Os Homens e as Mulheres e o Poder do Sacerdócio
    Notas de rodapé

    Os Homens e as Mulheres e o Poder do Sacerdócio

    Extraído de um discurso proferido em um devocional, em 20 de agosto de 2013, na Universidade Brigham Young. Para o texto integral em inglês, entre no site speeches.byu.edu.

    Jamais esqueçamos que somos os filhos e as filhas de Deus, iguais à vista Dele com diferentes responsabilidades e capacidades que nos foram designadas por Ele, tendo recebido acesso a Seu poder do sacerdócio.

    Fotografias: kasiastock/Shutterstock.com

    Meu avô, o Élder Melvin J. Ballard (1873–1939), membro do Quórum dos Doze Apóstolos, estava no hospital, sofrendo os estágios finais da leucemia em 1939. Meu pai, que estava sentado ao lado do vovô, disse-me que o vovô ergueu o corpo do leito, olhou em volta no quarto do hospital como se estivesse se dirigindo a uma congregação e disse claramente: “E acima de tudo, irmãos, vamos pensar direito”.

    No tocante ao que vou dizer, tenham em mente e pensem direito nas doutrinas básicas de Cristo que incluem o amor que o Pai Celestial tem por Suas filhas, que são preciosas e essenciais para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Creio que há algumas verdades que tanto as mulheres quanto os homens precisam compreender sobre o papel essencial que a mulher tem no fortalecimento e na edificação do reino de Deus na Terra.

    Somos filhos e filhas amados de nosso Pai Celestial. Todos vivíamos com Ele em esferas pré-mortais. Para cumprir a missão de “levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem” (Moisés 1:39), o Pai Celestial elaborou um plano para ajudar Seus filhos a alcançar seu mais elevado potencial.

    Há pessoas que questionam o papel da mulher no plano de Deus e na Igreja. Fui entrevistado por um número suficiente de representantes da mídia nacional e internacional para saber que a maioria dos jornalistas com quem lidei tinha ideias preconcebidas sobre esse assunto. Muitos fizeram perguntas dando a entender que as mulheres são cidadãs de segunda classe na Igreja. Nada poderia estar mais longe da verdade.

    Deixem-me sugerir cinco pontos-chave que devemos ponderar e nos quais devemos pensar direito.

    1. O Pai e o Filho desejam nossa exaltação.

    Nosso Pai Celestial criou tanto as mulheres quanto os homens, que são Seus filhos e Suas filhas espirituais. Isso significa que ambos os sexos, masculino ou feminino, são eternos. Seu plano visa a ajudar todos os que decidirem seguir a Ele e a Seu Filho Jesus Cristo a alcançar seu potencial como herdeiros da vida eterna.

    O Pai Celestial e Seu Filho são perfeitos. São oniscientes e compreendem todas as coisas. Além disso, Sua esperança por nós é perfeita. Ver Seus filhos exaltados é a obra e a glória de Deus.

    Sem dúvida, se nossa exaltação final é Sua meta e Seu propósito essenciais, e se Eles são oniscientes e perfeitos, então compreendem qual é a melhor maneira de preparar-nos, ensinar-nos e guiar-nos para que tenhamos a melhor chance de qualificar-nos para a exaltação. Nosso Pai Celestial conhece tudo, prevê tudo e compreende tudo. Sua compreensão, Sua sabedoria e Seu amor por nós são perfeitos. Sem dúvida temos de concordar que nosso Pai Celestial e Seu Filho sabem quais são as oportunidades necessárias para os filhos e as filhas de Deus para melhor preparar a família humana para a vida eterna.

    Cada um de nós teve o privilégio de decidir se acreditaria que Deus é nosso Pai, que Jesus é o Cristo e que Eles têm um plano que visa a ajudar-nos a retornar à presença Deles. É claro que isso exige fé. Nosso testemunho, nossa paz de consciência e nosso bem-estar começam com a disposição de acreditar que nosso Pai Celestial sabe o que é melhor para nós.

