas necessitadas com o dinheiro que ganhou.

Na década de 30, durante a Grande Depressão, os santos, como muitos outros povos do mundo, lutavam contra o desemprego e a pobreza. Em 1936, como resultado de uma revelação do Senhor, o Presidente Grant estabeleceu o programa de bem-estar da Igreja para auxiliar as pessoas que estavam passando dificuldades e ajudar todos os membros a tornarem-se auto-suficientes. A Primeira Presidência disse o seguinte acerca desse programa: “Nosso propósito principal é o de criar, tanto quanto possível, um sistema no qual seja banida a praga da indolência e abolidos os males da esmola; e a independência, a industriosidade, a economia e o auto-respeito sejam mais uma vez estabelecidos entre nosso povo. O objetivo da Igreja é ajudar as pessoas a ajudarem-se a si mesmas. O trabalho deve ser reentronizado como princípio governante na vida dos membros da Igreja”.4

O Presidente J. Reuben Clark Jr., que serviu como Conselheiro na Primeira Presidência por 28 anos, enfatizou: “O objetivo do Plano de Bem-Estar a longo prazo é o fortalecimento do caráter dos membros da Igreja, tanto de quem dá como de quem recebe, resgatando o que há de melhor em cada um e fazendo florescer e frutificar as riquezas latentes do espírito”.5

Em 1936, foi criado um Comitê Geral de Bem-Estar a fim de supervisionar o trabalho de bem-estar da Igreja. Harold B. Lee, presidente da Estaca Pioneer, foi nomeado diretor do comitê. Mais tarde, abriram-se lojas das Indústrias Deseret para ajudar os desempregados e deficientes físicos e adquiriram-se fazendas e desenvolveram-se projetos de produção agrícola para benefício dos necessitados. O programa de bem-estar continua a abençoar milhares de pessoas hoje, tanto os membros carentes da Igreja como pessoas de situação precária em todo o mundo.6

Enquanto a obra missionária continuava em ritmo acelerado, o Presidente Grant serviu de instrumento em uma conversão muito incomum. Vincenzo di Francesca, um ministro religioso italiano, estava caminhando por uma rua de Nova York, em direção à sua igreja, quando viu um livro sem capa num barril cheio de cinzas. Ele pegou o livro, folheou as páginas e viu, pela primeira vez, os nomes Néfi, Mosias, Alma e Morôni. Sentiu desejo de ler o livro, ainda que não soubesse seu nome nem origem, e de orar a respeito de sua veracidade. Ao fazê-lo, disse: “Senti um contentamento, como se tivesse encontrado algo extraordinário e precioso, que trouxe paz à minha alma e uma alegria que a língua humana não tem palavras para descrever”. Vincenzo começou a ensinar os princípios do livro aos membros de sua igreja. Seus líderes repreenderam-no por isso e disseram-lhe que queimasse o livro, o que ele se recusou a fazer.

Mais tarde, Vincenzo retornou à Itália onde, em 1930, soube que o livro era uma publicação de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Escreveu, então, uma carta à Igreja em Utah, endereçada ao Presidente Grant. Este, por sua vez, enviou-lhe um exemplar do Livro de Mórmon em italiano e forneceu o nome de Vincenzo ao presidente da Missão Européia. Por muitos anos, as dificuldades da guerra impediram Vincenzo de ser batizado, mas ele finalmente conseguiu tornar-se membro da Igreja em 18 de janeiro de 1951, sendo a primeira pessoa batizada na ilha da Sicília. Cinco anos depois, recebeu sua investidura no Templo da Suíça.7

Em 6 de maio de 1922, o Presidente Grant dedicou a primeira estação de rádio da Igreja. Dois anos mais tarde, a emissora passou a transmitir as sessões da conferência geral, permitindo que um número muito maior de membros ouvissem as mensagens das Autoridades Gerais. Não muito tempo depois, em julho de 1929, foi transmitido o primeiro programa Music and the Spoken Word (Música e a Palavra Proferida), uma transmissão semanal de músicas e mensagens inspiradoras com o Coro do Tabernáculo. Esse programa continua a ser transmitido até hoje, semanalmente.

