Perdão

Moças – Manual 1, 1992


Objetivo

Ajudar cada aluna a aprender a importância de perdoar o próximo.

Preparação

  1. 1.

    Providenciar lápis e papel para cada aluna.

  2. 2.

    Preparar um cartaz com a escritura: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”. (Efésios 4:32.)

  3. 3.

    Escreva a declaração do Presidente Spencer W. Kimball, encontrada na segunda seção da lição, em uma folha de papel e entregue-a a uma das alunas, antes da aula, para que a estude e leia durante a aula.

  4. 4.

    Se desejar, designe algumas jovens para apresentarem histórias, escrituras ou citações.

Sugestão para o desenvolvimento da lição

Introdução

Estudos de caso

Dê a cada aluna uma folha de papel e um lápis. Diga-lhes que vai descrever duas situações. Ao término de cada uma, elas deverão escrever o que fariam, se estivessem em situações semelhantes.

Estudo de caso 1

Mariana contou um segredo à sua amiga Ângela, confiando que ela guardaria para si a confidência. Mais tarde, Mariana ouviu Ângela contando seu segredo a outra pessoa. Como isso não bastasse, Ângela havia aumentado a história, com detalhes inventados. Mariana ficou profundamente magoada ao ver que sua amiga não cumprira a palavra. E ficou muito zangada — tão zangada, que pensou em nunca mais falar com Ângela.

Peça a cada aluna que escreva o que faria, se estivesse no lugar de Mariana.

Estudo de caso 2

Antes de começar a aula, Cássia pôs a bolsa no banco da capela e deixou-a lá quando foi para a classe. Ao voltar, a bolsa havia desaparecido. No dia seguinte, Suzana, uma jovem nova na vizinhança, foi à casa de Cássia e confessou ter tirado a bolsa. Devolveu-a, dizendo que sentia muito, e pediu a Cássia que a perdoasse. A resposta foi: “Claro, já está esquecido”. Alguns dias mais tarde, quando Cássia estava conversando com amigas, uma das jovens perguntou se alguém conhecia Suzana.

Conceda tempo para as alunas escreverem o que fariam se estivessem no lugar de Cássia. Peça-lhes que guardem as folhas para referir-se a elas mais tarde.

O Salvador Ensinou o Perdão da Palavra e do Exemplo

Debate com uso de escritura

Explique-lhes que Jesus Cristo ensinou o que se deve fazer em caso de se receber uma ofensa. Peça que ouçam a escritura e observem as instruções dadas por Jesus. Chame uma das jovens para ler Mateus 5:43-44.

• Como devemos tratar aqueles que nos ofendem?

Jesus ensinou que seus seguidores devem perdoar a todos. Devem amar seus inimigos e abençoar os que os amaldiçoam. Explicou que quem não perdoa comete um pecado maior do que o ofensor. Peça a alguém que leia Doutrina e Convênios 64:9-10.

• Quão sério é deixar de perdoar ao próximo?

• A quem devemos perdoar?

Citação

Jesus deu o exemplo supremo de perdão àqueles que ofendem e magoam uma pessoa. Um dos líderes da Igreja explicou: “A história bíblica relata que nunca um homem mortal passou pela humilhação, a dor, o sofrimento experimentados pelo Salvador durante as horas finais de sua vida mortal.

Após várias acusações falsas, ele foi traído por alguém que fazia parte de seu círculo mais íntimo de amigos. Depois, foi submetido a um pretenso julgamento, que emitiu uma sentença ditada pela conveniência política e pelo sentimento bíblico, não pela justiça”.

Faça uma pausa na leitura da citação e pergunte:

• Como se sentiriam, caso fossem traídas por uma amiga?

• Como reagiriam diante de alguém que as acusasse falsamente de um crime?

Diga-lhes que o sofrimento de Jesus não terminou com uma falsa acusação e a traição de um amigo. Continue a ler.

“Depois, em uma sucessão rápida e dolorosa, houve o grande sofrimento em direção ao Calvário, carregando a pesada cruz; a multidão que escarneceu dele e cuspiu nele, durante todo o caminho; houve o oferecimento de vinagre, que culminou nos cravos sendo pregados em suas mãos e pés; finalmente, penduraram-no na cruz, o corpo ferido e sangrando, ainda escarnecido por seus inimigos; e foi em meio a tudo isso que Jesus suplicou, talvez silenciosamente, com profunda reverência: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.’ (Lucas 23:34)” (Robert L. Simpson, Conference Report, outubro de 1966, p.128; ou Improvement Era, dezembro de 1966, p. 1.148.)