    2. A Igreja é governada por meio das chaves do sacerdócio.

    A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a Igreja do Senhor, e Sua Igreja é governada pela autoridade do sacerdócio e pelas chaves do sacerdócio. “As chaves do sacerdócio são a autoridade que Deus concedeu aos líderes do sacerdócio para dirigir, controlar e governar a utilização de Seu sacerdócio na Terra. O exercício da autoridade do sacerdócio é governado por aqueles que são portadores de suas chaves (ver D&C 65:2; 81:2; 124:123) (…) [e] que têm o direito de presidir e dirigir a Igreja dentro de uma jurisdição específica.”1

    Aqueles que têm as chaves do sacerdócio possibilitam que todos os que servem ou trabalham fielmente sob sua direção exerçam a autoridade do sacerdócio e tenham acesso ao poder do sacerdócio. Todos os homens e mulheres servem na Igreja sob a direção daqueles que têm chaves.2

    Repito algo que foi declarado na conferência geral de abril de 2013: “No grande plano do Pai Celestial que concede o sacerdócio aos homens, estes têm a responsabilidade especial de administrar o sacerdócio, mas não são o sacerdócio. Os homens e as mulheres têm papéis diferentes, porém igualmente valorizados. Assim como uma mulher não pode conceber um filho sem um homem, da mesma forma um homem não pode exercer plenamente o poder do sacerdócio para estabelecer uma família eterna sem uma mulher. (…) Na perspectiva eterna, tanto o poder de procriação quanto o poder do sacerdócio são compartilhados pelo marido e pela mulher”.3

    Por que os homens, e não as mulheres, são ordenados aos ofícios do sacerdócio? O Presidente Gordon B. Hinckley (1910–2008) explicou que foi o Senhor, e não o homem, “que determinou que os homens de Sua Igreja deveriam ter o sacerdócio”, e que também foi o Senhor que concedeu às mulheres “a capacidade de completar esta grande e maravilhosa organização, que é a Igreja e o reino de Deus”.4 O Senhor não explicou por que Ele organizou Sua Igreja da maneira que o fez.

    Essa questão, como muitas outras, resume-se em nossa fé. Será que acreditamos que esta é a Igreja do Senhor? Será que acreditamos que Ele a organizou de acordo com Seus propósitos e Sua sabedoria? Será que acreditamos que a sabedoria Dele excede em muito a nossa? Será que acreditamos que Ele organizou Sua Igreja de modo que seria a maior bênção possível para todos os Seus filhos, tanto homens quanto mulheres?

    Testifico que essas coisas são verdadeiras. Testifico que esta é a Igreja do Senhor. As mulheres fazem parte integral do governo e da obra da Igreja por meio do serviço como líderes da Sociedade de Socorro, das Moças e da Primária; por meio do serviço como professoras, missionárias de tempo integral e oficiantes de ordenanças do templo; e no lar, onde acontece o ensino mais importante da Igreja.

    Não esqueçamos de que aproximadamente metade de todo o ensino realizado na Igreja é feito pelas irmãs. Grande parte da liderança é exercida pelas irmãs. Muitas oportunidades de serviço e atividades são planejadas e dirigidas por mulheres. A participação das mulheres nos conselhos de ala e estaca e nos conselhos gerais na sede da Igreja proporciona a necessária visão, sabedoria e o equilíbrio.

    Por mais de 20 anos, tenho ensinado a importância dos conselhos, incluindo a participação das líderes femininas. Reconheço que alguns homens, inclusive alguns líderes do sacerdócio, ainda não viram a luz e ainda deixam de incluir nossas líderes femininas em plena parceria nos conselhos de ala e estaca. Também reconheço que alguns homens oprimem as mulheres e que, em algumas raras circunstâncias, são culpados de maltratá-las. Isso é abominável à vista de Deus. Tenho certeza de que os homens que menosprezam as mulheres de qualquer forma terão que responder por suas ações perante Deus. E todo líder do sacerdócio que não envolver suas líderes femininas com pleno respeito e inclusão não está honrando e magnificando as chaves que recebeu. Seu poder e sua influência serão diminuídos até que aprenda a agir à maneira do Senhor.

