Capítulo 24: Reflexões sobre a Missão de Jesus Cristo

Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Lorenzo Snow, 2011


“Todos dependemos de Jesus Cristo, de Sua vinda ao mundo para abrir o caminho pelo qual podemos conseguir paz, felicidade e exaltação.”

Da Vida de Lorenzo Snow

Em outubro de 1872, o Presidente Brigham Young encarregou seu Primeiro Conselheiro, o Presidente George A. Smith, de visitar partes da Europa e do Oriente Médio. Em carta ao Presidente Smith, o Presidente Young e seu Segundo Conselheiro, o Presidente Daniel H. Wells, disseram: “Queremos que você observe atentamente as aberturas que agora existam, ou onde poderíamos criar uma abertura, para levar o evangelho aos vários países que você visitará”. A viagem terminaria na Terra Santa, onde o Presidente Smith “dedicaria e consagraria aquela terra ao Senhor”. Os presidentes Young e Wells escreveram: “Oramos para que você seja preservado e viaje em paz e segurança, que você seja grandemente abençoado com palavras sábias e livre expressão em todas as suas conversas relativas ao santo evangelho, de modo a dissipar os preconceitos e semear a retidão entre o povo”.1 O Presidente Smith levou consigo um pequeno grupo de membros da Igreja, que incluía o Élder Lorenzo Snow, então membro do Quórum dos Doze Apóstolos. Eliza R. Snow, irmã do Élder Snow, que na época era a presidente geral da Sociedade de Socorro, também estava no grupo.

Ao longo dessas viagens, o Élder Snow com frequência escrevia cartas em que descrevia a geografia, os prédios, os costumes e a situação dos povos que via. Mas quando ele e os companheiros visitaram os lugares da Terra Santa, o tom de suas cartas mudou. Seus pensamentos voltaram-se para o Filho de Deus que, séculos antes, tantas vezes estivera naqueles mesmos lugares. Por exemplo, ele escreveu sobre esta experiência ocorrida em fevereiro de 1873, quando o grupo se aproximava de Jerusalém.

“Mais uma hora de viagem (…) e chegaremos a Jerusalém. Prosseguimos e finalmente subimos uma colina de onde vimos a ‘Cidade Santa’: Jerusalém. Ao longe, à direita, fica o Monte Sião, a cidade de Davi. À nossa esquerda, fica um monte elevado, de aparência estéril: é o Monte das Oliveiras, que foi o refúgio predileto de nosso Salvador, o último local pisado por Seus santos pés antes de sua ascensão à presença do Pai. Esses locais históricos interessantes, com tudo o que evocam de sagrado, inspiram-nos pensamentos e reflexões profundos e solenes. Sim, Jerusalém! Onde Jesus viveu e ensinou, e onde foi crucificado; onde clamou ‘Está consumado’, inclinou a cabeça e morreu! Solenes e compenetrados, prosseguimos nosso caminho colina abaixo, (…) até chegar à cidade”.2

Depois de ir ao Rio Jordão, o Élder Snow escreveu: “Quando bebemos de suas águas doces e refrescantes e lavamo-nos nesse rio sagrado, nossos pensamentos voltaram-se para nossa infância, quando costumávamos ler as Escrituras Sagradas que descreviam os importantes acontecimentos transcorridos neste lugar: a passagem dos israelitas, em que o leito do rio secou quando os sacerdotes que levavam aos ombros a arca sagrada colocaram o pé na corrente do rio; a ocasião em que Elias dividiu as águas e atravessou o leito seco do rio e foi levado ao céu num redemoinho, quando estava na planície do outro lado; e Eliseu, ao voltar, tomou a capa de Elias, que caíra, e com elas feriu as águas e disse: ‘Onde está o Senhor Deus de Elias?’ e assim, dividiu o Jordão pela terceira vez. Mas outro acontecimento muito mais importante ocorreu ligado a esse lugar, o batismo de nosso Salvador, do qual se faz menção nestas palavras: ‘apareceu João o Batista pregando no deserto da Judeia (…). Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele’ [ver Mateus 3]; e nós estávamos praticamente no mesmo ponto em que todos esses eventos memoráveis ocorreram, de pé à margem do rio, olhando o vale e banhando-nos no mesmo rio que fora a testemunha muda desses acontecimentos sublimes”.3 [Ver sugestão 1 da página 286.]

