Lição 31: Como Tomar Decisões

"Lição 31: Como Tomar Decisões," Desenvolvimento Pessoal e Familiar, ()


O propósito desta lição é ajudar-nos a compreender a importância de tomarmos decisões corretas.

Por que Devemos Aprender a Tomar Decisões

“‘Não dá para ir mais depressa?’ Perguntei ansiosamente, enquanto seguíamos pela estrada de cascalho, em nossa nova camioneta de segunda-mão.

Minha mãe sorriu e respondeu brincando, como se não conhecesse o motivo de minha impaciência: ‘Por que toda essa pressa?’

‘Eu mal posso esperar para comprar aqueles sapatos’, respondi. Eu estava ansiosa porque já fazia um ano que não comprava sapatos novos. (…)

A cidade com a loja grande ficava a sete quilômetros e pareceu-me que estávamos levando a vida inteira para chegar.

Tão logo estacionamos, pulei da camioneta e corri para o loja. O que eu queria, eu já havia visto antes. Lá, na prateleira do meio, um pouco acima dos outros, estava o reluzente par de sandálias vermelhas, apoiadas num suporte prateado. Parei e tomei fôlego, maravilhada com a beleza da cor e a delicadeza das tirinhas. (…)

Minha mãe chegou logo depois, e eu a levei diretamente à prateleira.

‘A senhora me dá este?’ pedi esperançosa. Ela observou as sandálias durante alguns instantes.

‘Não são muito práticas’, disse finalmente. (…)

“Eu vou tomar cuidado’, respondi. ‘Por favor’.

A balconista perguntou qual era o número que eu usava.

‘Estas são um número menor’, disse, ‘e é o único par que temos. No entanto’, emendou ao ver o desapontamento em meu rosto, ‘as sandálias às vezes são um pouco maiores do que os sapatos em geral. Gostaria de experimentar e ver se servem?’

Minha mãe tentou dissuadir-me, dizendo que, mesmo que servissem, meus pés ainda iriam crescer.

As sandálias, fechadas no bico e no calcanhar, estavam apertadas, mas mesmo assim consegui calçá-las sem muito esforço; em seguida, levantei-me e olhei para baixo, maravilhada.

‘Deixe eu ficar com elas, mãe’, pedi, achando, sem dúvida, que haveriam de lassear logo e calçar meus pés mais confortavelmente.

Elas não davam a impressão de serem muito pequenas, mas minha mãe parecia estar certa de que logo não me serviriam mais. (…)

Senti que minhas esperanças eram inúteis. (…) Minha mãe franziu as sobrancelhas e caminhou na direção de um par de sapatos marrons, do tamanho que eu usava.

‘Por que não experimenta estes?’ perguntou. ‘Daí você pode tomar uma decisão’.

Fiquei muito contente! Embora tivesse tomado outras decisões antes, nenhuma delas havia sido tão importante. (…)

Quando calcei um dss sapatos marrons e dei o laço, senti que era muito mais confortável do que a sandália, que estava no meu outro pé. Enquanto tentava decidir, pensei nos pontos bons e maus de cada par. O marrom duraria mais tempo e era mais confortável, mas era tão escuro e sem graça, e além disso, do tipo que eu sempre usara. As sandálias vermelhas eram lindas, e eu queria algo diferente. (…) Não havia dúvida de que apertavam, mas eu podia sofrer um dia ou dois, se fosse necessário. (…) Sim, eu ficaria com as sandálias vermelhas. (…)

Nos próximos dois dias, calcei aquelas lindas sandálias com sacrifício. Então apareceu uma bolha em cada um dos dedões, e o sacrifício se converteu em agonia. (…)

Finalmente, não pude mais suportar. Com lágrimas prontas a saltar dos olhos e as sandálias vermelhas firmemente seguras nas mãos, dirigi-me à minha mãe. Meus lábios tremiam, mas eu estava determinada a não chorar. Fiquei parada durante um minuto, tentando parecer segura e procurando pensar em algo (…) para dizer.

‘Elas machucam meus pés e fazem bolhas’, falei com sinceridade.

Sua resposta me causou tanta surpresa, que tudo o que fiz foi ficar em pé, de boca aberta, sem dizer nada.

‘Nem sempre tomamos a decisão certa’, disse ela, indo até uma gaveta de onde tirou um pacote com os sapatos marrons. Ao entregá-los a mim, acrescentou com ternura: ‘Às vezes é preciso que nos machuquemos um pouco para nos lembrarmos de ser mais cuidadosas na próxima vez que tivermos de tomar uma decisão importante.” (Lena Mae Hansen, “A Pinch of Hurt”, New Era, março de 1977, pp. 49–50)

  • Que lição a menina aprendeu? Como a mãe ajudou a filha a aprender a tomar decisões?

