Capítulo 31 : Obediência à Lei do Dízimo

"Capítulo 31 : Obediência à Lei do Dízimo," Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph F. Smith, (1998)


Da Vida de Joseph F. Smith

No final da década de 1880, a Igreja tinha uma dívida enorme de mais de um milhão de dólares. Esse encargo financeiro preocupava muito Joseph F. Smith. Na conferência geral de outubro de 1899, ele disse:“Recebemos muitas instruções valiosas a respeito de nossos deveres como santos dos últimos dias, não apenas com respeito à lei do dízimo, mas também em relação a outras coisas, que são tão importantes quanto a lei do dízimo em suas devidas esferas de ação. Não existe, contudo, nada que tenha maior importância para o bem-estar da Igreja no momento do que o respeito por essa lei, por meio da qual haverá mantimentos no armazém do Senhor para atender às necessidades das pessoas”. 1

Certa tarde, sete anos depois, o Presidente Smith voltou de seu trabalho para casa e encontrou sua filha Raquel no corredor da frente da Beehive House.

“Onde está sua mãe”? perguntou ele.

“Não sei”.

“Onde ela poderia estar?” “Não sei.”

“Quando ela vai voltar?”

“Não sei, Papa, não sei de nada. Acabei de chegar da escola.”

“Bem, querida”, disse ele,“eu queria que sua mãe fosse a primeira a saber, mas como você não sabe de nada eu vou contarlhe”. Ele tinha nas mãos uma folha de papel.

“Está vendo este papel?”

“Sim, senhor.”

“Isso significa que a Igreja está finalmente livre de dívidas.” Ele sorriu.“Agora você sabe de algo muito importante!” 2

Ensinamentos de Joseph F. Smith

A obediência à lei do dízimo expressa nossa lealdade ao reino de Deus.

Deus exige que um décimo de nossas rendas sejam colocadas em Seu armazém; e essa é uma lei permanente para todas as estacas de Sião. 3

Por meio desse princípio (o dízimo), a lealdade do povo desta Igreja será provada. Por meio desse princípio se saberá quem é pelo reino de Deus e quem é contra ele. Por meio desse princípio será manifestado quais corações estão dispostos a fazer a vontade de Deus e guardar Seus mandamentos, santificando a terra de Sião a Deus, e quais se opõem a esse princípio e privam a si mesmos das bênçãos de Sião. Existe muita importância nesse princípio, pois por meio dele se fará saber se somos fiéis ou infiéis. Nesse aspecto ele é tão essencial como a fé em Deus, como o arrependimento dos pecados, como o batismo para a remissão do pecado ou como a imposição de mãos para o dom do Espírito Santo. 4

A lei do dízimo é um teste por meio do qual as pessoas serão colocadas à prova individualmente.Todo homem que deixar de cumprir esse princípio será conhecido como alguém que não se importa com o bem-estar de Sião, que negligencia seu dever como membro da Igreja e que nada faz para que seja alcançado o progresso material do reino de Deus. Ele tampouco contribui para a divulgação do evangelho às nações da Terra e negligencia aquilo que o tornaria merecedor de receber as bênçãos e ordenanças do evangelho. 5

O cumprimento da lei do dízimo é voluntário. Eu posso pagar meu dízimo ou não, como decidir. É uma questão de escolha para mim, se irei fazê-lo ou não; mas sentindo-me como me sinto, sendo leal à Igreja, leal a seus interesses, crendo ser direito e justo cumprir a lei do dízimo, eu o pago — pelo mesmo princípio que creio ser certo para mim cumprir a lei do arrependimento e do batismo para a remissão dos pecados. 6

Aqueles que não pagaram seu dízimo no passado e portanto estão em dívida com o Senhor, mas não têm condições de quitála, o Senhor não mais exigirá isso de vocês, mas perdoará o passado se cumprirmos essa lei honestamente no futuro. Isso é algo generoso e bondoso, pelo qual me sinto grato. 7

Já dissemos, e repito hoje aqui, que o homem ou mulher que pagar sempre seu dízimo jamais apostatará. Não faz diferença quão grande ou pequeno ele seja, é uma lei do Senhor; é uma fonte de rendimentos para a Igreja; é uma exigência de Deus, e Ele disse que aqueles que não a cumprem não são dignos de uma herança em Sião. Ninguém apostatará enquanto pagar seu dízimo. Isso tem lógica. Por quê? Porque enquanto ele tiver fé para pagar seu dízimo, terá fé na Igreja e nos princípios do evangelho, e existirá algo de bom nele, existirá alguma luz nele. Enquanto ele o fizer, o tentador não poderá derrotá-lo nem desviá-lo do caminho. 8

O dízimo é a lei do Senhor para fonte de rendas da Igreja e para bênção dos santos.

