Capítulo 9: Os Laços de Família São Sagrados

Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Lorenzo Snow, 2011


“Se formos fiéis, teremos a companhia uns dos outros em um estado imortal e glorioso. (…) Os laços aqui formados, aqueles de caráter mais duradouro, existirão na eternidade.”

Da Vida de Lorenzo Snow

Em preparação para seu aniversário de 70 anos, Lorenzo Snow convidou todos os netos e respectivas famílias a participarem de uma “grande reunião de família e festa de aniversário” em Brigham City, Utah. Ele tomou as providências para o alojamento e alimentação de todos e providenciou atividades interessantes para todos, inclusive para as criancinhas. Ele escreveu: “Quanto mais penso nisso [na reunião de família], mais fico ansioso para que essa reunião aconteça, para que eu os veja a todos mais uma vez em vida e lhes dê minha bênção paterna”. Ele instou seus familiares a não permitir que nada os impedisse de comparecer, “exceto os mais graves e intransponíveis obstáculos”.1

Essa reunião da família Snow foi realizada do dia 7 ao dia 9 de maio de 1884, e houve música, apresentações teatrais, discursos, poesia, brincadeiras, comes e bebes e conversas agradáveis.2 Eliza, irmã do presidente Snow, contou que ao longo do evento ele participou de “várias reuniões com a família e, na qualidade de seu patriarca, (…) concedeu bênçãos a seus membros [e deu] muitos conselhos, ensinamentos e admoestações de pai”. No encerramento da reunião de família, todos juntaram-se para ouvi-lo falar. De acordo com os escritos de Eliza, ele expressou “prazer e gratidão a Deus pela felicidade de ver o semblante agradável e sorridente de sua extensa família e pelas boas coisas que ele esperava que resultariam dessa reunião”. Ao contemplar sua família, o Presidente Snow exclamou: “Meu coração está transbordante da mais calorosa gratidão ao Pai Celestial. (…) Palavras não podem expressar os sentimentos de meu coração diante desta oportunidade sagrada de, na celebração de meus 70 anos, estar aqui e contemplar esse espetáculo glorioso, celestial e inspirador”.

O Presidente Snow prosseguiu: “Esta é a última reunião de família que provavelmente teremos deste lado do véu. Que o Deus de nossos pais nos ajude a cumprir Suas leis, a ter uma vida honrada, a preservar intactas nossa virtude e integridade, a seguir a inspiração do Espírito Santo e a empenhar-nos diligentemente em purificarmo-nos para que nem um único membro desta família se perca por desviar-se do caminho estreito e apertado; e que todos nos provemos dignos de ressurgir na manhã da primeira ressurreição, coroados de glória para perpetuar, na imortalidade, a união desta família e continuar a multiplicar-nos pelas eras sem fim da eternidade”.3 [Ver sugestão 1 da página 136.]

Ensinamentos de Lorenzo Snow

Os laços de família são sagrados e podem-se fortalecer na eternidade.

Incentivem o casamento (…) e gravem no espírito [das outras pessoas] a natureza sagrada desse relacionamento e da obrigação assumida de observar o importante mandamento dado por Deus a nossos primeiros pais de multiplicar-se e encher a Terra [ver Gênesis 1:28]. Isso é ainda mais necessário em vista da presente tendência do mundo em desconsiderar essa lei e desonrar o convênio do matrimônio. É triste ver a frequência dos divórcios por aqui e a crescente inclinação de encararem-se os filhos como um peso em vez de um rico tesouro do Senhor.4

[O Senhor] mostrou-nos que se formos fiéis teremos a companhia uns dos outros num estado imortal e glorioso; que os laços aqui formados, aqueles de caráter mais duradouro, existirão na eternidade.5

Nos mundos eternos, continuaremos a desfrutar dos laços aqui formados. Pai, mãe, irmãs, irmãos… sim, as mães que veem seus queridos expirar a seu lado sabem que eles lhes pertencerão no mundo espiritual e que os terão da mesma forma que os sepultaram. A mulher que vê o marido falecer, que vê sua vida esvair-se, sabe que o terá novamente e encontra conforto, consolo e alegria, graças às revelações do Altíssimo, no conhecimento de que terá o marido de volta nos mundos eternos. Os mesmos tipos de relacionamento que aqui existem existirão além do véu; os laços aqui formados se fortalecerão na vida futura. Os santos dos últimos dias podem ter essa certeza, pois foi Deus que a concedeu.6 [Ver sugestão 2 da página 136.]

