Capítulo 6: Aperfeiçoar-se aos Olhos do Senhor: “Um Pouco Melhores a Cada Dia”

Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Lorenzo Snow, 2011


“Não esperem tornarem-se perfeitos de repente. Se é isso o que esperam, ficarão decepcionados. Sejam um pouco melhores hoje do que foram ontem, e sejam melhores amanhã do que foram hoje.”

Da Vida de Lorenzo Snow

O Presidente Lorenzo Snow certa vez participou de uma reunião em que um representante de cada quórum de élderes levantou-se e fez um relato do trabalho realizado por seu quórum. Enquanto ouvia esses rapazes, lembrou-se de si mesmo, muitos anos antes. Quando se levantou para falar, disse:

“Se possível, quero dizer algo que nunca esquecerão, e acho que eu talvez consiga.

Vejo certa relutância em falar a um grupo, como quase sempre vejo quando jovens élderes estão juntos, e até mesmo quando élderes de meia-idade estão juntos. Vejo isto nesta manhã em que os rapazes ficaram de pé para falar e informar-nos do trabalho que têm realizado.

Talvez seja um bom momento para eu contar-lhes o que me aconteceu quando comecei a falar em público, mesmo antes de ser élder. Lembro-me da primeira vez que fui chamado a prestar meu testemunho. (…) Esse era um momento que eu temia e, ao mesmo tempo, achava que tinha a obrigação de levantar-me, mas esperei e esperei. Uma pessoa prestou o testemunho, depois outra e outra. O tempo para os testemunhos já estava acabando, mas eu ainda temia a hora de levantar-me para falar. Eu nunca tinha falado em público antes. (…) [Finalmente], concluí que chegara a minha vez. Levantei-me e falei. Então, quanto tempo acham que falei? Acho que foi mais ou menos meio minuto. Não pode ter sido mais do que um minuto. Isso foi em minha primeira tentativa; a vez seguinte foi quase igual. Eu estava acanhado, (…) mas tomei a decisão sólida e firme de que sempre que eu fosse chamado a um dever, fosse dessa mesma natureza ou de qualquer outra, eu o cumpriria fosse qual fosse o resultado. Isso é uma parte do alicerce do meu sucesso como élder de Israel”.

O Presidente Snow disse aos rapazes que, pouco depois daquela experiência, ele realizou sua primeira reunião como missionário de tempo integral. “Nunca tive tanto medo de algo na vida quanto daquela reunião”, disse ele. “Eu orei o dia inteiro, isolei-me e invoquei o Senhor. Eu nunca falara [em público] antes, exceto pelas reuniões de testemunho. Eu estava muito apreensivo. Acho que ninguém já teve tanto medo de uma situação quanto eu tive naquela ocasião. A reunião começou e a sala estava bem cheia. (…) Comecei a falar e acho que falei uns quarenta e cinco minutos.”1 Em outro relato dessa mesma reunião, ele escreveu: “Quando fiquei de pé diante da congregação, apesar de não fazer ideia do que iria dizer, assim que abri a boca para falar, o Espírito Santo recaiu intensamente sobre mim, encheu-me a mente de luz e inspirou-me com as ideias e a melhor forma de expressá-las. Os presentes ficaram admirados e pediram que se realizasse outra reunião”.2

O Presidente Snow disse o que queria que os rapazes aprendessem com essa experiência: “Meus jovens amigos, vocês têm a oportunidade de tornarem-se grandes, de ser aquilo que quiserem ser. Enquanto estão no início da vida, talvez coloquem seu coração em coisas muito difíceis de alcançar, mas que, ainda assim, podem estar a seu alcance. Talvez suas primeiras tentativas de alcançar esses desejos sejam infrutíferas e não possam ser chamadas de bem-sucedidas, mas contanto que façam um esforço honesto, contanto que seus desejos sejam retos, a experiência que adquirirão nesse empenho por conquistar o que desejam será, sem dúvida alguma, para o seu benefício e até os seus erros, caso cometam erros, ainda lhes serão úteis.3

Esse era um dos temas preferidos do Presidente Snow. Ele sempre lembrava aos santos o mandamento de ser perfeitos, dado pelo Senhor, e assegurava-lhes que, por meio da diligência e com a ajuda do Senhor, conseguiriam cumprir esse mandamento. Ele ensinou: “Devemos sentir no coração que Deus é nosso Pai e que, apesar de cometermos erros e ainda sermos fracos, se vivermos com a maior perfeição de que somos capazes, estará tudo bem”.4

Ensinamentos de Lorenzo Snow

Com diligência, paciência e com o auxílio divino, podemos obedecer ao mandamento dado pelo Senhor de sermos perfeitos.

“Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito” [Gênesis 17:1].

Quanto a esse tema, repetirei parte das palavras do Salvador no Sermão da Montanha, contidas no último versículo do capítulo 5 de Mateus.

“Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” [Mateus 5:48]. (…)

Aprendemos que o Senhor preparou Abraão e fez-lhe promessas grandiosas e que, para que ele se preparasse para seu cumprimento, foi-lhe imposta uma condição: que ele [Abraão] se tornasse perfeito à vista do Senhor. O Salvador pediu o mesmo de Seus Discípulos, que se tornassem perfeitos assim como Ele e o Pai Celestial. É da minha opinião que esse assunto diz respeito aos santos dos últimos dias, e quero dizer algumas palavras, à guisa de sugestão, para reflexão daqueles a quem isso se refere.

O Senhor Se dispõe a conceder as mais altas bênçãos aos santos dos últimos dias; mas assim como Abraão, precisamos preparar-nos para recebê-las, e, para isso, recebemos do Senhor a mesma lei que foi dada a Abraão. Nós também temos que alcançar o estado de perfeição aos olhos do Senhor; e o Senhor, neste caso como em todos os outros, não impôs condições impossíveis, mas, por outro lado, colocou ao alcance dos santos os meios pelos quais podem atender a Seu santo mandamento. Quando o Senhor pediu isso a Abraão, deu-lhe os meios pelos quais poderia qualificar-se para obedecer à lei e atender plenamente a essa condição. Ele contava com o privilégio de ter o Espírito Santo; sabemos que o evangelho foi pregado a Abraão e, por meio do evangelho, ele conseguiu obter o auxílio divino que lhe possibilitaria compreender as coisas de Deus, que de outra forma não se podem compreender. Sem esse auxílio divino, ninguém pode chegar a ser perfeito aos olhos do Senhor.

Portanto, no que se refere aos santos dos últimos dias, não lhes seria de forma alguma possível chegar a tal estatura moral e espiritual, a não ser graças ao auxílio e à assistência sobrenaturais [celestiais].Tampouco esperamos que os santos dos últimos dias consigam repentinamente cumprir essa lei em todas as circunstâncias. É preciso tempo, é preciso muita paciência e disciplina mental e emocional para obedecer a esse mandamento. E, ainda que falhemos em nossas primeiras tentativas, não devemos desanimar nem dissuadir os santos dos últimos dias de aplicarem-se com determinação a atender a essa importante condição. Abraão, mesmo tendo a fé necessária para andar segundo essa lei divina aos olhos do Senhor, ainda assim, houve momentos em que sua fé foi duramente provada, mas ele não desanimou, pois teve a determinação necessária para fazer a vontade de Deus.

Talvez achemos que somos incapazes de viver de acordo com a lei perfeita, que o trabalho de aperfeiçoar-nos é difícil demais. Em parte, isso pode ser verdade, mas a verdade é que esse é um mandamento que recebemos do Todo-Poderoso e não podemos ignorá-lo. É nos momentos difíceis que devemos lançar mão do grande privilégio de clamar ao Senhor pedindo forças, entendimento, inteligência e graça para vencer as fraquezas da carne contra as quais estamos constantemente em guerra.5 [Ver sugestões 1 e 2 da página 106.]

Quando atendemos a um mandamento do Senhor, somos perfeitos naquela esfera.

Abraão foi chamado a deixar seus familiares e sua terra natal [ver Abraão 2:1–6]. Se não tivesse feito isso, não teria sido aprovado pelo Senhor. Mas ele atendeu ao chamado e, quando saiu, sem dúvida foi em obediência a essa lei divina da perfeição. Caso não tivesse feito isso, certamente não poderia ter obedecido às ordens do Altíssimo. E, no ato de sair da casa de seu pai, no ato de submeter-se a essa provação, fez aquilo que ditavam a sua própria consciência e o Espírito de Deus, e ninguém teria agido melhor, conquanto, ao seguir esse curso, ele não praticasse nada de mau.