    Agora, irmãs, embora sua contribuição seja significativa e bem-vinda nos conselhos eficazes, vocês devem tomar cuidado para não assumir um papel que não é seu. Os conselhos de ala e estaca mais bem-sucedidos são aqueles em que os líderes do sacerdócio confiam em suas líderes femininas e as incentivam a contribuir nos debates, e em que as líderes femininas respeitam e apoiam plenamente as decisões do conselho tomadas sob a direção dos líderes do sacerdócio que possuem as chaves.

    3. Os homens e as mulheres são iguais à vista de Deus.

    Os homens e as mulheres são iguais à vista de Deus e da Igreja, mas igual não significa idêntico. As responsabilidades e os dons divinos dos homens e das mulheres diferem em natureza, mas não em importância ou influência. Deus não considera um sexo melhor ou mais importante do que o outro. O Presidente Hinckley declarou que “[o intento de] nosso Pai Eterno (…) era fazer de vocês a glória suprema de Sua criação”.5

    Algumas ficam confusas e deixam de pensar direito ao comparar as designações dos homens com as das mulheres e vice-versa.

    Sempre estive cercado de mulheres durante toda a vida. Tenho três irmãs. (Eu era o único filho homem.) Tenho 5 filhas, 24 netas e 19 bisnetas. E, é claro, fui abençoado com 63 anos de casamento com minha mulher, Barbara. Há muito tempo, aprendi a ouvi-la. Aprendi que, quando ela diz o que pensa sobre algo e tem fortes sentimentos sobre um assunto referente à família, é melhor eu prestar atenção, porque em quase todos os casos ela foi inspirada. Sei pessoalmente como se sentem as jovens adultas solteiras e as jovens mães, às vezes chegando a duvidar de seu próprio valor e de sua capacidade de contribuir. Mas sou testemunha de que quando seus pensamentos e suas orações se voltam para o céu, elas são abençoadas com a força e a convicção de que o Pai e o Filho compreendem seus sentimentos.

    As mulheres vieram à Terra com dons espirituais e propensões inigualáveis. Isso se aplica especialmente no tocante aos filhos e à família e ao bem-estar e à edificação de outras pessoas.

    Os homens e as mulheres têm dons, pontos fortes, pontos de vista e inclinações diferentes. Essa é uma das razões fundamentais pelas quais precisamos uns dos outros. Precisa-se de um homem e de uma mulher para criar uma família, e precisa-se de homens e mulheres para se levar adiante a obra do Senhor. Um marido e uma mulher que trabalham juntos em retidão completam-se mutuamente. Tomemos cuidado para não tentar alterar o plano e os propósitos do Pai Celestial em nossa vida.

    4. Todos os filhos de Deus têm acesso às bênçãos do sacerdócio.

    Quando homens e mulheres vão ao templo, ambos são investidos com o mesmo poder, que por definição é o poder do sacerdócio. Embora a autoridade do sacerdócio seja dirigida pelas chaves do sacerdócio e as chaves do sacerdócio sejam conferidas apenas aos homens dignos, as bênçãos do sacerdócio estão à disposição de todos os filhos de Deus.

    O Presidente Joseph Fielding Smith (1876–1972) explicou: “As bênçãos do sacerdócio estão ao alcance de todos. Elas também são derramadas (…) sobre todas as mulheres fiéis da Igreja. (…) Deus oferece a Suas filhas todos os dons e todas as bênçãos espirituais colocados à disposição de Seus filhos homens”.6

    Aqueles que entram nas águas do batismo e subsequentemente recebem sua investidura na casa do Senhor têm direito a ricas e maravilhosas bênçãos. A investidura é literalmente uma dádiva de poder. Todos os que entram na casa do Senhor oficiam nas ordenanças do sacerdócio.

    Nosso Pai Celestial é generoso com Seu poder. Todos os homens e todas as mulheres têm acesso a esse poder para ajudá-los em sua própria vida. Todos aqueles que fizeram convênios sagrados com o Senhor e que honram esses convênios têm direito de receber revelação pessoal, de ser abençoados pelo ministério de anjos, de ter comunhão com Deus, de receber a plenitude do evangelho e, no final, de tornar-se herdeiros juntamente com Jesus Cristo de tudo o que o Pai possui.