Para Obtermos o Perdão de Deus, Devemos Aprender a Perdoar

Citação e debate

Explique-lhes que, quando uma jovem perdoa, permite que o Senhor a perdoe. O Élder Marion D. Hanks perguntou: “Não parece uma desfaçatez suprema pedir e esperar que Deus nos perdoe, quando não perdoamos abertamente e de todo o coração?” (Conference Report, outubro de 1973, p.15; ou Ensign, janeiro de 1974, p. 20.)

• Como se perdoa uma pessoa abertamente e de todo o coração?

• De que maneira o ressentimento, o rancor ou a vontade de nos vingarmos daqueles que nos ofenderam podem ser sobrepujados, para que possamos perdoar verdadeiramente?

• De que maneira a oração pode ajudá-las a aprender a perdoar?

• Como compreender e reconhecer o Salvador pode ajudar-nos a perdoar ao próximo?

Diga que o Pai Celestial explicou, segundo as escrituras, que, quando uma pessoa se arrepende, ele perdoa seus pecados e “deles não mais se lembra” (D&C 58:42).

Quando uma jovem perdoa alguém, deve dizer-lhe abertamente, depois esquecer a ofensa, não a mencionando nunca mais.

Citação

Peça à jovem a quem entregou a citação do Presidente Spencer W. Kimball, que a leia em voz alta.

“Devo perdoar, mesmo que aquele que me ofendeu continue frio, indiferente e mesquinho? É isso mesmo, e não existe qualquer equívoco.

Um erro comum é a idéia de que o ofensor deve primeiro desculpar-se e humilhar-se, antes que possa ser perdoado. Sem dúvida, o culpado deve fazer o acerto necessário, mas, no que se refere ao ofendido, ele tem por obrigação perdoar, independente da atitude do ofensor.” (O Milagre do Perdão, pp. 269-270.)

• Como devem tratar uma pessoa que as ofendeu, se ela não pedir perdão? E se não estiver arrependida?

• Como devem agir em relação a alguém que repetidamente comete a mesma ofensa? (Mateus 18:21-22.)

Cartaz

Mostre o cartaz com a escritura: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”. (Efésios 4:32.)

Estudos de caso e debate Refira-se aos estudos de caso que apresentou no início da aula.

Peça às alunas que meditem sobre as respostas que deram. Se desejarem, poderão efetuar mudanças em seus comentários.

• Se você fosse Mariana, como trataria Ângela na próxima vez que a visse?

• Se Mariana e Cássia houvessem realmente perdoado, o que sentiriam no coração?

• Ao perdoar Suzana, Cássia disse: “Já está esquecido”. (Como Cássia deveria comportarse, se tivesse realmente perdoado Suzana?)

O Perdão Traz Amor e Bênçãos

História e debate

“Foi em uma Igreja de Munique que eu o vi calvo, gordo, usando um casaco cinza, segurando nas mãos um chapéu de feltro marrom. As pessoas, estavam enfileiradas na sala em que eu acabara de falar, e moviam-se em direção à porta dos fundos. Foi em 1947, e eu chegara à Alemanha vencida, vindo da Holanda, com a mensagem de que Deus perdoa.

Era a verdade o que eles mais precisavam ouvir, naquela terra amarga e bombardeada, e eu lhes transmiti minha imagem mental favorita. Talvez porque o mar nunca se afaste da mente de um holandês, gostava de pensar que era ali que os pecados perdoados eram atirados.`Quando confessamos nossos pecados’, disse eu, `Deus os lança no oceano profundo, sepultando-os para sempre…’

Os rostos solenes fitavam-me, sem ousar acreditar. Nunca havia perguntas após um discurso, na Alemanha de 1947. As pessoas levantavam-se em silêncio, em silêncio recolhiam seus agasalhos e em silêncio deixavam a sala.

E foi então que eu o vi, caminhando em direção contrária à dos outros. Num momento vi o casaco e o chapéu marrom; no seguinte, um uniforme azul e um boné com uma caveira e dois ossos cruzados. Tudo voltou-me à mente num instante: o aposento enorme com luzes berrantes; a pilha patética de vestidos e sapatos ao centro, no chão; a vergonha de caminhar nua diante daquele homem. Vi minha irmã com seu corpinho frágil diante de mim, as costelas aparecendo sob a pele fina. Betsie, como você estava magra!