O Presidente Grant morreu no dia 14 de maio de 1945, tendo servido 27 anos como Presidente da Igreja. Apenas Brigham Young serviu mais tempo do que o Presidente Grant.

Presidente George Albert Smith

George Albert Smith sucedeu a Heber J. Grant como Presidente da Igreja. O Presidente Smith, cuja vida foi um exemplo da felicidade resultante da prática do evangelho, testificou: “Toda felicidade e toda alegria digna desse nome é fruto da obediência aos mandamentos de Deus e do cumprimento de Suas instruções e conselhos”.8

A obediência aos mandamentos de Deus e aos conselhos dos líderes da Igreja fora o modelo de retidão seguido pela família do Presidente Smith por muitas gerações. Ele recebeu o nome do avô paterno, George A. Smith, que era primo do Profeta Joseph e Conselheiro do Presidente Brigham Young. O pai de George Albert, John Henry Smith, serviu na Primeira Presidência com Joseph F. Smith. Com 33 anos, George Albert Smith foi chamado para o Quórum dos Doze Apóstolos, de 1903 a 1910, John Henry e George Albert serviram juntos no Quórum dos Doze, sendo a única vez, nesta dispensação, que um pai e um filho serviram juntos naquele Quórum. De 1903 a 1910, John Henry e George Albert serviram juntos no Quórum dos Doze.

Os 42 anos de George Albert Smith no Quórum dos Doze foram cheios de serviço nobre, apesar dos períodos em que sua saúde esteve debilitada. Seus olhos foram afetados pelo sol enquanto inspecionava uma estrada de ferro no sul de Utah, e apesar de ter sido operado, ficou quase cego. As pressões cada vez maiores e a vida extremamente ocupada debilitaram-lhe o corpo frágil e, em 1909, ele teve uma estafa. As ordens do médico, de que fizesse repouso absoluto, corroeram sua autoconfiança, fizeram-no sentir-se inútil e agravaram seu estado de tensão.

Durante essa época difícil, George teve um sonho no qual viu uma linda floresta perto de um grande lago. Após ter caminhado certa distância através da floresta, viu seu querido avô, George A. Smith, indo em sua direção. George correu para ele, mas quando o avô se aproximou, parou e disse: “Gostaria de saber o que você fez com o meu nome”. Sua vida passou-lhe toda pela mente e ele respondeu com humildade: “Não fiz nada com seu nome de que pudesse envergonhar-se”. Esse sonho renovou o espírito e o vigor de George, e ele logo conseguiu retornar ao trabalho. Mais tarde, descreveu muitas vezes essa experiência como um marco em sua vida.9

Na administração do Presidente George Albert Smith, que compreendeu o período de 1945 a 1951, o número de membros da Igreja atingiu o marco de 1 milhão, o Templo de Idaho Falls, no Estado de Idaho, foi dedicado, e o trabalho missionário foi retomado após a Segunda Guerra Mundial.

Também se empreenderam esforços para levar auxílio aos santos da Europa que estavam passando necessidades em conseqüência da guerra. Os membros da Igreja dos Estados Unidos foram encorajados a contribuir com roupas e outros artigos. O Presidente Smith teve uma reunião com Harry S. Truman, Presidente dos Estados Unidos, com o objetivo de receber permissão para enviar roupas, alimentos, e roupas de cama para a Europa. O Presidente Smith descreveu o encontro da seguinte forma:

O Presidente Truman disse: “‘Por que razão vocês querem mandar essas coisas para lá? O dinheiro deles não serve para nada’.

Disse eu: ‘Não queremos o dinheiro deles’. Ele me olhou e perguntou: ‘Não está querendo dizer que vão dar de presente!’

Respondi: ‘Claro, vamos. Eles são nossos irmãos e estão em situação angustiante. Deus abençoou-nos com coisas de sobra e teremos prazer em enviá-las, se tivermos a cooperação do governo’.

