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Sua Graça Basta

Brad Wilcox

Como a graça de Deus realmente funciona?

Uma jovem certa vez veio a mim e perguntou se poderíamos conversar. Eu disse: “Claro. Como posso ajudar?”

Ela disse: “Eu simplesmente não entendo o que é graça”.

Respondi: “O que é que você não entende?”

Ela disse: “Eu sei que preciso fazer o melhor de mim e então Jesus faz o resto, mas ainda não consigo fazer o melhor de mim”.

Eu disse: “A verdade é que Jesus pagou nossa dívida na íntegra. Ele não pagou por tudo menos algumas moedas. Ele pagou por tudo. Está consumado”.

Somos salvos por meio da graça de Cristo, que pagou o preço por nossos pecados.

Ela disse: “Certo! Como se eu não tivesse que fazer nada?”

“Oh, não”, eu disse: “você tem muito a fazer, mas não é para pagar a dívida. Nós todos ressuscitaremos. Vamos todos voltar à presença de Deus para sermos julgados. O que resta, a ser determinado por nossa obediência, é como planejamos estar à vontade na presença de Deus e qual o grau de glória, que desejamos receber.”

Cristo nos pede que demonstremos fé Nele, nos arrependamos, façamos e guardemos convênios, recebamos o Espírito Santo e perseveremos até o fim. Ao fazermos isso, não atendemos as exigências da justiça — nem mesmo a mínima parte. Em vez disso, estamos mostrando gratidão pelo que Jesus Cristo fez, quando fazemos tudo para viver uma vida como a Dele. A justiça exige perfeição imediata ou um castigo quando não conseguimos. Como Jesus tomou essa punição, Ele pode nos oferecer a chance da perfeição final (ver Mateus 5:48; 3 Néfi 12:48) e nos ajudar a alcançar essa meta. Ele perdoa algo que a justiça nunca poderia, e Ele pode transformar-nos agora com seu próprio conjunto de exigências (ver 3 Néfi 28:35).

A Graça nos Transforma

O acordo de Cristo conosco é semelhante ao de uma mãe que provê aulas de música para seu filho. A mãe paga a professora de piano. Como a mãe paga a dívida integralmente, ela pode procurar seu filho e lhe pedir algo. Do que se trata? Praticar! A prática da criança paga a professora de piano? Não. A prática da criança reembolsa a mãe por ter pago a professora de piano? Não. Praticar é como a criança demonstra gratidão pelo presente incrível da mãe. É como ela aproveita a maravilhosa oportunidade que a mãe está lhe dando de viver sua vida em um nível mais alto. A mãe sente alegria não em receber reembolso, mas em ver seu presente ser usado — vendo seu filho melhorar. E assim ela continua a chamá-lo para a prática, prática, prática.

Se a criança vê a exigência da mãe de praticar como sendo também autoritária (“Puxa, mãe, por que preciso praticar? Nenhuma das outras crianças têm que praticar! Eu vou ser só jogador de beisebol!”), talvez seja porque ela ainda não vê com os olhos da mãe. Ela não vê como sua vida poderia ser muito melhor se escolhesse viver em um plano mais elevado.

Da mesma forma, como Jesus pagou a justiça, Ele pode agora voltar-Se para nós e dizer: “Segui-me” (Mateus 04:19); “Guardareis os meus mandamentos” (John 14:15). Se encaramos Suas exigências como sendo excessivas, talvez seja porque não vemos ainda por meio dos olhos de Cristo. Nós ainda não compreendemos o que Ele está tentando fazer para nos transformar.

O Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos disse: “O pecador arrependido deve sofrer por seus pecados, mas esse sofrimento tem um propósito diferente do que a punição ou pagamento. Seu propósito é mudar” (À Maneira do Senhor 1991, 223; grifo no original). Vamos colocar isso em termos da criança pianista: A criança deve praticar piano, mas essa prática tem um propósito diferente do que a punição ou pagamento. Seu propósito é a mudança.

Nossas obras, como o arrependimento e obediência aos mandamentos, não nos salvam, mas elas são os requisitos estabelecidos pelo Salvador para ajudar a transformar-nos.

O milagre da Expiação não é apenas para que possamos viver após a morte, mas para que possamos viver mais abundantemente (ver João 10:10). O milagre da Expiação não é para que possamos ser purificados e consolados, mas para que possamos ser transformados (ver Romanos 8). As escrituras esclarecem que nada impuro pode habitar com Deus (ver Alma 40:26), mas nenhuma coisa inalterada irá querer isso.

