Capítulo 3: O Plano de Salvação

Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Fielding Smith, 2013


“Nosso Pai Celestial preparou um plano para a salvação de Seus filhos espirituais (…) de forma a permitir que Seus Filhos avançassem e progredissem até alcançarem a vida eterna.”

Da Vida de Joseph Fielding Smith

Em 29 de abril de 1901, Alice, uma das irmãs de Joseph Fielding Smith, morreu aos 18 anos, após longa enfermidade. Joseph estava prestes a terminar sua missão de tempo integral na Inglaterra. Sua reação à notícia do falecimento de Alice revela o amor que ele tinha à família e seu testemunho do plano de salvação. Ele escreveu no diário: “Foi um golpe terrível para todos nós. Não me dera conta da gravidade da doença, apesar de saber que ela estava doente. Tinha certeza de que voltaria a vê-la com o restante da família em algumas semanas, mas seja feita a vontade de Deus. É em momentos assim que as esperanças que o evangelho nos dá são-nos mais doces. Voltaremos a estar juntos do outro lado e a desfrutar o prazer e as bênçãos da companhia um do outro, lá, onde os laços de família não mais se rompem e onde viveremos todos com as bênçãos e as ternas misericórdias do Pai Celestial. Que eu sempre ande na senda da verdade e honre o nome que tenho, para que meu encontro com meus familiares seja doce e eterno, é o que rogo humildemente em oração”.1

Em seu trabalho de apóstolo e, posteriormente de presidente da Igreja, o Presidente Joseph Fielding Smith, repetidas vezes prestou testemunho da esperança que vem do entendimento do evangelho. Ele ensinou: “Temos o plano de salvação, ministramos o evangelho, e o evangelho é a única esperança do mundo, a única coisa que trará paz à Terra e corrigirá os males existentes em todas as nações”.2

Ensinamentos de Joseph Fielding Smith

1

No mundo espiritual pré-mortal, alegramo-nos ao saber do plano de salvação preparado pelo Pai Celestial.

Somos todos membros da família do Pai Celestial. Vivíamos e morávamos com Ele antes que os alicerces desta Terra fossem lançados. Vimos Sua face, sentimos Seu amor e ouvimos Seus ensinamentos, e Ele estabeleceu as leis pelas quais podemos avançar, progredir e obter nossa própria família eterna.3

“Vivíamos e morávamos com Ele [o Pai Celestial] antes que os alicerces desta Terra fossem lançados.”

Nosso Pai Celestial preparou um plano para a salvação de Seus filhos espirituais. Esse plano foi preparado de forma a permitir que Seus filhos avançassem e progredissem até alcançarem a vida eterna, que é o nome do tipo de vida que o Pai Celestial tem. Esse plano destina-se a possibilitar que os filhos de Deus tornem-se como Ele e tenham o mesmo poder, conhecimento e a mesma sabedoria que Ele tem.4

Aprendemos na Pérola de Grande Valor que houve um conselho no céu, no qual o Senhor congregou os espíritos de Seus filhos e apresentou-lhes um plano, segundo o qual deveriam descer a esta Terra, ter uma vida mortal e receber um corpo físico. Deveriam passar pelas provações da mortalidade e, depois, prosseguir para um plano mais exaltado, por meio da Ressurreição que se realizaria graças à Expiação de Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo (ver Moisés 4:1–2; Abraão 3:22–28). A ideia de passar pela mortalidade e por todas as vicissitudes da vida terrena, na qual ganhariam experiência por meio de sofrimento, dor, tristeza, tentações e aflições, bem como dos prazeres da vida nesta existência terrena e, depois, caso fossem fiéis, passar pela ressurreição para a vida eterna no reino de Deus, para serem como Ele é (ver I João 3:2), encheu-os de júbilo e eles exultaram de alegria (ver Jó 38:4–7). Não havia nenhuma outra maneira de conseguirem a experiência e o conhecimento obtidos nesta vida mortal, e a obtenção de um corpo físico era essencial a sua exaltação.5

2

A queda de Adão e Eva fazia parte do plano do Pai Celestial.