Quando os santos dos últimos dias receberam o evangelho em nações distantes, e quando a voz do Altíssimo pediu que deixassem a terra de seus antepassados, que assim como Abraão, deixassem sua parentela, no que se refere ao cumprimento desse mandamento, no que se refere à obediência a essa lei, eram perfeitos no que se refere àquela situação e a sua esfera de ação. Isso não quer dizer que fossem perfeitos em conhecimento, poder e assim por diante, mas eram perfeitos em coração, integridade, intenções e em sua determinação. E, durante a travessia do grande abismo, contanto que não murmurassem nem se queixassem, mas obedecessem aos conselhos que lhes foram dados, e em tudo se comportassem como deviam, eram tão perfeitos quanto Deus ordenara que fossem.

O Senhor tenciona elevar-nos ao reino celestial. Ele comunicou-nos por revelação direta que somos Seus filhos, gerados nos mundos eternos, que viemos a esta Terra especificamente para preparar-nos para receber a plenitude da glória de nosso Pai quando voltarmos à Sua presença. Portanto, temos que desenvolver a habilidade de obedecer a essa lei e santificar nossas intenções, inclinações, nossos desejos e sentimentos para que sejamos puros e santos e para que nossa vontade seja em tudo sujeita à vontade de Deus, para que nosso único desejo seja fazer a vontade do Pai. Quem assim é, em sua esfera é perfeito e tem à sua disposição as bênçãos de Deus, em tudo o que faz e por onde for.

Nós, porém, somos suscetíveis à tolice, à fraqueza da carne e somos mais ou menos ignorantes, sendo, portanto, passíveis de errar. Sim, mas isso não é razão para não termos o desejo de cumprir esse mandamento de Deus, principalmente considerando-se que Ele colocou ao nosso alcance os meios de fazê-lo. A meu ver, esse é o significado da perfeição mencionada por nosso Salvador e pelo Senhor a Abraão.

É possível ser perfeito em certas coisas e não em outras. Quem obedece à Palavra de Sabedoria fielmente é perfeito no que toca a essa lei. Quando nos arrependemos de nossos pecados e fomos batizados para sua remissão, estávamos perfeitos no tocante a esse mandamento.6 [Ver sugestão 3 da página 106.]

Em vez de ficarmos desanimados quando falhamos, podemos arrepender-nos e pedir que Deus nos dê forças para agir melhor.

O Apóstolo João nos diz que “somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele [Cristo] é puro” [ver I João 3:2–3]. Os santos dos últimos dias esperam chegar a esse estado de perfeição; esperamos tornar-nos como nosso Pai e Deus, filhos dignos de habitar em Sua presença; esperamos, quando o Filho de Deus aparecer, receber nosso corpo renovado e glorificado e que “o nosso corpo abatido” será transformado “para ser conforme o seu corpo glorioso” [ver Filipenses 3:21].

É isso o que esperamos. Agora, que todos os presentes perguntem a si mesmos: Será que nossas esperanças têm fundamento? Ou seja, será que estamo-nos esforçando para purificar-nos? Como seria possível a um santo dos últimos dias sentir-se justificado, a menos que esteja empenhado em tornar-se puro, da mesma forma que Deus é puro, a menos que se esforce por manter sua consciência limpa de ofensas a Deus e aos homens todos os dias de sua vida? Sem dúvida, muitos vivem dia a dia, semana a semana, mês a mês, com o sentimento de que não estão sob condenação à vista de Deus, portam-se devidamente e buscam sinceramente e com toda humildade que o Espírito de Deus lhes dite como agir diariamente. Contudo, pode haver um momento, ou certos momentos da vida, em que sejamos muito tentados e cedamos à tentação; mesmo que isso aconteça, não há razão para não fazermos nova tentativa de atingirmos nosso objetivo, com empenho e determinação redobrados.7

O Senhor quer ser clemente com Seus filhos na Terra, mas com a condição de que se arrependam sinceramente quando transgredirem ou falharem em cumprir qualquer obrigação. Ele espera que sejam obedientes e que se esforcem por abandonar todo pecado, purificar-se e tornarem-se verdadeiramente Seu povo, Seus santos, para prepararem-se para entrar em Sua presença, tornarem-se como Ele em todas as coisas e reinarem com Ele em Sua glória. Para tal, precisam seguir o caminho estreito e apertado, aperfeiçoarem a própria vida cada vez mais, ser repletos de fé e caridade, que é o puro amor de Cristo, e cumprir fielmente todos os deveres do evangelho.8

Se pudéssemos ler a história detalhada da vida de Abraão, ou da vida de outros homens santos, sem dúvida veríamos que suas tentativas de agir com retidão nem sempre foram coroadas de sucesso. Portanto, não devemos desanimar caso cedamos à tentação em um momento de fraqueza; muito pelo contrário, devemos arrepender-nos imediatamente do erro cometido ou do mal praticado, fazer a restituição da melhor forma possível e, então, voltar-nos a Deus para renovar nossas forças e tornar-nos melhores.