O Presidente Truman disse: ‘Estão no caminho certo’, e acrescentou: ‘Ficaremos felizes em ajudá-los de todas as formas possíveis’.10

Enquanto as doações eram separadas e embaladas em Utah para seguirem de navio, o Presidente Smith foi observar os preparativos.

As lágrimas correram-lhe pelo rosto quando viu o grande volume de artigos que haviam sido tão generosamente doados. Após alguns minutos, tirou o casaco novo que vestia e disse: “Mandem este também”. Embora várias pessoas que estavam com ele tivessem dito que ele precisava do casaco, pois o dia estava muito frio, o Presidente Smith insistiu que o enviassem.11

O Élder Ezra Taft Benson, do Quórum dos Doze, foi designado para reabrir as missões na Europa, supervisionar a distribuição dos suprimentos de socorro e atender às necessidades espirituais dos santos. Uma das primeiras visitas do Élder Benson foi a uma conferência dos santos de Karlsruhe, uma cidade alemã da região do rio Reno. A respeito dessa experiência, o Élder Benson contou:

“Finalmente encontramos o local da reunião, um edifício parcialmente destruído por bombas, voltado para a parte interna de um quarteirão. Os santos estavam reunidos havia duas horas, esperando-nos, na expectativa de que aparecêssemos, conforme as notícias que tinham recebido. E então, pela primeira vez em minha vida, vi quase toda uma congregação em lágrimas, quando nos dirigimos para o púlpito e eles perceberam que, finalmente, após seis ou sete longos anos, representantes de Sião, como diziam eles, tinham finalmente voltado a visitá-los. ( … ) Quando olhei para os rostos voltados para cima, pálidos, muitos dos santos vestidos em trapos, alguns descalços, vi a luz da fé em seus olhos ao prestarem testemunho da divindade desta grande obra dos últimos dias e ao expressarem sua gratidão pelas bênçãos do Senhor.”12

Entre suas várias responsabilidades, o Élder Benson supervisionou a distribuição de 127 remessas de alimentos, roupas, roupas de cama e remédios por toda a Europa. Anos mais tarde, quando o Presidente Thomas S. Monson dedicava uma nova capela em Zwickau, Alemanha, um velho irmão aproximou-se dele com lágrimas nos olhos e perguntou pelo Presidente Ezra Taft Benson, dizendo: “Diga a ele que salvou minha vida e a vida de muitos irmãos e irmãs de minha terra natal com os alimentos e roupas enviados pelos membros da Igreja dos Estados Unidos”.13

Os santos holandeses tiveram oportunidade de prestar serviço verdadeiramente cristão aos santos alemães que passavam fome. Os irmãos holandeses haviam sofrido muito durante a guerra e depois receberam auxílio dos membros da Igreja dos Estados Unidos. Em meados de 1947, foi solicitado que iniciassem seus próprios projetos de bem-estar, o que fizeram com entusiasmo. Eles plantaram principalmente batatas e aguardavam uma grande safra.

missionaries in the Netherlands

O Presidente Cornelius Zappey e missionários da Missão dos Países Baixosdespachando batatas para os santos alemães em 1947.

Nessa época, o Presidente Walter Stover, da Missão Alemanha Leste, foi à Holanda e, com lágrimas nos olhos, contou a respeito da fome e desolação dos membros da Igreja na Alemanha. O Presidente Cornelius Zappey, presidente da Missão dos Países Baixos, perguntou aos membros se eles dariam a safra de suas batatas aos alemães, que tinham sido seus inimigos durante a guerra. Eles concordaram de boa vontade e começaram a cuidar da colheita com interesse renovado. A safra foi maior do que todos esperavam, e os santos holandeses conseguiram enviar 75 toneladas de batatas aos irmãos da Alemanha. Um ano depois, enviaram outras 90 toneladas de batatas e 9 toneladas de arenque aos santos alemães.14