O plano de salvação, ou o código de leis conhecido como “evangelho de Jesus Cristo”, foi adotado no céu, antes da fundação do mundo. Ficou acertado que Adão, nosso pai, viria a esta Terra primeiro e encabeçaria toda a família humana. De acordo com esse grande plano, ele teria de comer do fruto proibido e cair, de forma a trazer o sofrimento e a morte ao mundo, isso para o bem eterno de seus filhos.6

A Queda era uma parte essencial da provação mortal do homem. (…) Caso Adão e Eva não tivessem comido do fruto, não teriam recebido a grande dádiva da mortalidade. Além disso, não teriam posteridade e não cumpririam o grande mandamento que lhes fora dado pelo Senhor.7

A Queda de Adão e Eva “trouxe a dor, trouxe a tristeza, trouxe a morte; mas (…) também trouxe bênçãos”.

A Queda de Adão ocasionou todas as vicissitudes da mortalidade. Trouxe a dor, trouxe a tristeza, trouxe a morte; mas não devemos nos esquecer de que ela também trouxe bênçãos. (…) Trouxe a bênção do conhecimento, do entendimento e da vida mortal.8

3

Jesus Cristo ofereceu-Se para sacrificar-Se e salvar-nos da Queda e de nossos pecados.

A transgressão de Adão trouxe estas duas mortes: a espiritual e a física — nas quais o homem foi banido da presença de Deus e tornou-se mortal e sujeito aos males da carne. Para que pudesse voltar à condição anterior, era preciso que houvesse uma compensação pela lei violada. A justiça o exigia.9

É muito natural e justo que quem pratica uma má ação sofra o castigo, expie seus atos. Portanto, quando Adão transgrediu a lei, a justiça exigiu que ele, e ninguém mais, respondesse por seus atos e pagasse pelo pecado com a própria vida. Mas Adão, ao quebrar a lei, tornou-se sujeito à maldição e, tendo sido amaldiçoado, não podia expiar nem desfazer o que havia feito. Seus filhos tampouco podiam fazê-lo, pois também estavam sob a maldição, e era preciso que alguém que não estivesse sob essa maldição expiasse o pecado original. Ademais, como todos estamos sob essa maldição, nós também somos incapazes de expiar nossos próprios pecados. Portanto, fez-se necessário que o Pai enviasse Seu Filho Unigênito, sem pecados, para expiar os nossos pecados, bem como a transgressão de Adão, Expiação essa exigida pela justiça. Sendo assim, Ele entregou-Se em sacrifício por nossos pecados e, por meio da morte na cruz, tomou sobre Si tanto a transgressão de Adão como nossos pecados individuais e, dessa forma, redimiu-nos da Queda e de nossos pecados, contanto que nos arrependamos.10

Temos o dever de ensinar a missão de Jesus Cristo. Por que Ele veio? O que Ele fez por nós? Como fomos beneficiados? Qual foi o preço que Ele pagou? Por que isso Lhe custou a vida, sim, mais do que a vida? O que mais Ele fez além de ser pregado na cruz? Por que Ele foi pregado na cruz? Ele foi pregado na cruz para que Seu sangue fosse derramado para redimir-nos da mais terrível penalidade que nos poderia ser imposta: o afastamento da presença de Deus. Morreu na cruz para resgatar-nos, para que nosso corpo e nosso espírito voltassem a unir-se. Ele concedeu-nos esse privilégio. Contanto que acreditemos Nele e guardemos Seus mandamentos, Ele morreu por nós, para que sejamos redimidos de nossos pecados e não tenhamos que pagar o preço. Ele pagou o preço. (…)

Ninguém poderia fazer o que Ele fez por nós. Ele não precisava morrer, podia ter-Se recusado. Ele o fez de livre e espontânea vontade, porque era um mandamento de Seu Pai. Ele sabia o quanto sofreria e, mesmo assim, por amor a nós, dispôs-Se a fazê-lo. (…)

