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A História de uma Certa Mãe

 

Nome Não Divulgado


Os eventos neste artigo são reais, mas o nome do autor
e outros envolvidos foram alterados por motivos de privacidade.


Quando nossa filha nos disse que havia decidido viver um estilo de vida lésbico, meu marido e eu ficamos arrasados. Oito anos depois, sentimos grande esperança para ela e para toda a nossa família.

O telefonema do bispo veio numa tarde comum de segunda-feira. “Irmã Ashby”, disse ele, “no serão para jovens, na noite passada, não pude deixar de notar a interação entre sua filha Mindy e Beth Jones”. Ele me disse que sentiu-se inspirado a falar comigo sobre o aparente interesse entre as duas e o que havia observado.

Fiquei muito chocada. O que o bispo queria dizer? Estaria insinuando que as meninas tinham tendências homossexuais? Eu estava em choque. Ao desligar o telefone e pensar em minha filha, o Espírito me confirmou que eu precisava falar com ela. Mindy tinha apenas 16 anos. Eu estava servindo como presidente das Moças de nossa ala. Adorava cada uma daquelas meninas. Eu não podia acreditar no que estava acontecendo.

Meu marido e eu tínhamos criado nossos filhos no evangelho. Amávamos nossa noite familiar semanal, mesmo que as meninas sempre escolhessem “Pipocas no Pé de Jasmim” como hino de abertura. Líamos as Escrituras diariamente e celebrávamos juntos, toda vez que terminávamos um livro. Orávamos e jejuávamos juntos. Será que nossa filha realmente estava entrando por esse caminho?

Depois de orar pedindo orientação, encontrei uma oportunidade de, na tarde seguinte, conversar com Mindy em particular. “Preciso fazer-lhe uma pergunta séria”, disse a ela. “Você e Beth têm sentimentos além de amizade uma pela outra?”

Seus olhos azuis brilhantes começaram a encher-se de lágrimas, quando, soluçando, gaguejou: “Talvez. Eu não sei. Eu gosto muito da Beth. O que há de errado comigo?”

Tomei minha filha nos braços, enquanto ela mesma enxugava as lágrimas. Lutando para conter minhas próprias lágrimas, delicadamente sugeri: “Talvez você deva conversar com o bispo”.

“É, acho que posso fazer isso”. Durante os dois anos seguintes, Mindy reuniu-se regularmente com o bispo e teve o que pensamos que fossem sessões muito produtivas de aconselhamento com uma excelente terapeuta santo dos últimos dias. Apesar desses esforços, uma semana antes da partida para seu primeiro ano de faculdade na Universidade Brigham Young, Mindy anunciou a seu pai e a mim que não iria para a BYU. “Já tomei a decisão”, disse ela. “Escolhi o estilo de vida gay. É assim que sou”. Ficamos sabendo que Mindy se encontrava com outra menina, Amy, por mais de um ano.

Meu marido e eu estávamos arrasados”. Pedimos a Mindy que ainda fosse para Provo, Utah, EUA, onde poderia trabalhar e ficar perto de duas de suas irmãs. Dissemos-lhe que isso lhe daria chance para pensar por algum tempo e ficar longe de quem queria persuadi-la a seguir em outra direção. Ele concordou em fazê-lo. No entanto, ela se comunicava com Amy constantemente, e ficou em Utah apenas dois meses.

Dissemos a Mindy que ela poderia vir para casa, mas que precisaria cumprir nossas regras. A mãe de Amy, que não compartilhava nossos padrões, ofereceu a Mindy que permanecesse na casa dela, o que ela rapidamente aceitou.

Ainda que Mindy não estivesse morando conosco, continuamos a visitá-la, e quando ela vinha nos ver, nós lhe dizíamos que a amávamos e que estávamos prontos a auxiliá-la, quando quisesse nossa ajuda.