O amor cristão demonstrado por esses santos era típico do Presidente George Albert Smith, que irradiava o amor de Cristo de maneira extraordinária. O Presidente declarou: “Posso dizer a vocês, irmãos e irmãs, as pessoas mais felizes do mundo são aquelas que amam seu próximo como a si mesmas e mostram, por sua conduta na vida, o quanto apreciam as bênçãos de Deus “.15

Presidente David O. McKay

David O. McKay foi Conselheiro do Presidente George Albert Smith na Primeira Presidência. Em meados de 1951, quando parecia que a saúde do Presidente Smith estava um pouco melhor, o Presidente McKay e a esposa, Emma Rae, decidiram viajar para a Califórnia e tirar as férias que vinham adiando. Pararam em Saint George, Estado de Utah, para passar a noite. Quando o Presidente McKay levantou-se na manhã seguinte, teve a nítida impressão de que deveria voltar à sede da Igreja. Poucos dias depois de retornar a Salt Lake City, o Presidente Smith sofreu um derrame que o levou à morte em 4 de abril de 1951. David O. McKay tornou-se então o nono Presidente da Igreja.

O Presidente Mckay foi bem preparado para guiar a Igreja. Aos oito anos, assumiu as responsabilidades de um homem, quando o pai foi chamado para uma missão nas ilhas Britânicas. Duas de suas irmãs mais velhas tinham morrido recentemente, a mãe esperava mais um filho e o pai sentiu que as responsabilidades da fazenda eram demais para a esposa. Diante da situação, o Irmão McKay disse à esposa: “Obviamente é impossível que eu vá”. A irmã McKay olhou para ele e respondeu: “Claro que você deve aceitar o chamado; não precisa preocupar-se comigo. David e eu vamos cuidar de tudo muito bem!”16 A fé e dedicação de seus pais implantaram no jovem David o desejo de servir ao Senhor por toda a vida. Foi chamado para o Conselho dos Doze em 1906, aos 32 anos de idade, servindo nesse Conselho e na Primeira Presidência (como Conselheiro do Presidente Heber J. Grant e do Presidente George Albert Smith) por 45 anos antes de tornar-se Presidente da Igreja.

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O Presidente David O. McKay com a família, quando era menino.Davidestá no colo do pai.

O Presidente McKay iniciou um extenso programa de viagens, visitando membros de uma Igreja que se tornara mundial. Ele visitou os santos da Grã Bretanha e da Europa, da África do Sul, da América Latina, do Pacífico Sul e de outros lugares. Enquanto estava na Europa, tomou as primeiras providências para a construção de templos em Londres e na Suíça. Antes de terminar seu período na Presidência, visitou quase o mundo inteiro, abençoando e inspirando membros da Igreja.

O Presidente McKay deu renovada ênfase ao trabalho missionário, recomendando com insistência a todos os membros que assumissem o compromisso de trazer pelo menos um membro para a Igreja por ano. Tornou-se conhecido por sua repetida admoestação: “Todo membro é um missionário”.

Em 1952, na tentativa de aumentar a eficácia do trabalho missionário, foi enviado aos missionários do mundo inteiro o primeiro plano oficial de proselitismo, chamado de Método para o Ensino do Evangelho. Constituía-se em sete palestras que salientavam o ensino pelo Espírito e ensinavam claramente a natureza da Trindade, o plano de salvação, a Apostasia e a Restauração, a importância do Livro de Mórmon. O número de conversos no mundo cresceu extraordinariamente. Em 1961, os líderes da Igreja realizaram o primeiro seminário para todos os presidentes de missão, quando lhes ensinaram que deveriam incentivar as famílias a confraternizarem-se com os amigos e vizinhos e, depois, apresentá-los aos missionários para que eles lhes ensinassem o evangelho. Criou-se também, em 1961, um programa de treinamento de idiomas para missionários recém-chamados e, mais tarde, construiu-se um centro de treinamento missionário.