Ter as mãos e os pés perfurados por cravos foi a parte mais suave do sofrimento do Salvador. Criamos o hábito, acho eu, de achar ou pensar que Seu maior sofrimento foi ser pregado na cruz e deixado ali, pendurado. Bem, naquele período da história do mundo, milhares de homens passavam por isso. Portanto, o sofrimento Dele, no que se refere a isso, não foi maior do que o sofrimento de outros homens que foram crucificados. Qual, então, terá sido Seu grande sofrimento? Quem me dera poder gravar este fato na mente de cada membro desta Igreja: o maior sofrimento de Cristo ocorreu antes de Ele ser colocado na cruz. Foi no Jardim do Getsêmani, como lemos nas escrituras, que Ele verteu sangue por todos os poros do corpo e, na extrema agonia de Sua alma, clamou ao Pai. Não foram os cravos pregados em Suas mãos e Seus pés. Agora, não me perguntem como isso aconteceu, porque eu não sei. Ninguém sabe. Tudo o que sabemos é que, de alguma forma, Ele tomou sobre Si aquela penalidade extrema. Tomou sobre Si nossas transgressões e pagou o preço, pagou-o com Seu tormento.

Imaginem o Salvador carregando o fardo combinado de todas as pessoas — que tormento! — de alguma forma que, confesso, sou incapaz de compreender, mas simplesmente aceito; e isso O fez sofrer uma dor tão torturante que, comparada a ela, a dor dos cravos em Suas mãos e Seus pés foi muito menor. Em agonia, clamou ao Pai: “Se é possível, passa de mim este cálice!” mas o cálice não podia ser passado (ver Mateus 26:42; Marcos 14:36; Lucas 22:42). Deixe-me ler para vocês só uma ou duas coisas do que o Senhor disse a esse respeito:

“Pois eis que eu, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam;

Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri;

Sofrimento que fez com que eu, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito—e desejasse não ter de beber a amarga taça e recuar—

Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens” (D&C 19:16–19).

Lendo isso, sinto-me humilde. Seu amor à humanidade, ao mundo, era tamanho que Se dispôs a suportar um fardo que nenhum mortal poderia suportar e a pagar um preço terrível, que ninguém jamais poderia pagar, só para que nós não precisássemos sofrer.11

“Nosso Salvador Jesus Cristo é a figura central desse plano grandioso de progresso e salvação.”

O Filho de Deus [disse]: “Eu descerei e pagarei o preço. Serei o Redentor e redimirei o homem da transgressão de Adão. Tomarei sobre Mim os pecados do mundo e redimirei ou salvarei toda alma que se arrepender de seus próprios pecados”.12

Só para ilustrar: um homem andando pela estrada cai em um buraco tão fundo e escuro que não lhe é possível subir e voltar à liberdade. Como ele poderia sair dessa situação? Nenhum esforço seu adiantaria, pois ele não tem meio algum de escapar do buraco. Então pede socorro, e uma alma caridosa, ouvindo seus gritos, corre em seu auxílio e, baixando uma escada, dá-lhe meios para voltar novamente à superfície. Essa foi a exata situação em que Adão colocou a si mesmo, bem como sua posteridade quando comeu do fruto proibido. Com todos juntos no buraco, ninguém teria meios de voltar à superfície e salvar os demais. O buraco é o afastamento da presença de Deus; e a morte física, a dissolução do corpo. E, como todos estão sujeitos à morte, ninguém poderia fornecer uma forma de escape.13

Então surge o Salvador, que não estava sujeito a cair naquele buraco, e baixou uma escada, desceu ao fundo e tornou possível que nós usássemos a escada para sair dali.14

Em Sua infinita misericórdia, o Pai ouviu o clamor de Seus filhos e mandou Seu Filho Unigênito, que não estava sujeito à morte nem ao pecado, para dar-lhes um meio de escape. Isso Ele fez por meio de uma Expiação infinita e do evangelho eterno.15

Nosso coração deveria ficar repleto de gratidão [ao Salvador] por Sua imensa e terna misericórdia a ponto de transbordar de amor e obediência [a Ele]. Considerando-se o que Ele fez, jamais deveríamos decepcioná-Lo. Ele nos comprou por bom preço, preço pago com Seu grande sofrimento e o derramamento de Seu sangue em sacrifício na cruz.16

4

Quando nos firmamos no alicerce da Expiação de Jesus Cristo, conquistamos nossa própria salvação durante a mortalidade.