A lei do dízimo é a lei de rendimentos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Sem ela, seria impossível levar adiante os propósitos do Senhor. 9

O Senhor (…) deu a lei do dízimo para que haja mantimentos no armazém do Senhor para cumprir os propósitos que Ele tinha em vista; para a reunião dos pobres, para a divulgação do evangelho às nações da Terra, para a manutenção daqueles de quem é exigido dar atenção constante, dia após dia, ao trabalho do Senhor, e para quem é necessário oferecer algum sustento. Sem essa lei essas coisas não poderiam ser feitas.Tampouco poderiam ser construídos e mantidos os templos, nem os pobres poderiam ser alimentados e vestidos. Portanto, a lei do dízimo é necessária para a Igreja, a ponto de o Senhor ter dado muita ênfase nela. 10

[O dízimo] está sendo usado para manter as ordenanças da casa de Deus nos (…) templos. Milhares e milhares de dólares de dízimo estão sendo usados na educação da juventude de Sião e na manutenção das escolas da Igreja. Milhares de dólares estão sendo gastos para alimentar e vestir os pobres, e cuidar daqueles que são dependentes da Igreja. Eles procuram sua “mãe” pedindo auxílio e socorro, e é justo e adequado que a Igreja cuide de seus próprios pobres, indigentes, fracos e desamparados, na medida do possível. 11

O Senhor revelou como esses meios [o dízimo] devem ser cuidados e administrados; a saber, pela Presidência da Igreja e pelo Sumo Conselho da Igreja (isto é, os Doze Apóstolos) e pelo Bispado Presidente da Igreja. Creio haver sabedoria nisso. Não é deixado a um único homem a responsabilidade de distribuí-lo ou de cuidar dele, de modo algum. Essa responsabilidade recai sobre os ombros de pelo menos dezoito homens, homens com sabedoria, fé e capacidade como esses dezoito homens realmente têm. Cabe a eles distribuir os dízimos do povo e usá-los para qualquer propósito que em seu juízo e sabedoria terá melhores resultados para a Igreja; (…) o dinheiro do dízimo é utilizado por esses homens, a quem o Senhor designou dando-lhes autoridade para fazê-lo, para as necessidades e benefício da Igreja. 12

O Senhor (…) exige, em especial dos homens que estão na liderança da Igreja e que são responsáveis pela orientação e direção do povo de Deus, que eles cuidem para que essa lei de Deus [o dízimo] seja cumprida. É nosso dever fazê-lo. (…) É obrigação dos líderes da Igreja dizer algo a respeito desse princípio, não apenas para que as pessoas cumpram seu dever em relação a essa lei, mas para que haja algo no armazém do Senhor para atender às necessidades das pessoas; pois as necessidades da Igreja são necessidades do povo. Os membros da Igreja formam a Igreja e, portanto, toda dívida que a Igreja tiver recai individualmente sobre cada membro da Igreja, de modo proporcional a seus recursos. O Senhor exige que cuidemos para que Sua lei seja cumprida pelo povo. 13 Quero dizer a meus irmãos e irmãs aqui presentes nesta manhã, que em minha opinião nunca houve uma época em que os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias estivessem vivendo de modo melhor, mais fiel e diligente do que hoje.Temos várias maneiras de avaliar o que acabei de dizer. Uma forma muito precisa de saber isso é o fato de a lei do dízimo estar sendo cumprida. (…) Essa é uma boa indicação de que os santos dos últimos dias estão cumprindo seu dever, de que têm fé no evangelho, de que estão dispostos a cumprir os mandamentos de Deus e que estão-se esforçando para vivê-la de modo mais perfeito do que talvez jamais tenha acontecido.