Durante a administração do Presidente McKay, os membros da Igreja que serviam nas forças armadas na Ásia plantaram as sementes para o crescimento da Igreja naquele continente. Um jovem soldado de American Fork, Estado de Utah, que servia na Coréia do Sul, percebeu que os soldados americanos que cruzavam com civis coreanos faziam-nos sair do caminho para dar-lhes passagem. O jovem membro da Igreja, ao contrário, dava passagem aos coreanos. Fez também um esforço para aprender o nome deles e cumprimentá-los amavelmente quando passavam. Um dia, entrou no refeitório com cinco amigos. A fila para a comida estava muito longa, e ele ficou esperando numa mesa por algum tempo. Logo, apareceu um coreano com uma bandeja de comida para ele, mas o jovem, apontando para a tira no braço do coreano, disse: “Você não pode me servir. Sou apenas um soldado raso”. O coreano replicou: “Eu sirvo você. Você é Cristão Número Um”.17

Em 1967, tendo os missionários e os oficiais das forças armadas sido muito eficientes em pregar o evangelho na Coréia, o Livro de Mórmon foi traduzido para o coreano, e logo o país ficou repleto de alas e estacas.

Os missionários tiveram também muito sucesso no Japão. Depois da Segunda Guerra Mundial, os membros da Igreja no Japão tiveram pouco contato com representantes da Igreja durante vários anos; mas os soldados SUD que serviam no Japão após a guerra ajudaram a fortalecer a Igreja. Em 1945, Tatsui Sato ficou impressionado com os soldados santos dos últimos dias, que se recusavam a tomar chá, e fez-lhes perguntas que o levaram a ser batizado, bem como, no ano seguinte, vários membros de sua família. Elliot Richards batizou Tatsui, e Boyd K. Packer, um soldado que mais tarde se tornou membro do Quórum dos Doze, batizou a irmã Sato. Muitos japoneses ouviram pela primeira vez a mensagem do evangelho restaurado na casa da família Sato. Em pouco tempo, missionários que haviam lutado contra os japoneses durante a Segunda Guerra Mundial estavam abrindo cidades japonesas para a obra missionária.

Embora a presença da Igreja nas Filipinas se deva também ao empenho dos soldados americanos e outros após a Segunda Guerra Mundial, o crescimento mais acentuado da Igreja deu-se a partir de 1961. Uma jovem filipina, que não era membro da Igreja, ouviu falar do Livro de Mórmon e conheceu vários santos dos últimos dias. Então sentiu que deveria pedir a funcionários do governo, que ela conhecia, permissão para a entrada dos missionários da Igreja nas Filipinas. A permissão foi concedida e, meses depois, o Élder Gordon B. Hinckley, do Quórum dos Doze, rededicou o país para a obra missionária.

Em conseqüência do enorme crescimento da Igreja nos anos 50, o Presidente McKay anunciou o programa de correlação do sacerdócio. Um comitê, encabeçado pelo Élder Harold B. Lee, do Quórum dos Doze, foi designado para fazer um estudo completo e fiel de todos os programas da Igreja, a fim de verificar como esses programas cumpriam os objetivos mais importantes da Igreja. Em 1961, com a aprovação da Primeira Presidência, o Élder Lee anunciou que seriam desenvolvidas normas para guiar o planejamento, a redação e a implementação de todo o material curricular da Igreja. Muitos desses materiais tinham sido previamente desenvolvidos pelas organizações auxiliares da Igreja. Essa nova diretriz evitaria duplicação desnecessária de programas e materiais das lições, a fim de que o evangelho fosse ensinado de maneira mais eficaz aos membros de todas as idades e línguas, numa Igreja mundial.