Nosso Salvador Jesus Cristo é a figura central desse plano grandioso de progresso e salvação.17

No plano de salvação, para alicerçar-nos na Expiação, precisamos do seguinte:

Primeiro, temos que ter fé no Senhor Jesus Cristo; temos que aceitá-Lo como sendo o Filho de Deus; temos que confiar Nele, confiar em Sua palavra e ter o desejo de obter as bênçãos advindas da obediência a Suas leis.

Segundo, temos que nos arrepender de nossos pecados; temos que deixar o mundo; temos que decidir-nos de coração, sem reservas, viver em retidão e virtude.

Terceiro, temos que ser batizados com água, por alguém com autoridade para ministrar essa ordenança, com poder para selar na Terra e selar no céu; por meio dessa sagrada ordenança, temos que fazer o convênio de servir ao Senhor e guardar Seus mandamentos.

Quarto, temos que receber o dom do Espírito Santo; temos que nascer de novo; nossa alma tem que ser purgada do pecado e da iniquidade como que por fogo; temos que nos tornar novas criaturas pelo poder do Espírito Santo.

Quinto, temos que perseverar até o fim; temos que guardar os mandamentos depois do batismo; temos que nos esforçar para alcançar nossa salvação com temor e tremor perante o Senhor; temos que viver de forma a desenvolver atributos divinos e transformar-nos no tipo de pessoa que poderá desfrutar a glória e as maravilhas do reino celestial.18

Agora testifico que essas leis, às quais o homem tem de obedecer para obter a salvação e que constituem o evangelho de Jesus Cristo, foram reveladas em nossos dias a profetas e apóstolos e agora são administradas por Sua Igreja, que Ele estabeleceu sobre a Terra mais uma vez.19

Todos nós, aqui neste mundo mortal, estamos num período probatório. Fomos mandados para cá, primeiro, para obter um tabernáculo (corpo) para nosso espírito eterno; segundo, para ser provados, para passar por tribulações e também ter a grande alegria e felicidade obtida por meio do convênio sagrado da obediência aos princípios eternos do evangelho. A mortalidade, como Leí ensinou aos filhos, é um “estado de provação” (2 Néfi 2:21). É aqui que somos provados para ver se, fora da presença de nosso Pai Eterno, mas ainda com o conhecimento do caminho da vida eterna, haveremos de amá-Lo, reverenciá-Lo e ser fiéis a Seu Filho Amado, Jesus Cristo.20

Viemos aqui para ser provados por meio do contato com o mal, assim como com o bem. (…) O Pai permitiu que Satanás e suas hostes tentassem-nos, mas, por meio da orientação do Espírito do Senhor e dos mandamentos dados por revelação, estamos preparados para fazer nossa escolha. Se praticarmos o mal, foi-nos prometido que seremos punidos; se praticarmos o bem, receberemos a recompensa eterna da retidão.21

Esse período probatório mortal [é] breve, [é] apenas um curto espaço de tempo ligando a eternidade passada à eternidade futura. Contudo, [é] um período de extrema importância. (…) Esta vida é o período mais crucial de nossa existência eterna.22

5

Todos receberão a bênção da ressurreição, graças à Expiação de Jesus Cristo.