Quero dizer-lhes outra coisa, e dou-lhes parabéns por isso: Digo-lhes que pela bênção do Senhor e pela fidelidade dos santos no pagamento do dízimo, conseguimos terminar de pagar nossas dívidas. Hoje, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não deve um dólar sequer que não possa ser imediatamente pago. Finalmente estamos em condições de pagar imediatamente todas as nossas despesas. Não precisamos mais fazer empréstimos e não teremos que fazê-lo, se os santos dos últimos dias continuarem a viver sua religião e a cumprir essa lei do dízimo. Essa é a lei de rendimentos da Igreja.

Além disso, quero dizer-lhes, que talvez não consigamos de imediato, mas espero ver o dia em que não precisaremos pedirlhes um dólar sequer de doação para motivo algum, a não ser o que voluntariamente quiserem doar, porque teremos dízimos suficientes no armazém do Senhor para pagar todas as coisas necessárias para o progresso do reino de Deus. (…) Essa é a verdadeira norma, o verdadeiro propósito do Senhor na administração dos negócios de Sua Igreja. 14

A coisa princípal a respeito do pagamento do dízimo é a obediência à lei.

Sem dúvida muita coisa poderia ser lida nas escrituras em relação a esse princípio do dízimo, que o Senhor nos revelou nesta dispensação e que exige de nós, para que possamos, por meio da obediência a essa lei, santificar esta terra para que ela realmente se torne a terra de Sião para nós; e a promessa é que se obedecermos às leis de Deus, se depositarmos nossa confiança Nele, se nos achegarmos a Ele, Ele Se achegará a nós, Ele nos recompensará com Seu favor e Suas bênçãos. Ele repreenderá o devorador e fará com que a Terra seja frutífera e dê de sua força ao que lavra a terra, ao que planta e ao que cuida de rebanhos. Ele aumentará seu gado e o fará prosperar à direita e à esquerda, e terá em abundância, porque depositou sua confiança em Deus; Ele se achega a Deus e está disposto a prová-Lo, para ver se não abrirá as janelas do céu e derramar bênção tal que não haja lugar para contê-la. [Ver Malaquias 3:10.] Que todo homem que recebeu o evangelho de Jesus Cristo aceite essa declaração e atenda a essas palavras de todo o coração. Alguns podem tratá-las com leviandade, mas os que o fizerem sem dúvida não se achegarão ao Senhor e não O colocarão à prova; não cumpriram os mandamentos que Ele lhes deu e nunca saberão que Deus diz a verdade e que Ele é capaz de cumprir Sua palavra e promessa a Seu povo, quando estão dispostos a obedecer a Sua lei e cumpri-la. (…)

(…) Conheci um irmão, não preciso dizer seu nome, pois ele é um dos milhares que podem prestar esse mesmo testemunho, não apenas com palavras, mas com provas de frugalidade, prosperidade e progresso a seu redor em meio ao deserto. Nesta estação, ele teve uma colheita farta, sua fazenda produziu abundantemente, enquanto as fazendas de muitos de seus vizinhos estavam cobertas de ervas daninhas e suas colheitas foram apenas metade ou um terço da sua. Como explicar isso? Explico isso pelo fato de que Deus o abençoou; e ele também, pois é um homem inteligente, um homem que não apenas trabalha sábia e prudentemente, mas com temor a Deus e com o desejo no coração de obedecer a Suas leis. (…) Ele paga seu dízimo, ele lembra-se de suas ofertas, ele é obediente às leis de Deus e não tem receio de prestar testemunho a seus amigos e vizinhos de que por causa de sua obediência Deus o abençoou e o fez prosperar até que se tornasse o que é hoje. Ele não é o único; existem outros que prosperaram da mesma forma. E testifico que foi porque Deus o abençoou que suas terras e seus labores tiveram prosperidade e garantiram as bênçãos pelas quais ele se esforçou e trabalhou. Ele agiu com boa fé perante o Senhor; o Senhor conhecia seu coração e o abençoou devidamente. 15

Portanto, chego à conclusão de que a coisa principal a respeito do pagamento do dízimo é a obediência à lei,e que recebemos mais benefícios por causa dessa obediência do que qualquer outra pessoa. Podemos ganhar dezenas de milhares e pagar um dízimo honesto de nossas rendas, de modo que nosso dízimo seja bastante alto; mas os benefícios que recebemos por sermos obedientes à lei de Deus serão muito maiores no final do que o bem que nossas posses possa fazer pelos pobres. É mais abençoado o que dá do que aquele que recebe.