Ensinamentos de Lorenzo Snow

Jesus Cristo veio ao mundo fazer a vontade do Pai e abrir o caminho para a nossa paz, felicidade e exaltação.

Este evangelho foi colocado no mundo em diversas épocas. Os profetas o conheciam. Eles entendiam clara e distintamente que Jesus era o Cordeiro que foi morto desde antes da fundação do mundo [ver Apocalipse 13:8; Moisés 7:47] e que, no devido tempo, Ele Se manifestaria aos filhos dos homens, que Ele morreria por seus pecados e seria crucificado para completar o plano de salvação.4

Quando Jesus estava na manjedoura, como um bebê indefeso, Ele não sabia que era o Filho de Deus e que anteriormente criara a Terra. Quando o decreto de Herodes foi emitido, Jesus disso nada sabia, Ele não era capaz de salvar a Si mesmo, e [José e Maria] tiveram que levá-Lo [em fuga] para o Egito para protegê-Lo dos efeitos do decreto. (…) Ele cresceu até a maturidade e, nesse processo, foi-Lhe revelado quem Ele era e porque viera ao mundo. Foram-Lhe revelados a glória e o poder que tinha antes de vir ao mundo.5

Jesus, ao peregrinar pela Terra para cumprir Sua missão, disse ao povo que não realizava milagre entre eles por Seu próprio poder, nem por Sua própria sabedoria, mas que estava ali para fazer a vontade de Seu Pai. Ele não veio para buscar a glória e a honra dos homens, mas para buscar a honra e a glória do Pai que O enviara. Ele disse:“Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis” [João 5:43].

Bem, o que era peculiar em Sua missão, e o que a distinguia de outras missões era isto: Ele não veio para buscar a glória e a honra dos homens, mas para buscar a honra e a glória de Seu Pai e para realizar a obra do Pai que O enviara. Nisso reside o segredo de Seu sucesso; e nisso reside o segredo do sucesso de todo indivíduo que segue esse mesmo princípio.6

Jesus Cristo, o Filho de Deus, certa vez foi colocado em uma situação que exigiu que Se esforçasse ao máximo para fazer o necessário para a salvação de milhões de filhos de Deus. O Filho de Deus precisou de todo Seu esforço e Sua determinação para conseguir passar pela prova e fazer o sacrifício necessário.7

Jesus, o Filho de Deus, foi enviado ao mundo para possibilitar que nós recebêssemos essas bênçãos extraordinárias. Ele teve que fazer um grande sacrifício. Ele precisou reunir toda a Sua força e toda a Sua fé para fazer aquilo que o Pai pedia Dele. (…) Ele não falhou, ainda que Sua provação fosse tão severa que Ele tenha suado grandes gotas de sangue. (…) O que Ele sentiu deve ter sido inexprimível. Ele mesmo nos diz, como vocês encontrarão na seção 19 do livro de Doutrina e Convênios, que Seu sofrimento foi tão grande que fez com que mesmo Ele “tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito — e desejasse não ter de beber a amarga taça e recuar”. Mas, no coração, Ele dizia continuamente: “Pai, não se faça a minha vontade, mas a Tua” [Ver D&C 19:15–19].8

Todos dependemos de Jesus Cristo, de Sua vinda ao mundo para abrir o caminho pelo qual podemos conseguir paz, felicidade e exaltação. Se Ele não tivesse feito todo esse esforço, nunca nos teriam sido assegurados essas bênçãos e esses privilégios, que nos são garantidos pelo evangelho, por intermédio de Jesus Cristo, pois Ele fez o sacrifício necessário.

(…) Apesar de Ele ter-Se sacrificado e preparado o plano para a redenção das pessoas, a menos que as pessoas se empenhem em alcançar essa união com Ele, sua salvação não acontecerá.9

Compreendemos plenamente que, assim como Jesus Cristo habitou aqui em um corpo e que assim como Ele recebeu aquele mesmo corpo, no qual agora habita glorificado, nós também temos o direito a essa mesma bênção, a essa mesma exaltação e a essa mesma glória.10 [Ver sugestões 2 e 3 das páginas 286–287.]