Viemos a este mundo para morrer. Já sabíamos disso antes de vir para cá. A morte faz parte do plano, e tudo foi devidamente discutido e planejado muito antes de o homem ser colocado na Terra. (…) Estávamos prontos e dispostos a fazer a jornada em que deixaríamos a presença de Deus, no mundo espiritual, para vir ao mundo mortal, onde enfrentaríamos tudo o que concerne a esta vida, suas alegrias e seus pesares, e morreríamos; e a morte é tão essencial quanto o nascimento.23

A morte física, ou morte do homem mortal, não é uma separação permanente entre o espírito e o tabernáculo de carne, não obstante o fato de que o corpo retorna aos elementos de que foi criado; essa separação é apenas temporária e terá fim no dia da ressurreição, quando o corpo sairá do pó, vivificado pelo espírito, para viver novamente. Essa bênção é concedida a todos, graças à Expiação de Cristo, tenham sido eles bons ou maus na mortalidade. Paulo disse que haveria uma ressurreição tanto dos justos como dos injustos (Atos 24:15) e que o Salvador disse que todos os que estivessem no túmulo ouviriam Sua voz e sairiam “os que fizeram o bem (…) para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5:29).24

Cada parte fundamental de todo corpo será restaurada a seu devido lugar na ressurreição, não importa o que seja feito do corpo após a morte. Se foi queimado por fogo ou comido por tubarões, não importa. Cada parte fundamental do corpo será restaurada a seu devido lugar.25

O espírito não pode aperfeiçoar-se sem um corpo de carne e ossos. Esse corpo e seu espírito recebem a imortalidade e as bênçãos da salvação por meio da ressurreição. Após a ressurreição, não se pode mais separá-los, o corpo e o espírito ficam inseparavelmente ligados para que o homem receba a plenitude da alegria. Não existe outra maneira de os espíritos tornarem-se semelhantes a nosso Pai eterno, senão pelo nascimento nesta vida e pela ressurreição.26

6

Os fiéis herdarão, juntamente com a família, a vida eterna na presença do Pai Celestial.

Há quem herde riquezas conquistadas pelo trabalho de seus antepassados. Há quem, por herança, no mundo obtenha tronos, poder e posição elevada entre seus semelhantes. Há quem busque obter a herança do conhecimento e renome do mundo por meio do próprio esforço, trabalho e de perseverança; mas existe uma herança mais valiosa que tudo, é a herança da exaltação eterna.

As escrituras dizem que a vida eterna — que é o tipo de vida que nosso Pai Eterno e Seu Filho, Jesus Cristo, têm — é o maior de todos os dons de Deus (ver D&C 14:7). Essa vida só será concedida àqueles que se purificarem de todo o pecado. Foi prometida aos que “vencem pela fé e são selados pelo Santo Espírito da promessa que o Pai derrama sobre todos os que são justos e fiéis. Estes são os que são a igreja do Primogênito. Estes são aqueles em cujas mãos o Pai colocou todas as coisas” (D&C 76:53–55; ver também o versículo 52).27

Esse plano de salvação centraliza-se na família (…) [e] foi preparado para possibilitar que formemos nossa própria família eterna.28

Os que recebem a exaltação no reino celestial terão a “continuação das sementes para todo o sempre”. Viverão dentro do vínculo familiar.29

O evangelho de Jesus Cristo nos ensina que a família, no que diz respeito à exaltação celestial, será uma organização completa — uma organização em que o pai, a mãe e os filhos de uma geração estarão ligados ao pai, à mãe e aos filhos da próxima geração, em uma progressão crescente até o final dos tempos.30

Essas bênçãos gloriosas de herança eterna (…) só se concretizarão pela disposição em guardar os mandamentos e até sofrer com Cristo, se necessário. Em outras palavras, os que anseiam pela vida eterna — o maior dos dons de Deus — precisam estar dispostos a sacrificar tudo o que têm, caso seja necessário, pois, mesmo que tivessem que dar a própria vida pela causa [de Cristo], não conseguiriam pagar as inúmeras bênçãos recebidas e prometidas pela obediência a Suas leis e Seus mandamentos.31

Quando sairmos do mundo e recebermos o evangelho em sua plenitude, tornar-nos-emos candidatos à glória celestial; ou melhor, seremos mais do que candidatos se formos fiéis, pois o Senhor garantiu-nos que, se formos fiéis, entraremos no reino celestial. (…)