(Betsie e eu tínhamos sido presas por esconder judeus em nossa casa durante a ocupação nazista na Holanda; aquele homem havia trabalhado como guarda no campo de concentração de Ravensbruck, para onde tínhamos sido enviadas.)

Agora ele estava em minha frente, com a mão estendida: `Que bela mensagem, senhorita! Como é bom saber que, como afirmou, todos os nossos pecados estão no fundo do mar!

E eu, que falara com tanta veemência sobre o perdão, mexia em meu bolso, em vez de apertar aquela mão. Ele não se lembrava de mim, naturalmente — como poderia lembrarse de uma prisioneira, entre milhares de mulheres?

Eu, porém, me lembrava dele e do cabo de couro do seu chicote, pendurado ao cinto. Estava face a face com um de meus captores, e meu sangue pareceu gelar.

`Mencionou Ravensbruck em seu discurso’, dizia ele, `Fui guarda lá.’ Não, ele não se lembrava de mim.

`Contudo’, continuou, `tornei-me cristão depois disso. Sei que Deus me perdoou das crueldades que pratiquei lá, mas gostaria de ouvir isso também de seus lábios. Senhorita’, novamente estendeu-me a mão, `pode perdoar-me?’

Fiquei parada —- eu, cujos pecados precisaram ser tantas vezes perdoados —- e não conseguia perdoar. Betsie falecera naquele lugar —- poderia ele apagar sua morte lenta e terrível, simplesmente pedindo perdão?

Ele não deve ter ficado ali mais do que alguns segundos, com a mão estendida, mas pareceram-me horas, enquanto lutava com a coisa mais difícil que já tivera de fazer.

Pois precisava fazê-lo —- eu sabia disso. A mensagem de que Deus perdoa tem uma condição essencial: que perdoemos àqueles que nos ofendem. `Se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celestial não vos perdoará as vossas ofensas’, disse Jesus.

Eu sabia disso, não apenas pelo mandamento de Deus, mas por minha experiência diária. Desde o final da guerra, mantivera uma casa na Holanda para as vítimas da brutalidade nazista. Aquelas que conseguiam perdoar a seus antigos inimigos, também conseguiam voltar ao mundo normal e reconstruir sua vida, fossem quais fossem as cicatrizes físicas. Os que alimentavam seu amargor, permaneciam inválidos. Era uma coisa simples e terrível.

E mesmo assim eu continuava parada, sentindo um frio no coração. O perdão, porém, não é uma emoção — eu também sabia disso. O perdão requer vontade, e a vontade pode funcionar, independente da temperatura do coração.’… Ajuda-me!’ Eu orava em silêncio. `Posso erguer a mão. Posso conseguir isso. O sentimento terá que ser suprido por ti’.

E assim, rígida e mecanicamente, apertei a mão que me fora estendida. E ao fazê-lo, uma coisa incrível aconteceu. A corrente teve início no meu ombro, desceu pelo meu braço, estendeu-se por nossas mãos úmidas. Este calor balsâmico pareceu atingir todo o meu ser, enchendo-me os olhos de lágrimas.

`Eu o perdôo, de todo o coração!’ exclamei.

Por longo momento, nossas mãos permaneceram unidas, o ex-guarda e a ex-prisioneira. Jamais havia sentido o amor de Deus com tanta intensidade.” (Excerto de “I’m Still Learning to Forgive”, de Corrie Ten Boom. Reimpresso com permissão de Guideposts Magazine. Copyright 1972 de Guideposts Associates, Inc., Carmel, New York 10.512.)

Conclusão

Escritura e testemunho

Termine a aula lendo Doutrina e Convênios 64: 8-10 para a classe, ilustrando esses ensinamentos com um exemplo pessoal ou com uma experiência real de outra pessoa.

Preste testemunho da necessidade de viver este princípio, para podermos receber as bênçãos prometidas pelo Senhor.

Escritura

Leia novamente Efésios 4:32, que se encontra no cartaz, e incentive as alunas a serem bondosas e ternas com as pessoas, aprendendo a perdoar e seguindo o exemplo do Salvador.