Abraão andou em perfeita retidão diante de Deus dia após dia quando vivia na casa de seu pai, e vemos evidências de que tinha a mente disciplinada e pensamentos elevados ao considerarmos o curso de ação sugerido por ele quando seus pastores se desentenderam com os pastores de seu sobrinho, Ló [ver Gênesis 13:1–9]. Chegou porém um momento na vida de Abraão — que deve ter sido uma ocasião bastante dura; na verdade, é muito difícil conceber situação mais dura — chegou o momento em que o Senhor pediu-lhe que sacrificasse seu filho querido, seu único filho, aquele por meio do qual ele esperava que se cumprisse a grandiosa promessa do Senhor; mas ele demonstrou a devida disposição, e isso possibilitou que sobrepujasse a provação e provasse a Deus sua fé e integridade [ver Gênesis 22:1–14]. Seria muito difícil acreditar que Abraão tivesse herdado essa disposição de seus pais idólatras, mas é lógico acreditar que, com a bênção de Deus, ele conseguiu desenvolvê-la, depois de, tal como nós, passar por uma batalha com a carne e depois de, sem dúvida, ter sido vencido algumas vezes e em outras ter saído vencedor, até ser capaz de suportar tamanha prova.

Disse o Apóstolo Paulo: “(…) Haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” [ver Filipenses 2:5–6]. Portanto, que todo aquele que tem esse objetivo purifique-se assim como Deus é puro e empenhe-se em andar com perfeição diante Dele. Temos nossas pequenas tolices e fraquezas; devemos tentar vencê-las o quanto antes e devemos instilar esse mesmo sentimento no coração de nossos filhos, para que cresçam no temor de Deus desde os mais tenros dias e para que aprendam a agir devidamente à vista de Deus em todas as circunstâncias.

O marido capaz de viver um dia com a mulher sem brigar nem tratar ninguém de forma rude ou sem ofender o Espírito de Deus de forma alguma, vai bem a esse respeito; nesse aspecto, naquele dia, ele é perfeito. Portanto, que ele tente agir da mesma forma no dia seguinte. Mas, suponham que no dia seguinte ele não se saia bem nisso, isso não é razão para que ele não consiga agir bem no terceiro dia. (…)

Os santos dos últimos dias devem cultivar constantemente essa ambição que foi explicada com tanta clareza pelos apóstolos antigos. Devemos tentar viver cada dia de forma a não ter ofensas contra quem quer que seja a pesar em nossa consciência. Deus colocou na Igreja certos meios de ajudar-nos, em outras palavras, os apóstolos, profetas, evangelistas e assim por diante, para “o aperfeiçoamento dos santos” [ver Efésios 4:11–12]. Ele também nos concedeu Seu Santo Espírito que é um guia infalível e que, qual anjo de Deus, fica a nosso lado para dizer-nos o que fazer e dar-nos forças e auxílio quando situações difíceis surgem em nosso caminho. Não nos devemos deixar desanimar quando nos depararmos com nossas próprias fraquezas. É quase impossível encontrar entre todos os exemplos gloriosos dos profetas, sejam antigos ou modernos, ocasião em que tenha sido permitido ao maligno desanimá-los; ao contrário, eles sempre se empenharam em sair vencedores, em conquistar o prêmio e, assim, prepararem-se para a plenitude da glória.9 [Ver sugestão 4 da página 106.]

Com o auxílio divino, podemos viver acima das coisas tolas e vãs do mundo.