Vivamos de forma a assegurar nosso lugar, de forma a saber, pela forma que vivemos, que entraremos em Sua presença e habitaremos com Ele, que receberemos a plenitude das bênçãos prometidas. Quem dentre os membros da Igreja se contentaria com qualquer coisa aquém da plenitude da salvação que nos foi prometida? (…) É preciso que nós, humildemente e em espírito de arrependimento, sigamos avante, que continuemos a guardar os mandamentos até o fim, pois nossa esperança e nossa meta é a vida eterna, que é a vida na presença do Pai e do Filho. “E a vida eterna é esta”, disse o Senhor “que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3).32

Estou agora no que eu chamaria de crepúsculo da vida. Sei que num futuro não muito distante serei chamado a prestar contas do que me foi confiado na mortalidade. (…)

Tenho certeza de que todos nós amamos ao Senhor. Sei que Ele vive e anseio pelo dia em que verei Seu rosto, e espero ouvir Sua voz dizer-me: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mateus 25:34).

Oro que esse seja o feliz quinhão para todos nós, quando o momento chegar.33

Sugestões para Estudo e Ensino

Perguntas

  • Leia o trecho do diário incluído na seção “Da Vida de Joseph Fielding Smith” e pense em algum momento em que encontrou consolo em seu testemunho do plano de salvação. Como você poderia ajudar um membro de sua família ou um amigo a receber esse mesmo consolo?

  • Como os ensinamentos do Presidente Smith sobre o conselho realizado no céu nos ajudam nos momentos de provação? (Ver seção 1.)

  • O Presidente Smith ensinou que “não devemos nos esquecer do fato de que ela [a Queda de Adão e Eva] também trouxe bênçãos” (seção 2). Em sua opinião, por que é importante lembrar-se dessa verdade? Quais são algumas bênçãos que você recebeu devido à Queda?

  • Na seção 3, que relação existe entre nossa vida e o exemplo que o Presidente Smith utilizou de um homem que cai em um buraco? Reflita sobre como o Salvador o resgatou por meio da Expiação.

  • O que as palavras do Presidente Smith, contidas na seção 4, indicam sobre o propósito de nossa vida na Terra? O que o Senhor nos deu para ajudar-nos a passar com segurança por este período probatório?

  • Como você poderia ajudar alguém a compreender a declaração do Presidente Smith contida na seção 5, de que a “morte é tão essencial quanto o nascimento”? Como a doutrina da ressurreição influenciou sua vida?

  • No que as riquezas do mundo diferem da “herança eterna” que podemos receber por meio do plano de salvação? (Ver seção 6.) Como a compreensão dessas diferenças pode nos ajudar a preparar-nos para a vida eterna?

Escrituras Relacionadas

Jó 38:4–7; 2 Néfi 2:15–29; 9:5–27; Alma 12:20–35; D&C 19:16–19; Moisés 5:10–12

Auxílio Didático

“Para ajudar-nos a ensinar a partir das escrituras e das palavras dos profetas modernos, a Igreja produziu manuais de lições e outros materiais. Não há muita necessidade de utilizarmos outras obras com comentários ou outros materiais de referencia” (Ensino, Não Há Maior Chamado: Um Guia de Recursos para o Ensino do Evangelho, 2009, p. 52).

Exibir Referências

    Notas

  1.   1.

    Joseph Fielding Smith Jr. e John J. Stewart, The Life of Joseph Fielding Smith, 1972, pp. 117–118.

  2.   2.

    “To the Saints in Great Britain” [Para os Santos da Grã-Bretanha], Ensign, setembro de 1971, p. 2.

  3.   3.

    “Pres. Smith Tells of Parents’ Duty”, Church News, 3 de abril de 1971, p. 10.

  4.   4.

    Discurso proferido no Instituto de Religião de Logan, Utah, em 10 de janeiro de 1971, p. 3, manuscrito inédito.

  5.   5.

    “Is Man Immortal?”, Improvement Era, fevereiro de 1916, p. 318; ver também Doutrinas de Salvação, comp. por Bruce R. McConkie, 3 vols., 1954–1956, vol. I, pp. 64–65 [tradução atualizada].

  6.   6.

    Elijah the Prophet and His Mission and Salvation Universal, 1957, pp. 65–66.