Os santos dos últimos dias fiéis que não puderem casar-se ou criar filhos nesta vida receberão todas as bênçãos da exaltação na vida futura.

Uma mulher entrou em meu escritório outro dia e pediu para conversar comigo sobre um assunto particular. Ela informou-me que sentia-se muito mal porque suas oportunidades de casar-se não tinham sido favoráveis. (…) Ela queria saber qual seria sua situação na outra vida, caso não conseguisse casar-se nesta vida. Acho que muitos de nossos jovens se fazem essa pergunta. (…) Quero explicar uma coisa para dar paz e consolo às pessoas nessa situação: Nenhum santo dos últimos dias que morrer, tendo sido fiel, perderá qualquer coisa por não ter cumprido certos mandamentos devido à falta de oportunidade. Em outras palavras, se um rapaz ou uma moça viver fielmente até o dia de sua morte e não tiver a oportunidade de casar-se terá todas as bênçãos, exaltação e glória recebidos por qualquer homem ou mulher que tenha tido essa oportunidade e a tiver aproveitado. Isso é absolutamente garantido. (…)

Às pessoas que não têm oportunidade de casar-se nesta vida, caso morram no Senhor, serão concedidos os meios de receberem todas as bênçãos reservadas aos casados. O Senhor é misericordioso e bom, Ele não é injusto. Não há injustiça Nele; contudo, dificilmente poderíamos considerar justo que uma pessoa, homem ou mulher, morra sem a oportunidade de casar-se, a menos que isso possa ser remediado na outra vida. Isso seria uma injustiça e sabemos que o Senhor não é um Ser injusto. Minha irmã Eliza R. Snow era uma boa mulher, creio que está entre as melhores desta Igreja, e ela permaneceu solteira até já não ter mais condições de ter filhos. (…) Não posso nem por um momento imaginar que ela perderá uma bênção que seja por causa disso. Ela será recompensada na outra vida e seu reino será tão grande quanto se ela tivesse tido a oportunidade de ter filhos nesta vida.7

Quando marido e mulher são unos de coração, incentivam o amor e a bondade no lar.

Não deixem que pequenos desentendimentos sem importância relacionados aos assuntos domésticos envenenem sua felicidade.8

Mulheres, sejam leais a seus maridos. Sei que vocês têm de tolerar muitas coisas desagradáveis e que seus maridos também têm de tolerar algumas coisas. Sem dúvida, às vezes, seu marido coloca sua paciência à prova, talvez devido à falta de conhecimento deles ou, talvez, seja a vocês que falte conhecimento.

(…) Não digo que seus maridos sejam ruins, eles são tão imperfeitos quanto vocês, e é provável que alguns sejam piores que vocês, mas não importa: tentem suportar as coisas desagradáveis que às vezes acontecem e, quando vocês se encontrarem na vida futura, ficarão felizes por terem tolerado essas coisas.

Aos maridos, digo: Muitos de vocês não dão o devido valor à sua mulher. (…) Sejam gentis com ela. Quando ela sair para uma reunião, você deve carregar o bebê pelo menos metade do tempo. Quando for preciso embalar o bebê e você não estiver muito ocupado, embale-o. Sejam bondosos, mesmo que às vezes tenham que fazer algum sacrifício para isso; sejam gentis, seja qual for o sacrifício necessário.9

Os homens devem ser mais paternais em casa, nutrir sentimentos mais ternos por sua mulher e seus filhos, vizinhos e amigos, ser mais bondosos e mais semelhantes a Deus. Quando conheço uma família, agrada-me ver o cabeça da família ministrar a ela como homem de Deus, com bondade e gentileza, cheio do Espírito Santo e com sabedoria e entendimento do céu.10

Caso um dia consigam formar uma união com qualquer família de Sião, caso consigam formar aquela união celestial necessária para viver naquele reino, será preciso que unam essa família, e o cabeça da família precisa ter o espírito do Senhor, a luz e a inteligência que, quando empregadas na vida diária e utilizadas para a orientação dos membros da família, proporcionarão a salvação dessa família, pois ele tem nas mãos essa salvação.