  • Quais decisões você pode ajudar seus filhos a tomar?

Uma parte importante da responsabilidade dos pais é ensinar os filhos a tomar decisões sensatas.

Decisões Sensatas

O Presidente Spencer W. Kimball disse:

“Esperamos que ajudem nossa juventude a compreender (…) que certas decisões precisam ser tomadas uma única vez. (…) Algumas decisões que tomei cedo na vida (…) me foram de grande ajuda, por não ser obrigado a retomá-las seguidamente. Podemos afastar certas coisas de uma vez por todas! Podemos tomar uma só decisão a respeito de certas coisas que incorporaremos em nossa vida, tornando-a nossa, sem ter que remoer e decidir centenas de vezes sobre o que vamos ou não vamos fazer.

O adversário adora viver num clima de indecisão e desânimo, pois é ali que consegue infligir tantas perdas à humanidade. (…) Se não o fizeram ainda, decidam-se a tomar uma decisão!”(Conference Report, abril de 1976, pp. 69–70; Ensign, maio de 1976, p. 46)

  • Por que devemos aprender a tomar decisões de maneira sensata?

Todos os dias precisamos tomar decisões, algumas mais difíceis, outras mais fáceis. Algumas podem não ser de conseqüências eternas, enquanto outras serão de conseqüências que influenciarão eternamente nossa vida.

Temos a oportunidade de tomar decisões, porque nos foi dado o arbítrio ou o direito de escolher (Ver a lição 2, “Arbítrio e Responsabilidade”, neste manual.) Juntamente com esse dom, recebemos a responsabilidade pelas escolhas que fazemos. Portanto, é importante que consideremos as conseqüências de cada decisão que tomamos.

  • Quais são algumas decisões que todas nós precisamos tomar? (Escreva-as no quadro-negro) Quais são algumas possíveis conseqüências dessas decisões? (Relacione as conseqüências no quadro, ao lado da decisão correspondente.)

  • Ler I Reis 18:21. Como a decisão de viver os mandamentos de Deus pode tornar outras decisões mais fáceis?

  • Como a decisão de entrar para a Igreja pode influenciar outras decisões que temos de tomar?

    Quando tomamos certas decisões básicas cedo na vida, não teremos que tomar uma porção de decisões difíceis no futuro. Se, por exemplo, já decidimos viver a Palavra de Sabedoria, não teremos que decidir se aceitaremos um cigarro ou uma bebida alcoólica quando nos forem oferecidos.

  • Quais são algumas decisões que podem facilitar outras?

Muitas decisões tomadas na juventude são de conseqüências eternas. Uma das mais importantes, tomada pelos jovens, diz respeito à pessoa com quem se casarão. Portanto, as decisões sobre namoro são muito importantes.

  • Quais decisões poderiam influenciar a escolha do cônjuge?

  • Por que é importante aprendermos a tomar decisões sensatas e inspiradas?

“Estamos continuamente tomando decisões que determinam o sucesso ou insucesso. Por isso, é importante que olhemos à frente, que estabeleçamos um curso de ação e estejamos pelo menos parcialmente prontos quando chegar o momento de decisão.” (Thomas S. Monson, “Finishers Wanted’, Ensign, julho de 1972, p. 69)

Como Tomar Decisões Sensatas e Inspiradas

Levar as Alternativas em Consideração

“Tomar decisões é, provavelmente, a coisa mais importante que a pessoa faz. Nada acontece, até que alguém tome uma decisão.” [Ezra Taft Benson, God, Family, Country: Our Three Great Loyalties (1974) p. 145] Por essa razão, é importante que aprendamos a tomar decisões corretas. Para isso, devemos aprender a considerar todas as soluções possíveis. Isso inclui reunir os fatos e fazer uma análise dos possíveis resultados de cada escolha.

O Presidente Ezra Taft Benson sugeriu que usemos as seis perguntas abaixo como guia:

  1. 1.

    Poderia retardar ou prejudicar meu progresso espiritual ou moral?

  2. 2.

    Poderia criar lembranças amargas ou inquietantes?

  3. 3.

    É contrária à vontade revelada de Deus ou a Seus mandamentos? (…)

  4. 4.

    Poderia prejudicar algum indivíduo, família ou grupo?

  5. 5.

    Tornar-me-á melhor? (…)

  6. 6.

    Esta ação em particular poderia vir a ser uma bênção?” (Ver D&C 130:20–21.) (God, Family, Country, pp. 151)

  • Como as respostas a estas perguntas podem ajudar-nos a tomar decisões inteligentes?