O milagre da Expiação não significa apenas que poderemos voltar para casa mas que, milagrosamente, poderemos nos sentir em casa. Se o Pai Celestial e Seu Filho não exigissem fé e arrependimento, então não haveria nenhum desejo de mudar. Pense nos seus amigos e familiares que optaram por viver sem fé e sem o arrependimento. Eles não querem mudar. Eles não estão tentando abandonar o pecado e sentir-se à vontade com Deus. Em vez disso, eles estão tentando abandonar a Deus e sentir-se à vontade com o pecado. Se o Pai e o Filho não exigissem convênios e concedessem o dom do Espírito Santo, então não haveria nenhuma maneira de mudar. Nós ficaríamos para sempre apenas com a vontade, sem acesso ao Seu poder. Se o Pai Celestial e Seu Filho não exigissem perseverança até o fim, então não haveria nenhuma internalização dessas mudanças ao longo do tempo. Elas seriam superficiais e aparentes para sempre em vez de se aprofundarem em nós e de se tornarem parte de nós — parte de quem somos. Simplificando, se Jesus não exigisse prática, então nunca nos tornaríamos santos.

A Graça nos Ajuda

“Mas vocês não percebem como é difícil praticar? Eu simplesmente não sou muito bom ao piano. Toco muitas notas erradas. Levo muito tempo para me sair bem”. Agora espere. Isso não é tudo parte do processo de aprendizado? Quando um jovem pianista toca uma nota errada, nós não dizemos que ele não é digno de continuar praticando. Não esperamos que ele seja perfeito. Esperamos apenas que ele continue tentando. A perfeição pode ser sua meta final, mas por enquanto podemos estar contentes com o progresso na direção certa. Por que é que essa perspectiva é tão fácil de ser vista no contexto do aprendizado de piano, mas tão difícil de ser vista no contexto do aprendizado do céu?

Muitos estão desistindo da Igreja porque eles estão cansados de constantemente sentirem como se estivessem fracassando. Eles tentaram no passado, mas se sentem continuamente como se não fossem bons o bastante. Eles não entendem a graça.

A graça de Deus é o poder divino para ajudar-nos com todas as nossas limitações e está disponível para nós em todos os momentos.

Nunca deveriam existir apenas duas opções: perfeição ou desistência. Ao aprender o piano, as únicas opções são tocar no Carnegie Hall ou parar? Não. Crescimento e desenvolvimento levam tempo. Aprendizado leva tempo. Quando compreendemos a graça, compreendemos que Deus é longânimo, que a mudança é um processo e que o arrependimento é um padrão em nossa vida. Quando compreendemos a graça, compreendemos que as bênçãos da Expiação de Cristo são contínuas e Sua força é perfeita em nossa fraqueza (ver II Coríntios 12:9). Quando compreendemos a graça, podemos, como diz Doutrina e Convênios, “[continuar] pacientemente até que [nós] sejamos aperfeiçoados” (D&C 67:13).

A graça não é um mecanismo de impulso que entra em ação quando nosso suprimento de combustível está esgotado. Em vez disso, é nossa fonte constante de energia. Não é a luz no fim do túnel, mas a luz que move-nos pelo túnel. A graça não é alcançada em algum lugar no caminho. É recebida aqui e agora.

A Graça Basta

A graça de Cristo basta (ver Éter 12:27; D&C 17:8) — basta para cobrir nossa dívida, basta para transformar-nos e é suficiente para ajudar-nos enquanto durar esse processo de transformação. O Livro de Mórmon nos ensina a confiar unicamente nos “méritos e misericórdia e graça do Santo Messias” (2 Néfi 2:8). Ao fazermos isso, não descobrimos — como alguns cristãos acreditam — que Cristo não exige nada de nós. Em vez disso, descobrimos que a razão pela qual Ele exige muito é a força para fazer tudo o que Ele nos pede (ver Filipenses 4:13). A graça não é a ausência das grandes expectativas de Deus. A graça é a presença do poder de Deus (ver Lucas 1:37).

A graça de Deus é suficiente. A graça de Jesus é suficiente. É o suficiente. É tudo o que precisamos. Não desista. Continue tentando. Não procure fugas e desculpas. Procure pelo Senhor e Sua força perfeita. Não procure alguém para culpar. Procure alguém para ajudá-lo. Busque a Cristo e, ao fazer isso, você sentirá o poder capacitador e auxílio divino que chamamos de Sua maravilhosa graça.

Extraído de um discurso devocional proferido na Universidade Brigham Young em 12 de julho de 2011.

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