Nos quase oito anos desde a época em que Mindy anunciou sua decisão de viver um estilo de vida homossexual, passei horas incontáveis lendo artigos e livros sobre o assunto da atração pelo mesmo sexo e examinando questões difíceis. Apesar de não ter todas as respostas, meu marido e eu aprendemos algo através do tempo e pela oração constante: há esperança. Sempre há esperança. Embora Mindy continue a viver esse estilo de vida, esperamos que, um dia, os ensinamentos do evangelho que ela conhece irão ajudá-la a lembrar-se de que Deus a ama e deseja muito mais para ela. Embora Mindy não esteja atualmente envolvida com a Igreja — ela nos disse: “Não posso ir a uma igreja que não apoie meu estilo de vida” — disse que ainda acredita em muitos de seus ensinamentos. Enquanto isso, nossa esperança é forte.

A Esperança como um meio de Partilhar com os Outros

Por muitos anos, tínhamos a situação de nossa família guardada para nós mesmos. Estávamos otimistas de que poderíamos “passar por isso” como uma família. Não queríamos que as pessoas pensassem de modo maldoso ou julgassem nossa filha. Estávamos pensando em como poderímos ajudar Mindy e como responder às perguntas de nossos outros filhos. O que poderíamos oferecer a outras pessoas como ajuda, quando havia tantas coisas que não sabíamos?

Conforme passaram os anos, meu marido e eu temos — em situações particulares e confidenciais — aberto esse desafio às pessoas que estão comprometidas com os padrões do evangelho. Escolhemos cuidadosamente com quem compartilharíamos nossa história. Alguns grupos de apoio ou até mesmo pessoas podem tentar convencer os pais a aceitarem as escolhas do seu filho, o que é incompatível com o que ensina o evangelho.

Foi um enorme apoio para meu marido, quando falamos com outro casal sobre desafios semelhantes que tinham com um filho. Ouvir como outro pai, um membro respeitável da Igreja, estava enfrentando esse desafio ajudou meu marido a perceber que não se achava sozinho.

Embora compartilhemos algumas de nossas ansiedades nessas discussões, procuramos concentrar-nos no lado positivo. Na maioria das vezes, falamos sobre as coisas boas que nossos filhos estão fazendo e o amor que temos por eles. Conversamos sobre a esperança de um dia sermos capazes de guiar nossos filhos de volta ao redil. Tal partilhamento uns com os outros nos dá a todos forças.

Esperança em Nosso Conhecimento de Que a Família Foi Ordenada por Deus

Quando nossos filhos estavam crescendo, uma das maneiras que construímos relacionamentos era despender um tempo na noite familiar para escrever no diário uns dos outros a respeito dessa pessoa sob nossa perspectiva: o que havia feito ultimamente, as coisas que amávamos sobre ele ou ela e assim por diante. Nossos filhos guardam com carinho essas anotações da família. Agora que Mindy e seus irmãos estão crescidos, continuamos a encontrar maneiras de permanecer em contato uns com os outros. O informativo sobre a família proporciona a todos a oportunidade de escrever sobre acontecimentos, mostrar fotos, ganhar um concurso de perguntas e compartilhar nosso testemunho. Feriados e bênçãos de bebês dão-nos oportunidades de estar juntos. Felizmente, Mindy ainda quer fazer parte dessas atividades familiares.

É claro que nem todos os nossos esforços têm funcionado perfeitamente, mas compartilhamos algumas experiências maravilhosas. Nossa família continua a comunicar-se sobre como melhor lidar com nossos relacionamentos. Nossas orações uns pelos outros têm sido constantes, e, embora talvez nem sempre tenhamos feito as melhores escolhas, Mindy sabe que sua família a ama e se importa com ela.