Jesus Cristo esteve na Terra nos dias atuais e revelou verdades celestiais para a nossa salvação.

Esse Ser que mora no Céu, que ali reinava antes que o mundo existisse, que criou a Terra e que, no meridiano dos tempos, veio aperfeiçoar e salvar Sua criação, apareceu ao homem nesta época.11

Testificamos a todo o mundo o que sabemos por revelação divina, sim, por manifestações do Espírito Santo: que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, e que Ele revelou-Se a Joseph Smith de forma tão tangível como ao mostrar-se aos apóstolos da Antiguidade após levantar-se do túmulo, e que a ele revelou [as] únicas verdades celestiais pelas quais a humanidade pode ser salva.12

Dois homens que estavam no Templo de Kirtland viram-No. (…) O Filho de Deus apareceu a eles, Aquele que fora morto pelos judeus, e eles disseram: “Retirou-se o véu de nossa mente e abriram-se os olhos de nosso entendimento. Vimos o Senhor de pé no parapeito do púlpito, diante de nós”. (…) Sob seus pés havia um calçamento de ouro puro. Seu semblante resplandecia mais do que o brilho do Sol; Sua voz era como o ruído de muitas águas. Era a voz de Jeová, que dizia: “Eu sou o primeiro e o último; sou o que vive, sou o que foi morto; eu sou vosso advogado junto ao Pai. Eis que perdoados vos são vossos pecados; estais limpos diante de mim; portanto erguei a cabeça e regozijai-vos. Construístes esta casa ao meu nome. Aceitarei esta casa e derramarei Meu Espírito àqueles que guardarem meus mandamentos e não admitirei que esta casa seja profanada” [ver D&C 110:1–8]. Isso disse a voz do mesmo indivíduo a quem os judeus rejeitaram, e Ele foi visto ali. Agora sei que essas coisas são verdadeiras, assim como Deus é verdadeiro. Mas as nações da Terra não sabem disso, que Jesus, o Filho de Deus, veio e mostrou-Se aos homens e revestiu-os de autoridade para pregar o evangelho e prometer o Espírito Santo a todos os que acreditarem, obedecerem a esses princípios e receberem o conhecimento de que esses princípios são verdadeiros.13 [Ver sugestão 4 da página 287.]

O Salvador voltará e devemos preparar-nos para Sua vinda.

Temos um testemunho de Cristo, que Ele virá à Terra para nela reinar.14

Jesus logo virá e aparecerá entre nós como apareceu nos dias em que esteve na Terra entre os judeus. Ele comerá, beberá e conversará conosco e nos explicará os mistérios do Reino e nos dirá coisas que agora não são lícitas mencionar.15

A pessoa que está no vagão de um trem em movimento, contanto que permaneça sentada em seu lugar, o trem a levará para onde ela deseja ir; mas sair do vagão seria perigoso e pode bem se passar muito tempo antes que outro trem apareça. O mesmo acontece conosco: se vivemos retamente e fazemos nosso trabalho, avançamos, e se guardamos nossos convênios, fazemos a obra de Deus e realizamos Seus propósitos estaremos preparados para quando Jesus, o Filho de Deus, voltar em honra e glória, para conferir a todos os que se provarem fiéis todas as bênçãos que aguardaram e mil outras bênçãos.

(…) Digo aos santos dos últimos dias: Se algum de vocês estiver sonolento, que leia as palavras ditas na Terra pelo Salvador quanto às dez virgens, das quais cinco foram sábias e levaram azeite para as lâmpadas, e quando chegou o noivo somente a metade [das dez] estava preparada para recebê-Lo [ver Mateus 25:1–13; D&C 45:56–59]. Que isso não aconteça conosco, santos dos últimos dias. Tentemos ser fiéis aos convênios eternos que fizemos e a Deus. Que Deus abençoe os santos dos últimos dias e derrame Seu Espírito sobre nós. Que sejamos fiéis a nosso Deus, fiéis a nossa família, e que nossa conduta seja prudente em todas as coisas, que trabalhemos pelos interesses do reino de Deus e que não estejamos entre as virgens loucas, mas sejamos dignos de ser contados entre os que serão coroados reis e rainhas para reinar por toda a eternidade.16 [Ver sugestões 5 e 6 da página ao lado.]