    5. A Igreja precisa da fé e da voz ativa das mulheres.

    Precisamos cada vez mais da fé e da voz influente e clara das mulheres. Precisamos que elas aprendam a doutrina e compreendam no que cremos para poderem prestar testemunho da veracidade de todas as coisas — quer esse testemunho seja prestado em volta de uma fogueira em um acampamento das Moças, em uma reunião de testemunhos, em um blog ou no Facebook. Somente as mulheres fiéis da Igreja podem mostrar ao mundo como são as mulheres de Deus que fizeram convênio e no que elas acreditam.

    Nenhum de nós pode ficar inerte ao ver os propósitos de Deus serem rebaixados e deixados de lado. Convido em especial as irmãs de toda a Igreja a buscar a orientação do céu para saber o que podem fazer para que sua voz de fé e testemunho seja ouvida. Os irmãos que são Autoridades Gerais e as irmãs que são líderes gerais não podem fazer tudo sozinhos. Os missionários de tempo integral não podem fazer tudo sozinhos. Os líderes do sacerdócio e das auxiliares não podem fazer tudo sozinhos. Precisamos defender nosso Pai Celestial e Seu plano. Precisamos todos defender nosso Salvador e testificar que Ele é o Cristo, que Sua Igreja foi restaurada na Terra e que existe o certo e o errado.

    Se tivermos a coragem de erguer a voz e de defender a Igreja, precisamos primeiro preparar-nos pelo estudo das verdades do evangelho. Precisamos solidificar nosso próprio testemunho por meio do estudo diligente e diário das escrituras e invocando a promessa de Morôni de que podemos “conhecer a verdade de todas as coisas” (Morôni 10:5) se a buscarmos por meio da humilde oração e do estudo.

    Não gastem seu tempo tentando consertar ou ajustar o plano de Deus. Não há tempo para isso. É um exercício inútil tentar determinar como organizar a Igreja do Senhor de modo diferente. O Salvador está à testa desta Igreja, e todos nós seguimos Sua direção. Tanto os homens quanto as mulheres precisam aumentar sua fé e seu testemunho da vida e da Expiação de nosso Senhor Jesus Cristo e aumentar seu conhecimento de Seus ensinamentos e de Sua doutrina. Precisamos de uma mente clara para que o Espírito Santo possa ensinar-nos o que fazer e o que dizer. Precisamos pensar direito neste mundo de confusão e de desprezo pelas coisas de Deus.

    Irmãs, sua esfera de influência é inigualável — uma esfera que não pode ser duplicada pelos homens. Ninguém pode defender nosso Salvador com mais persuasão ou poder do que vocês: as filhas de Deus que têm essa força e convicção interiores. O poder da voz de uma mulher convertida é imensurável, e a Igreja necessita de sua voz agora mais do que nunca.

    Deixo com vocês meu testemunho de que estamos numa época em que devemos erguer-nos em união — homens e mulheres, rapazes e moças, meninos e meninas. Precisamos defender o plano de nosso Pai Celestial. Precisamos defendê-Lo. Ele está sendo deixado de lado. Não podemos ficar omissos como membros da Igreja e permitir que isso continue a acontecer sem sermos suficientemente corajosos para fazer nossa voz ser ouvida.

    Que Deus nos abençoe para que tenhamos a coragem de estudar as simples verdades do evangelho e depois compartilhá-las em todas as oportunidades que tivermos.

    Notas

    1. Manual 2: Administração da Igreja, 2010, 2.1.1.

    2. Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 109.

    3. M. Russell Ballard, “Esta É Minha Obra e Minha Glória”, A Liahona, maio de 2013, p. 18.

    4. Gordon B. Hinckley, “Mulheres da Igreja”, A Liahona, janeiro de 1997, p. 72.

    5. Gordon B. Hinckley, “Enfrentar com Firmeza as Artimanhas do Mundo”, A Liahona, janeiro de 1996, p. 110.

    6. Joseph Fielding Smith, “Magnifying Our Callings in the Priesthood”, Improvement Era, junho de 1970, p. 66.