O problema é que quando o homem se torna rico, imediatamente começa a se sentir pobre demais para ser obediente às leis de Deus. As riquezas tornam o homem pobre em seu modo de lidar com o Todo-Poderoso. O homem pobre é capaz de pagar com facilidade seu dízimo e contribuir com o pouco que tem para ajudar os necessitados, mas quando se torna milionário ou coisa parecida, seu coração começa a se tornar mais egoísta. O resultado é que ele se priva da oportunidade de receber manifestações maiores da bondade e misericórdia de Deus do que ele poderia receber por meio do bem que poderia fazer de bom com suas grandes posses.

O que o Todo-Poderoso exige é a obediência. Foi obediência que Ele exigiu de Abraão. Estou-me referindo à obediência a Deus e não ao homem; e desafio qualquer homem a provar que a obediência a Deus, mesmo no pagamento do dízimo, não seja melhor que a desobediência: Melhor para o próprio homem e melhor para todas as pessoas em geral. Se um homem é obediente à lei do dízimo, ele se torna pessoalmente digno das bênçãos de Deus e, de sua parte, existem mantimentos no armazém do Senhor para alimentar os pobres, para proclamar o evangelho no exterior, para construir templos e para cumprir Seus propósitos; mas se ele não for obediente a essa lei, então não existe nada ali, e ele se priva das bênçãos que o Senhor poderia lhe conceder. 16

Sugestões para Estudo

  • O que é a lei do dízimo do Senhor? (Ver também D&C 119:3–4.) Que princípios do evangelho colocamos em prática quando pagamos nosso dízimo? Por que a obediência à lei é a “coisa principal” em relação ao pagamento do dízimo?

  • O que os membros da Igreja podem fazer se não pagaram o dízimo no passado e desejam agora cumprir esse mandamento? Quais são algumas das razões pelas quais as pessoas se atrasam no pagamento de seu dízimo? De que modo as riquezas podem tornar o coração “egoísta”?

  • Quais são alguns dos propósitos para os quais é utilizado o dinheiro do dízimo? Como o dízimo ajuda a atender às necessidades materiais e espirituais dos membros da Igreja e de outras pessoas?

  • Quem determina como será distribuído o dinheiro do dízimo? (Ver também D&C 120.)

  • De que modo o pagamento do dízimo pode ser ensinado no seio da família?

  • Que bênçãos o Senhor promete aos que pagarem seu dízimo? (Ver também Malaquias 3:10–12.) Quando e como vocês foram abençoados pela obediência à lei do dízimo?

Exibir Referências

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    1. Conference Report, outubro de 1899, p. 39.

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    2. Citado em Amelia Smith McConkie, “Grandpapa Joseph F. Smith” (Vovô Joseph F. Smith), Ensign, setembro de 1993, p. 15.

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    3.  Deseret News: Semi-Weekly, 3 de maio de 1881, p. 1.

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    4.  Gospel Doctrine, 5ª ed. (1939), p. 225.

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    5.  Gospel Doctrine, p. 226.

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    6.  Gospel Doctrine, pp. 232–233.

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    7.  Gospel Doctrine, p. 99.

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    8. “Discourse by President Joseph F. Smith” (Discurso do Presidente Joseph F. Smith), Millennial Star, 25 de outubro de 1906, p. 674.

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    9.  Gospel Doctrine, p. 226.

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    10.  Gospel Doctrine, p. 225.

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    11.  Gospel Doctrine, p. 232.

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    12.  Gospel Doctrine, p. 233.

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    13. Conference Report, outubro de 1899, p. 41.

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    14. Conference Report, abril de 1907, p. 7; parágrafos acrescentados.

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    15.  Gospel Doctrine, pp. 226–228.

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    16. Conference Report, abril de 1899, p. 69; parágrafos acrescentados.