Uma vez que nos convençamos que de fato temos em nós a capacidade, por meio do evangelho que recebemos, de vencer nossas paixões e nossos apetites e em tudo submeter nossa vontade à vontade do Pai Celestial, e, em vez de sermos fonte de sentimentos desagradáveis em nosso círculo familiar e entre aqueles com quem temos contato, contribuirmos para a criação de um pedaço do céu na Terra, então, poderemos dizer que já vencemos metade da batalha. Uma das maiores dificuldades que muitos enfrentam é que é muito fácil esquecer qual o maior objetivo da vida, o motivo pelo qual o Pai Celestial mandou-nos para cá, para a mortalidade, bem como o santo chamado que recebemos e, assim, em vez de elevar-nos acima das coisas pequenas e transitórias do mundo temporal, muitas vezes deixamo-nos descer ao nível do mundo, sem valer-nos do auxílio divino que Deus instituiu e que é o único meio de vencermos essas coisas. Não estaremos em melhor situação do que a do restante do mundo caso não cultivemos o desejo de ser perfeitos assim como nosso Pai que está nos céus é perfeito.

Essa foi a exortação que o Salvador fez aos santos da antiguidade, que eram pessoas sujeitas a paixões e tentações semelhantes às nossas, e Ele sabia se eram ou não capazes de seguir tal mandamento; o Senhor nunca exigiu e nunca exigirá de Seus filhos nada que lhes seja impossível. Os élderes de Israel que esperam sair pelo mundo para pregar o evangelho da salvação a uma geração desgarrada e iníqua, entre pessoas cheias de maldade e corrupção, têm ainda maior necessidade de cultivar esse espírito. E não só eles, mas todos, todo rapaz e toda moça desta Igreja, e que seja digno de pertencer a ela, deve cultivar o desejo de viver de forma a atender a essa condição e, assim, ter boa consciência aos olhos de Deus. É algo de grande beleza ver alguém, jovem ou velho, que tenha esse objetivo; é especialmente agradável ver nossos jovens tomarem o caminho que permite que a luz e inteligência de Deus brilhe em seu semblante, de forma que tenham a devida compreensão da vida e consigam viver acima das coisas tolas e vãs do mundo e dos erros e da iniquidade do homem.10

Os santos dos últimos dias não precisam preocupar-se com as coisas deste mundo. Elas passarão. Devemos colocar nosso coração nas coisas do alto, lutar pela perfeição que existe em Cristo, Jesus, que foi perfeitamente obediente ao Pai em todas as coisas e, assim, obteve a maior exaltação e tornou-Se o modelo para Seus irmãos. Por que haveríamos de inquietar-nos e preocupar-nos com essas coisas temporais quando temos um destino tão glorioso? Se nos apegarmos ao Senhor, guardarmos os Seus mandamentos, imitarmos Suas perfeições e buscarmos as verdades eternas de Seu reino celestial, tudo nos irá bem, triunfaremos, a vitória será nossa no final.11

Em todos os atos que praticarem, e em toda sua conduta, tenham consciência de que esta é sua preparação, que estão se preparando para a continuação de sua vida nas eternidades. Não ajam de acordo com nenhum princípio do qual teriam vergonha no céu ou sob o qual não agiriam ali. Para atingir seus objetivos, não empreguem meio algum que não seria aprovado por uma consciência guiada pela luz celestial. É verdade que os sentimentos e as paixões levam-nos a agir, mas deixem-se governar sempre por princípios puros, honrados, santos e virtuosos.12

Não podemos passar a ser perfeitos de uma só vez, mas podemos aperfeiçoar-nos um pouco a cada dia.

O menino passa de criança a rapaz e de rapaz a homem em um processo de crescimento constante, mas ele não sabe como ou quando esse crescimento acontece. Ele não percebe que está crescendo, mas observando as leis de saúde e sendo prudente no que faz, ele um dia chega à idade adulta. O mesmo se dá conosco, com os santos dos últimos dias. Nós nos desenvolvemos e crescemos. Não o percebemos naquele momento, mas, depois de mais ou menos um ano, vemos que estamos, por assim dizer, no alto da montanha, bem próximos do cume. Sentimos que temos fé no Senhor, que Sua providência é sempre para nosso bem, sentimo-nos em comunhão com Ele, que Ele é mesmo nosso Pai, que Ele nos guia na vida.13

Não esperem tornarem-se perfeitos de repente. Se é isso o que esperam, ficarão decepcionados. Sejam um pouco melhores hoje do que foram ontem, e sejam melhores amanhã do que foram hoje. Não permitamos que tentações que, talvez, até certo ponto, nos vençam hoje, nos vençam no mesmo ponto amanhã. Assim, sejam sempre um pouco melhores a cada dia, e não deixem que a vida passe sem que façam o bem ao próximo e a si mesmos.14

Cada dia ou cada semana deveria ser o melhor dia ou semana que já tivemos; ou seja, devemos melhorar um pouco a cada dia, em conhecimento e sabedoria e na capacidade de fazer o bem. Conforme ficamos mais velhos devemos viver mais próximos de Deus a cada dia.15 [Ver sugestão 5 da página 106.]