Depois de examinar as possíveis soluções e suas conseqüências, devemos escolher a solução que achamos ser melhor. Esta é freqüentemente a parte mais difícil. Quando a oração faz parte desse processo, o Pai Celestial pode ajudar-nos a compreender os resultados das diversas escolhas que fazemos e guiar-nos na escolha da melhor alternativa.

  • Peça às irmãs que escolham um problema importante que exija decisão. Escreva-o no quadro-negro e discuta as possíveis soluções e suas conseqüências.

Aconselhar-se com o Senhor

As decisões sábias e inspiradas ocorrem após uma consideração cuidadosa e esforço de nossa parte. Tendo escolhido a melhor alternativa em espírito de oração, devemos aconselhar-nos com o Senhor, antes da decisão final.

  • Ler Jacó 4:10. Como o Pai Celestial pode ajudar-nos a tomar as melhores decisões?

Além de nos aconselharmos com o Senhor, precisamos freqüentemente ouvir nosso marido e filhos, nossos irmãos na Igreja e os amigos. Devemos aconselhar-nos de modo que possamos examinar nossas decisões e ganhar experiência com os outros. Muitas vezes resolvemos problemas, lendo as escrituras e aprendendo com as experiências nelas registradas ou estudando nossa bênção patriarcal.

O Élder Boyd K. Packer sugeriu:

“Quando tiverem um problema, trabalhem com ele primeiro em sua mente. Ponderem-no, analisem-no e meditem nele. Leiam as escrituras. Orem a respeito. Eu aprendi que as decisões mais importantes não podem ser forçadas. Devemos olhar adiante e ter visão. (…)

Ponderem as coisas um pouco a cada dia, e não estejam sempre na crise de tomar as decisões principais impulsivamente.(…)

Vocês se dirigem ao Senhor com o problema e Lhe pedem que decida por vocês? Ou trabalham, lêem as revelações, e meditam e oram e então tomam uma decisão? Meçam seu problema, comparando-o com o que sabem de certo e errado, e aí tomem a atitude. Então, perguntem-Lhe se a decisão é certa ou errada.” (“Autoconfiança”, A Liahona, abril de 1976, pp. 22–23)

  • Ler Doutrina e Convênios 9:7–9. De acordo com essa escritura, que passos devemos seguir ao tomar uma decisão?Ler Doutrina e Convênios 6:22–23. De que outra forma podemos saber se tomamos a decisão correta? De que outras maneiras ainda podemos saber se nossa decisão agrada ao Pai Celestial?

Às vezes, podemos achar que não recebemos uma resposta ou confirmação com respeito às nossas decisões. O Élder Dallin H. Oaks deu a seguinte explicação sobre esse tipo de experiência: “Temos a liberdade de resolver problemas sem os sussurros ou orientação específica do Espírito. Isso faz parte da experiência que devemos ter na mortalidade”. (“Teaching and Learning by the Spirit”, Ensign, março de 1997, p. 14)

Às vezes, mesmo tendo seguido todos os passos necessários, podemos tomar a decisão errada. Contudo, se continuarmos a orar e a nos aconselhar com o Senhor, Ele nos guiará e nos ajudará a entender como corrigir o curso e tomar a melhor decisão. O Élder Loren C. Dunn relatou uma experiência que ilustra esse ponto:

“Lembro-me de quando tive de tomar uma decisão crítica. (…) Uma oferta de trabalho muito importante me foi feita e eu dei todos os passos necessários, (…) tomei uma decisão que então achei ser a melhor, entrei em contato com os interessados e acabei não aceitando a oferta. Nas doze horas seguintes, passei por um verdadeiro ‘inferno’, até compreender que o Senhor procurava dizer-me que eu tomara a decisão errada. O interessante foi que as pessoas cuja proposta eu rejeitara telefonaram-me novamente, e aumentaram a oferta. Eu teria ficado mais do que contente em aceitar o que me haviam proposto em primeiro lugar! Cito esse exemplo para mostrar que, se dermos os passos iniciais e colocarmos o assunto nas mãos do Senhor, e ainda assim tomarmos a decisão errada, acharemos muito difícil levá-la avante. (…) Ele às vezes nos guia de volta na direção que deseja que sigamos”. (Establish Divine Communication, Brigham Young University Speeches of the Year, 24 de março de 1970, p. 4)

  • Que passos no processo de tomada de decisões foram enfatizados na história? Por que é importante que tenhamos a confirmação do Espírito quando tomamos decisões?