Sugestões para Estudo e Ensino

Leve em consideração estas sugestões ao estudar o capítulo ou preparar-se para ensinar. Para auxílios adicionais, ver páginas V–VII.

  1. 1.

    Pondere sobre o que o Presidente Snow contou de suas experiências na Terra Santa (páginas 279–281). Em sua opinião, por que os pensamentos e as reflexões do Presidente Snow tornaram-se “profundos e solenes” ali? Como podemos desenvolver sentimentos como esses em relação ao Salvador, mesmo sem ir à Terra Santa?

  2. 2.

    Estude a seção que se inicia na página 282 pensando no que Jesus Cristo fez por você. Medite sobre o desejo do Salvador de “buscar a honra e a glória do Pai” e pense no que você precisa fazer para obedecer à vontade de Deus.

  3. 3.

    Na página 282, o Presidente Snow fala do “segredo do sucesso”. Como esse segredo funciona para nós?

  4. 4.

    Releia a seção que se inicia na página 285. Como seu testemunho de Jesus Cristo influencia sua vida? Pense em diferentes maneiras de fazer nossa parte para prestar o testemunho de Jesus Cristo ao mundo. Por exemplo, o que podemos fazer para prestar testemunho à nossa família? E às pessoas às quais servimos como mestres familiares ou professoras visitantes? E a nossos vizinhos? E às pessoas que encontramos no dia a dia?

  5. 5.

    Como podemos preparar-nos para a Segunda Vinda de Jesus Cristo? (Ver alguns exemplos nas páginas 285–286.) Como podemos ajudar outros a se preparar?

  6. 6.

    Como os ensinamentos do Presidente Snow influenciaram o seu testemunho de Jesus Cristo? Procure formas de prestar seu testemunho a seus familiares e a outras pessoas.

Escrituras correlatas: Lucas 12:31–48; II Coríntios 8:9; 2 Néfi 2:7–8; 25:23, 26; Alma 7:11–13; D&C 35:2; Joseph Smith—História 1:17

Auxílio didático: “Peça aos alunos que escolham uma seção de interesse deles e que a leiam silenciosamente. Peça-lhes que se reúnam em grupos de duas ou três pessoas que escolheram a mesma seção e discutam o que aprenderam” (da página VII deste livro).

“Testificamos a todo o mundo o que sabemos por revelação divina, sim, por manifestações do Espírito Santo: que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo.”

No final de 1872 e no início de 1873, o Élder Lorenzo Snow e outras pessoas foram à Terra Santa.

O Presidente Snow incentivou os santos a seguirem o exemplo das cinco virgens sábias da parábola das dez virgens contada pelo Salvador.

Exibir Referências

    Notas

  1.   1.

    Carta de Brigham Young e Daniel H. Wells a George A. Smith, Correspondence of Palestine Tourists, 1875, pp. 1–2.

  2.   2.

    Correspondence of Palestine Tourists, p. 205.

  3.   3.

    Correspondence of Palestine Tourists, pp. 236–237.

  4.   4.

    Deseret News, 24 de janeiro de 1872, p. 597.

  5.   5.

    Conference Report, abril de 1901, p. 3.

  6.   6.

    Deseret News, 8 de dezembro de 1869, p. 517.

  7.   7.

    Conference Report, outubro de 1900, p. 2.

  8.   8.

    Millennial Star, 24 de agosto de 1899, p. 531.

  9.   9.

    Deseret News, 11 de março de 1857, p. 3; na fonte original, a página 3 está incorretamente marcada como página 419.

  10.   10.

    Deseret News, 22 de novembro de 1882, p. 690.

  11.   11.

    Journal History, 5 de abril de 1884, p. 9.

  12.   12.

    Deseret News: Semi-Weekly, 23 de janeiro de 1877, p. 1.

  13.   13.

    Millennial Star, 18 de abril de 1887, p. 245.

  14.   14.

    Deseret News, 11 de abril de 1888, p. 200; de uma paráfrase detalhada de um discurso feito por Lorenzo Snow na conferência geral de abril de 1888.

  15.   15.

    Conference Report, abril de 1898, pp. 13–14.

  16.   16.

    Millennial Star, 18 de abril de 1887, pp. 244–246.