Ele trabalha e une seus sentimentos e suas afeições aos deles o máximo possível, e empenha-se em garantir-lhes todas as coisas necessárias ao conforto e bem-estar, e eles, por sua vez, devem retribuir-lhe esses sentimentos, essa bondade, essa mesma atitude e demonstrar, o quanto puderem, sua gratidão a ele pelas bênçãos que recebem.

Isso é necessário para que haja união de sentimentos e afeto recíproco, para que, dessa forma, sejam unidos.11

Quando [o homem] se ajoelha na presença de sua mulher e filhos, é preciso que seja inspirado pelo dom e poder do Espírito Santo para ser o tipo de homem que possa ser honrado por uma boa mulher e para que o poder de Deus esteja com ele continuamente. Deve haver união na família para que o Espírito Santo esteja sobre eles, e é preciso que vivam de tal forma que a mulher seja santificada pela oração, que ela veja a necessidade de santificar-se aos olhos do marido e dos filhos para que sejam todos unidos, de forma que marido e mulher sejam totalmente unos e qualifiquem-se a ocupar um lugar no estabelecimento e na formação do reino de Deus, para que respirem um espírito puro e seus ensinamentos a seus filhos e netos sejam puros.12 [Ver sugestão 3 da página 136.]

Os filhos aprendem melhor o evangelho quando os pais buscam inspiração e dão um bom exemplo.

A obra em que estamos engajados não é nossa, é a obra de Deus. Nossos atos são guiados por uma inteligência superior. (…) O futuro deste reino depende de nossos filhos; e seu poder e triunfo final dependem de nossos filhos receberem os devidos ensinamentos e educação. Se quisermos ter uma boa influência sobre nossa família, precisamos dar-lhe bons exemplos bem como ensinar-lhe bons preceitos. É preciso que possamos dizer “façam o que eu faço” bem como “façam o que eu digo”.13

Empenhem-se em ensinar seus filhos de tal forma, tanto por exemplo como por preceito, que eles não hesitem em seguir seus passos e tornem-se tão valentes quanto vocês na defesa da verdade.14

O homem que quiser permanecer em boa situação à vista de Deus, quanto ao santo sacerdócio, precisa ter o espírito de profecia e ser qualificado a ministrar a vida e salvação ao povo; e, [ainda que] não seja possível ministrar ao mundo, deve fazê-lo em casa, na família, no trabalho e nas ruas, para que seu coração seja inspirado com palavras de vida, seja no lar, ao pé do fogo ao ensinar o evangelho aos filhos e vizinhos, seja ao dirigir-se a uma congregação deste púlpito. Não adianta ter um pouco do Espírito ao dirigir-se à congregação e, depois, deixá-Lo de lado. Há homens que falam à congregação, depois, vão para casa (…) e ali, em vez de proferirem palavras de vida, tornam-se totalmente secos e mortos, mas isso não pode continuar assim.

Todo pai em Israel tem o dever de acordar e transformar-se em um salvador de homens para que possam andar diante do Senhor com fé tão vigorosa e tal energia e determinação que lhes assegure que o Todo-Poderoso o inspire a ensinar as palavras de vida à sua família. (…)

Nisto veremos a determinação que permitirá que nos tornemos unos, para aprender a amar-nos mutuamente, e oro ao Senhor que Ele coloque esse amor no coração de cada um de nós, assim como o colocou em Seu Filho, Jesus, e que Ele continue a conceder-nos o conhecimento do que é bom.15

É dever do pai ensinar e educar os filhos, e ensinar-lhes princípios de modo que, seguindo seus ensinamentos, eles possam ser tão felizes quanto sua natureza o permita desde a infância e, ao mesmo tempo, aprendam os princípios pelos quais poderão ter a maior alegria e felicidade possíveis quando forem adultos.16

Se formos diligentes em cultivar em nosso íntimo os princípios puros de vida e salvação, nossos filhos crescerão conhecendo essas coisas e terão mais facilidade do que nós em promover a ordem celestial e estabelecer felicidade e paz a seu redor.17 [Ver sugestões 4 e 5 desta página e da página ao lado.]