Esperança por Meio dos Mandamentos de Deus

Encontramos esperança em permanecermos firmes em nossas convicções. Por exemplo, com relação a sua parceira, Mindy disse-nos várias vezes: “Quero que vocês aceitem Amy e eu exatamente como aceitam minha irmã e o marido”. Dissemos a Mindy que nós vamos tratar Amy com o mesmo respeito que damos a todos os amigos de nossa família, mas, quando ela e Amy nos visitam, os padrões em nosso lar refletirão nossos valores. Para nós, isso significa que se espera que durmam em quartos separados. (É claro que a decisão que tomamos de nem permitir que uma companheira permaneça em casa pode não ser adequada para outras famílias. A presença de crianças menores ou outros fatores pode fazer o que funciona para nós inviável para outras pessoas. Essas circunstâncias variam de família para família, e tornar decisões uma questão de determinação individual — e, como meu marido e eu descobrimos, foi uma determinação feita em fervoroso espírito de oração.)

Enquanto meu marido e eu tentávamos decidir o curso de ação em diversas situações, nem sempre concordávamos. Mas em dois pontos, sempre temos sido unidos: oração constante e a frequência regular ao templo. Quaisquer outras ideias que tenhamos tido para ajudar nossa filha, essas duas práticas de base firme têm-nos levado a atravessar nossos dias mais sombrios Certo dia, eu estava sentada na capela do templo antes de uma sessão, pensando sobre Mindy e imaginando o que o Senhor desejava que eu fizesse. Abri as escrituras, e meus olhos pousaram neste versículo: “Portanto, amados irmãos, façamos alegremente todas as coisas que estiverem a nosso alcance; e depois aguardemos, com extrema segurança, para ver a salvação de Deus e a revelação de seu braço” (D&C 123:17). Partilhei esta escritura com meu marido, que sugeriu que a colocássemos no espelho de nosso quarto. Nós agora nos esforçamos para fazer alegremente todas as coisas a nosso alcance e depois “aguardar” que o Pai Celestial cuide do restante.

Esperança em um Pai Celestial Amoroso

Tenho recebido grande esperança ao orar para cada um de meus filhos. Quando oro por Mindy, peço ao Pai Celestial que a ajude a ter experiências que possam aproximá-la Dele. Certa vez contei isso a ela. Para minha surpresa, ela não se ofendeu, mas, em vez disso, disse: “Obrigada, Mamãe. Acho que suas orações às vezes funcionam”. Para mim, é reconfortante saber que o Pai Celestial se acha tão preocupado com a minha filha quanto eu estou.

Muitas vezes, Mindy me pede que ore por ela, antes de um próximo teste na escola. Ela sabe que o Pai Celestial está lá e que Ele pode ajudá-la. Agora mesmo, ela confia mais em meu relacionamento com Ele do que com o dela. Espero que, com o tempo, ela adquira essa mesma confiança no Pai Celestial por si mesma.

Há alguns anos, Mindy e eu passamos dez dias juntas em uma viagem de mãe e filha. Ao término de nossa viagem, escrevemos alguns pensamentos de despedida no diário de cada uma. Mindy escreveu o seguinte:

“Estamos sentadas no aeroporto, ao término de nossa viagem, e embora eu esteja pronta a ir para casa, sinto-me também um pouco triste por se estar acabando este tempo. Dirigindo por boa parte do Sul — mais de 1.600 quilômetros — nós nunca ligamos o rádio e ouvimos apenas 20 minutos do nosso livro em áudio. Mamãe e eu, assim como antes, nunca ficamos sem assuntos para falar.

“Eu sentia falta dessas conversas; sentia falta da franqueza e sinceridade — ser assim honesta com minha mãe, mas sinto como se tivéssemos dado passos adiante para nos compreendermos uma à outra. Amo muito minha mãe, e como eu lhe disse ontem à noite, antes de cairmos no sono, também gosto muito dela, o que só torna ficarmos tão longe e ‘diferentes’ mais difícil. Tenho somente esperança para o futuro neste momento. Sempre orei para alcançar um lugar de aceitação e entendimento, e minha mãe veio para mim. Obrigada, Mamãe; eu só queria fazer com que se achasse orgulhosa. (...) Eu a amo, sempre, aconteça o que acontecer. Sua filha, Mindy”.