  7.   7.

    Conference Report, outubro de 1966, p. 59.

  8.   8.

    “Principles of the Gospel: The Infinite Atonement—Redemption, Salvation, Exaltation”, Deseret News, seção de notícias da Igreja, 22 de abril de 1939, p. 3; ver também Doutrinas de Salvação, vol. II, p. 125 [tradução atualizada].

  9.   9.

    “The Atonement”, Deseret News, seção de notícias da Igreja, 2 de março de 1935, p. 7; ver também Doutrinas de Salvação, vol. I, p. 133 [tradução atualizada].

  10.   10.

    Elijah the Prophet and His Mission and Salvation Universal, pp. 79–80.

  11.   11.

    Seek Ye Earnestly, Joseph Fielding Smith Jr. (comp.), 1970, pp. 118–120.

  12.   12.

    “Principles of the Gospel: The Infinite Atonement—Redemption, Salvation, Exaltation”, p. 5; ver também Doutrinas de Salvação, vol. I, p. 134 [tradução atualizada].

  13.   13.

    Elijah the Prophet and His Mission and Salvation Universal, pp. 80–81.

  14.   14.

    “Principles of the Gospel: The Infinite Atonement—Redemption, Salvation, Exaltation”, p. 5; ver também Doutrinas de Salvação, vol. I, p. 134 [tradução atualizada].

  15.   15.

    Elijah the Prophet and His Mission and Salvation Universal, p. 81.

  16.   16.

    “Purpose and Value of Mortal Probation”, Deseret News, seção de notícias da Igreja, 12 de junho de 1949, p. 21; ver também Doutrinas de Salvação, vol. I, p. 143 [tradução atualizada].

  17.   17.

    Discurso proferido no Instituto de Religião de Logan, Utah, em 10 de janeiro de 1971, p. 3, manuscrito inédito.

  18.   18.

    “The Plan of Salvation” [O Plano de Salvação], Ensign, novembro de 1971, p. 5.

  19.   19.

    “I Know That My Redeemer Liveth” [Eu Sei Que Meu Redentou Vive], Ensign, dezembro de 1971, p. 26.

  20.   20.

    Conference Report, abril de 1965, p. 11.

  21.   21.

    Conference Report, abril de 1964, pp. 107–108.

  22.   22.

    “Purpose and Value of Mortal Probation”, p. 21; ver também Doutrinas de Salvação, vol. I, p. 76 [tradução atualizada].

  23.   23.

    “Services for Miss Nell Sumsion”, Utah Genealogical and Historical Magazine, janeiro de 1938, pp. 10–11.

  24.   24.

    “What Is Spiritual Death?”, Improvement Era, janeiro de 1918, pp. 191–192; ver também Doutrinas de Salvação, vol. II, pp. 215–216 [tradução atualizada].

  25.   25.

    Answers to Gospel Questions, Joseph Fielding Smith Jr. (comp.), 5 vols., 1957–1966, vol. 5, p. 103; grifo removido.

  26.   26.

    “The Law of Chastity”, Improvement Era, setembro de 1931, p. 643; ver também Doutrinas de Salvação, vol. II, pp. 85–86 [tradução atualizada].

  27.   27.

    O Caminho da Perfeição, 1931, pp. 20–21 [tradução atualizada].

  28.   28.

    Sealing Power and Salvation, Brigham Young University Speeches of the Year, 12 de janeiro de 1971, p. 2.

  29.   29.

    Epistolário, citado em Doutrinas de Salvação, vol. II, pp. 284–285; grifo removido.

  30.   30.

    Conference Report, abril de 1942, p. 26; ver também Doutrinas de Salvação, vol. II, p. 174 [tradução atualizada].

  31.   31.

    O Caminho da Perfeição, 1931, p. 22 [tradução atualizada].

  32.   32.

    Conference Report, abril de 1922, pp. 61–62.

  33.   33.

    “Let the Spirit of Oneness Prevail” [Deixe o Espírito de Unidade Prevalecer], Ensign, dezembro de 1971, p. 136.