Sugestões para Estudo e Ensino

Leve em consideração estas sugestões ao estudar o capítulo ou preparar-se para ensinar. Para auxílios adicionais, ver páginas V–VII.

  1. 1.

    Releia o que o Presidente Snow disse sobre o que sentiu ao reunir toda sua família (páginas 129 a 131). Que bons resultados podem advir de reunirmos nossa família? Como podemos ajudar nossa família a permanecer unida?

  2. 2.

    Como o terceiro parágrafo que se inicia na página 131 é relevante hoje? O que podemos fazer para ajudar os jovens da Igreja a compreenderem o caráter sagrado do convênio matrimonial? O que podemos fazer para ajudá-los a ter o desejo de casar-se e ter filhos?

  3. 3.

    O Presidente Snow disse que “pequenos desentendimentos sem importância” podem envenenar nossa felicidade (página 133). Que sugestões específicas poderiam ajudar-nos a evitar esse “veneno”? (Ver alguns exemplos nas páginas 133–136.)

  4. 4.

    Leia a seção que se inicia na página 134. Em sua opinião, por que os pais precisam poder dizer “façam o que eu faço” além de “façam o que eu digo”? Como os pais podem ensinar pelo exemplo? Quais são alguns princípios que você aprendeu graças aos bons exemplos de seus pais?

  5. 5.

    O Presidente Snow expressou preocupação com os pais que ensinam com inspiração na Igreja, mas não em casa (páginas 135–136). Pense no que podem fazer para dizer “palavras de vida” a sua família.

Escrituras correlatas: 1 Néfi 8:10–12; Helamã 5:12; D&C 68:25–28; 93:40–50; 132:19–20

Auxílio didático: “Tenha cuidado para não falar mais do que o necessário ou expressar sua opinião com demasiada frequência. Essas atitudes podem levar os alunos a perderem o interesse. (…) Sua principal preocupação deve ser ajudar as pessoas a aprenderem o evangelho e não fazer uma apresentação de impacto. Parte disso inclui dar aos alunos a oportunidade de ensinar uns aos outros” (Ensino, Não Há Maior Chamado, p. 64).

Os filhos são “um rico tesouro do Senhor”.

Os pais devem empenhar-se em unir a família.

Exibir Referências

    Notas

  1.   1.

    Eliza R. Snow Smith, Biography and Family Record of Lorenzo Snow, 1884, pp. 453–454.

  2.   2.

    Ver Biography and Family Record of Lorenzo Snow, pp. 461–483.

  3.   3.

    Biography and Family Record of Lorenzo Snow, pp. 484–486.

  4.   4.

    “Prest. Snow to Relief Societies”, Deseret Evening News, 9 de julho de 1901, p. 1; esse foi um discurso dirigido às mulheres da Sociedade de Socorro.

  5.   5.

    Deseret News, 11 de abril de 1888, p. 200; de uma paráfrase detalhada de um discurso feito por Lorenzo Snow na conferência geral de abril de 1888.

  6.   6.

    Salt Lake Daily Herald, 11 de outubro de 1887, p. 2.

  7.   7.

    Millennial Star, 31 de agosto de 1899, pp. 547–548.

  8.   8.

    Deseret News, 21 de outubro de 1857, p. 259.

  9.   9.

    “The Grand Destiny of Man”, Deseret Evening News, 20 de julho de 1901, p. 22.

  10.   10.

    Deseret News: Semi-Weekly, 31 de março de 1868, p. 2.

  11.   11.

    Deseret News, 11 de março de 1857, p. 3; na fonte original, a página 3 está incorretamente marcada como página 419.

  12.   12.

    Deseret News, 14 de janeiro de 1857, p. 355.

  13.   13.

    Deseret News, 26 de julho de 1865, p. 338.

  14.   14.

    “Scandinavians at Saltair”, Deseret Evening News, 17 de agosto de 1901, p. 8.

  15.   15.

    Deseret News, 14 de janeiro de 1857, p. 355.

  16.   16.

    Deseret News, 28 de janeiro de 1857, p. 371.

  17.   17.

    Deseret News, 21 de outubro de 1857, p. 259.