Viver o evangelho de Jesus Cristo e ensiná-lo a nossos filhos não garante que possamos navegar por esta vida sem dificuldades e sofrimentos. Ao aprender a confiar no Pai Celestial com todo o meu coração e não confiar no meu próprio entendimento (ver Provérbios 3:5–6), adquiri forças e esperança de que nossa família só pode aumentar não apenas por meio de nossas provações, mas também aprender a amar como o Salvador ama .

Para mais informações sobre esse assunto, ver lds.org/topics/same-gender-attraction?lang=por

Explicar a Posição da Igreja sobre Atração pelo Mesmo Sexo

O texto a seguir foi extraído de uma entrevista dos Assuntos Públicos da Igreja com o Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos, e o Élder Lance B. Wickman, membro emérito do Quórum dos Setenta.

ASSUNTOS PÚBLICOS: “Em que ponto essa expressão de amor passa do limite e, inadvertidamente, transforma-se em aprovação de um comportamento? Se o filho disser: ‘Bem, se você me ama, então posso trazer meu companheiro para visitá-los aqui em casa? Podemos passar os feriados aqui?’ Como você equilibra isso em relação, por exemplo, à preocupação com os outros filhos que moram com vocês?

ÉLDER OAKS: “Essa é uma decisão que precisa ser tomada somente pela pessoa responsável, buscando a inspiração do Senhor. Posso imaginar que, na maioria das situações, os pais diriam: ‘Por favor, não faça isso. Não nos coloque nessa situação’. Sem dúvida, se houver filhos no lar que seriam influenciados por esse exemplo, a resposta provavelmente seria essa. Também haveria outros fatores que tornariam essa a resposta mais provável. Posso imaginar algumas situações em que seria possível dizer: ‘Sim, venham, mas não esperem passar a noite aqui. Não espere passar muito tempo aqui em casa. Não espere que saiamos com vocês e os apresentemos a nossos amigos, ou que adotemos em público uma postura que indique nossa aprovação de seu ‘relacionamento’. As situações são variadas, por isso é impossível dar uma resposta que se encaixe em todas.”

ÉLDER WICKMAN: “É duro imaginar uma situação mais difícil para um pai ou mãe enfrentar do que essa. É uma determinação de caso-a-caso. A única coisa que eu acrescentaria ao que o Élder Oaks acabou de dizer é que acho importante que o pai ou a mãe evitem cair na potencial armadilha que a angústia pode criar nessa situação. Refiro-me a deixar de defender o modo de agir do Senhor e passar a defender o estilo de vida de um filho errado, tanto perante ele quanto perante os outros. É verdade que o modo de agir do Senhor é amar o pecador e condenar o pecado. Isso significa continuar a abrir nosso lar, nosso coração e nossos braços para nossos filhos, porém não obrigatoriamente aprovar seu estilo de vida. Tampouco significa que precisemos ficar constantemente dizendo a eles que o seu estilo de vida é impróprio. Um erro ainda maior seria passar a defender o filho, porque isso não ajuda nem o filho, nem o pai ou a mãe. Esse curso de ação, como mostra a experiência, é quase certo de conduzir ambos para longe do caminho do Senhor.”

ÉLDER OAKS: “A Primeira Presidência fez uma maravilhosa declaração sobre esse assunto numa carta de 1991. Falando das pessoas e famílias que enfrentam esse tipo de problema, eles disseram: ‘Incentivamos os líderes e os membros da Igreja a estenderem a mão com amor e compreensão aos que enfrentam esses problemas’. Sem dúvida, se fomos aconselhados como membros da Igreja a estender a mão com amor e compreensão aos que estão nessas ‘condições’, essa obrigação é particularmente maior para os que têm filhos que enfrentem essas questões (…), até mesmo os filhos que estão envolvidos em conduta pecaminosa associada a essas questões.” Para ler a entrevista inteira, visite newsroom.lds.org/article/interview-oaks-wickman-same-gender-attraction