Sugestões para Estudo e Ensino

Leve em consideração estas sugestões ao estudar o capítulo ou preparar-se para ensinar. Para auxílios adicionais, ver páginas V–VII.

  1. 1.

    O Presidente Snow reconheceu que o mandamento de ser perfeito é motivo de preocupação para alguns santos dos últimos dias (páginas 105–106). Ao estudar este capítulo, procure conselhos capazes de reconfortar quem estiver preocupado com esse mandamento.

  2. 2.

    Na seção que se inicia na página 96, as palavras “auxílio sobrenatural” referem-se ao auxílio do Senhor. De que forma o Senhor nos ajuda a tornarmo-nos perfeitos?

  3. 3.

    Releia, na página 99, o que o Presidente Snow disse a respeito de Abraão e os primeiros pioneiros da Igreja de nossos dias. Em sua opinião, o que significa ser perfeito em nossa “esfera de ação”? Reflita sobre o que você pode fazer para ser mais “perfeito em coração, integridade, intenções e em sua determinação”.

  4. 4.

    O Presidente Snow disse: “Não nos devemos deixar desanimar quando nos depararmos com nossas próprias fraquezas” (página 103). Como podemos colocar-nos acima do desânimo? (Ver alguns exemplos nas páginas 100–103.)

  5. 5.

    Como isso o ajuda a saber que não deve esperar tornar-se perfeito de repente? (Ver a página 105.) Pense em formas específicas pelas quais você pode seguir o conselho do Presidente Snow de “ser um pouco melhor a cada dia”.

  6. 6.

    Procure uma ou duas afirmações neste capítulo que sejam especialmente inspiradoras para você. O que você gosta nessas afirmações?

Escrituras correlatas: 1 Néfi 3:7; 3 Néfi 12:48; Éter 12:27; Morôni 10:32–33; D&C 64:32–34; 67:13; 76:69–70

Auxílio didático: “As pessoas são tocadas quando suas contribuições são reconhecidas. Faça um esforço especial para valorizar os comentários de cada pessoa e, se possível, torná-los parte das discussões da aula” (Ensino, Não Há Maior Chamado, pp. 35–36).

No Sermão da Montanha, o Salvador disse: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:48).

O Senhor ordenou a Abraão: “Anda em minha presença e sê perfeito” (Gênesis 17:1).

Devemos empenhar-nos diariamente em melhorar nosso relacionamento com os membros de nossa família.

Exibir Referências

    Notas

  1.   1.

    “Anniversary Exercises”, Deseret Evening News, 7 de abril de 1899, p. 9.

  2.   2.

    Eliza R. Snow Smith, Biography and Family Record of Lorenzo Snow, 1884, p. 16.

  3.   3.

    “Anniversary Exercises”, p. 9.

  4.   4.

    “Impressive Funeral Services”, Woman’s Exponent, outubro de 1901, p. 36.

  5.   5.

    Deseret News: Semi-Weekly, 3 de junho de 1879, p. 1.

  6.   6.

    Deseret News: Semi-Weekly, 3 de junho de 1879, p. 1.

  7.   7.

    Deseret News: Semi-Weekly, 3 de junho de 1879, p. 1.

  8.   8.

    Deseret News: Semi-Weekly, 4 de outubro de 1898, p. 1.

  9.   9.

    Deseret News: Semi-Weekly, 3 de junho de 1879, p. 1.

  10.   10.

    Deseret News: Semi-Weekly, 3 de junho de 1879, p. 1.

  11.   11.

    Deseret News: Semi-Weekly, 4 de outubro de 1898, p. 1.

  12.   12.

    Millennial Star, 1º de dezembro de 1851, p. 363.

  13.   13.

    Conference Report, abril de 1899, p. 2.

  14.   14.

    Improvement Era, julho de 1901, p. 714.

  15.   15.

    Improvement Era, julho de 1899, p. 709.