A Igreja fez também outras mudanças a fim de correlacionar com mais eficiência todos os programas e atividades – inclusive o programa de bem-estar, de história da família e a obra missionária – para melhor cumprir a missão da Igreja. O ensino familiar, que fizera parte da Igreja desde a época de Joseph Smith, recebeu destaque nos anos 60, como um meio para ajudar a cuidar das necessidades espirituais e físicas de todos os membros da Igreja. Criaram-se bibliotecas nas capelas para intensificar o ensino e implantou-se também um programa de aperfeiçoamento para os professores. Em 1971, a Igreja começou a publicar três revistas em língua inglesa, sob a supervisão das Autoridades Gerais: Friend, para crianças, New Era, para jovens e Ensign, para adultos. Mais ou menos nessa mesma época, a Igreja unificou as revistas em línguas estrangeiras, que anteriormente eram publicadas de forma independente pelas várias missões. Hoje, uma única revista é traduzida em muitas línguas e enviada aos membros da Igreja de todo o mundo.

O Presidente David O. McKay salientou por muito tempo a importância do lar e da vida em família como fonte de felicidade e a melhor defesa contra as provações e tentações da vida moderna. Ele falava freqüentemente a respeito do amor que sentia por sua família e do apoio infalível da esposa, Emma Rae. Durante a administração do Presidente McKay, as reuniões familiares semanais ganharam destaque como meio de os pais se aproximarem mais dos filhos e de ensiná-los a respeito dos princípios do evangelho.

A Sociedade de Socorro apoiou o profeta, ressaltando a importância do fortalecimento do lar e da família. Desde o seu início, em Nauvoo, a Sociedade de Socorro crescera muito, reunindo então centenas de milhares de mulheres do mundo inteiro, que foram abençoadas em sua vida pessoal e familiar pelos ensinamentos da Sociedade de Socorro e pelo convívio com as irmãs. De 1945 a 1974, a Presidente Geral da Sociedade de Socorro foi Belle S. Spafford, líder competente que recebeu também reconhecimento nacional quando serviu como presidente do Conselho Nacional de Mulheres dos Estados Unidos, de 1968 a 1970.

O Presidente McKay morreu em janeiro de 1970, com 96 anos. Presidiu a Igreja por quase 20 anos, durante os quais o número de membros praticamente triplicou, sendo dados grandes passos para pregar-se a mensagem do evangelho no mundo todo.

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    Notas

  1.   1.

    Citado em Serge F. Ballif, Conference Report, out. 1920., p. 90.

  2.   2.

    James R. Clark, comp., Messages of the First Presidency of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 6 vols. (1965-75), 4:222.

  3.   3.

    “Editorial”, Improvement Era, nov. 1936, p. 692.

  4.   4.

    Primeira Presidência, Conference Report, 1936, p. 3.

  5.   5.

    J. Reuben Clark Jr., reunião especial de presidentes de estaca, 2 out. 1936.

  6.   6.

    Para mais informações, ver Glen L. Rudd, Pure Religion: The Story of Church Welfare Since 1930 (1995).

  7.   7.

    Vincenzo di Francesca, “I Will Not Burn the Book!”, Ensign, jan. 1988, p. 18.

  8.   8.

    George Albert Smith, Conference Report, abr. 1948. p. 162.

  9.   9.

    George Albert Smith, Sharing the Gospel with Others, sel. Preston Nibley, (1948), pp.110-112.

  10.   10.

    George Albert Smith, Conference Report, out. 1947, pp. 5-6.

  11.   11.

    Ver Glen L. Rudd, Pure Religion, p. 248.

  12.   12.

    Ezra Taft Benson, Conference Report, abr. 1947, p. 154.

  13.   13.

    Citado em Gerry Avant, “War Divides, but the Gospel Unites”, Church News, 19 ago. 1995, p. 5.

  14.   14.

    Para mais informações, ver Glen L. Rudd, Pure Religion, pp. 254-261.

  15.   15.

    George Albert Smith, Conference Report, abr. 1949, p. 10.

  16.   16.

    Citado em Llewelyn R. McKay, Home Memories of President David O. McKay (1956), pp. 5-6.

  17.   17.

    George Durrant, “No. 1 Christian”, Improvement Era, nov. 1968, pp. 82-84.