O Élder Marion G. Romney, ao falar sobre Doutrina e Convênios 9:7–9, disse: “Esse é o tipo de revelação pela qual podemos orientar-nos. Não precisamos cometer erros sérios. Isso pode ser evitado, seguindo esta fórmula, que nos guiará em nossas atividades, se formos suficientemente sensíveis”. (Conference Report, abril de 1964, p. 125; Improvement Era, junho de 1964, p. 506)

Devemos Ater-nos às Nossas Decisões

Uma vez tomada uma decisão sensata e inspirada, devemos ser firmes no empenho de segui-la. Muitas são as pressões que podem desviar-nos dos objetivos; portanto, ao tomar uma decisão acertada, temos que nos comprometer a levá-la avante. Mesmo que os outros tentem convencer-nos de que nos devemos desviar delas, é preciso permanecer firmes.

Não devemos ser “guiados por Satanás, como a palha pelo vento ou como um barco que, sem velas nem âncoras, ou nada que possa dirigi-lo, se torna joguete das ondas”. (Mórmon 5:18) Devemos dar direção à nossa vida, atendo-nos às decisões tomadas.

O incidente a seguir ilustra como uma jovem passou com sucesso por uma experiência que testou uma decisão tomada anteriormente:

“Catarina (…) teve oportunidade de aceitar um emprego temporário, vendendo ações de um clube de viagens. Parte do trabalho consistia em viajar nos fins-de-semana com os membros do clube pelas Caraíbas. Depois de havê-la entrevistado para um emprego tão emocionante, o entrevistador acrescentou: ‘Só mais uma coisa. Você usa saias muito compridas. Nossos fregueses gostam de vendedoras jovens e bonitas. Encurte a barra de suas saias pelo menos uns doze centímetros’. A jovem não aceitou o emprego, mas ganhou algo de muito mais valor. (…) Ao dizer ‘não’ para tal experiência, ela disse ‘sim’ para uma nova e vasta visão espiritual interior, a de uma mulher que teve força para resistir à tentação”. (Maureen Jensen Ward, “Growing Up Spiritually”, Ensign, dezembro de 1975, p. 55)

  • Como o fato de permanecermos firmes na decisão tomada pode dar uma diretriz à nossa vida? Como podemos fortalecer-nos com isso? Como nossa firmeza pode ajudar-nos nas decisões futuras?

Conclusão

“‘A jornada de milhares de quilômetros se inicia com um passo.’ (Laotse, The Simple Way, nº 64). Isso dá ênfase à contínua necessidade de meditação em todas as coisas, para podermos abordar os problemas com a seriedade e a atenção necessárias. Dá ênfase ao fato de que não há sabedoria nem segurança nas decisões apressadas, teimosas ou imprevidentes. (…) Para conseguirmos maior felicidade e a paz e progresso que Deus, o Pai que nos ama, pode dar-nos, devemos lembrar-nos de que ‘a jornada de milhares de anos, sim, a jornada de toda a eternidade, se inicia com um passo’. E devemos abordar todos os problemas, escolhas e decisões com seriedade e em espírito de oração.” (Richard L. Evans, “With One Step (…)”, Improvement Era, agosto de 1961, p. 604)

Devemos examinar as conseqüências de cada decisão possível, antes de darmos o primeiro passo. Depois de havermos tomado uma decisão sensata e inspirada, devemos comprometer-nos a levá-la avante.

Desafio

Apresente numa noite familiar uma lição sobre tomar decisões, permitindo o debate dos pontos principais delineados nesta lição. Pense nas decisões que toma diariamente e pergunte a si mesma como pode melhorar sua capacidade de tomar decisões sensatas e inspiradas.

Escreva as seis perguntas apresentadas pelo Presidente Benson para avaliação de possíveis decisões. Use essas perguntas, juntamente com Doutrina e Convênios 9:7–9 e 6:22–23, como guia, sempre que tiver de tomar uma decisão importante.

Escrituras Adicionais

  • 2 Néfi 10:23 (livres para agir por nós mesmas)

  • Enos 1:10 (a voz do Senhor veio à mente de Enos)

  • Alma 37:37 (aconselhar-nos com o Senhor em todas as coisas)

  • Doutrina e Convênios 8:2–3 (o Espírito Santo fala à mente e ao coração)

  • Doutrina e Convênios 58:26–28 (não devemos ser compelidos a fazer o bem)

  • Doutrina e Convênios 112:10 (o Senhor guia o humilde)

Preparação da Professora

Antes de apresentar esta lição:

  1. 1.

    Leia Princípios do Evangelho, capítulo 8, “Orar ao Nosso Pai Celestial”, e o capítulo 22, “Os Dons do Espírito”.

  2. 2.

    Se desejar, designe às irmãs a apresentação de histórias, escrituras ou citações da lição.