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Minha Chance de Servir de Testemunha

Raven Austin Haymond

Quando fui batizada, prometi servir de testemunha de Deus. Agora eu tinha uma grande chance de fazer isso — em Honduras.

Eu me lembro da noite em que meu pai recebeu o telefonema. Estávamos todos sentados ao redor da mesa em nossa casa na Carolina do Norte jogando UNO, e meu pai desceu as escadas com a novidade. Tinha sido chamado para ser presidente de missão.

Quando mais tarde descobrimos que teríamos de nos mudar para Tegucigalpa, Honduras, abrimos ansiosos mapas e enciclopédias. De certa forma, fiquei apavorada por ter de me mudar para um país estrangeiro antes de meu penúltimo ano do ensino médio. Falar espanhol não era um problema (eu nasci no Peru, e minha família tinha morado em El Salvador durante sete anos). Mas morávamos na Carolina do Norte só há dois anos. Eu finalmente sentia que pertencia a algum lugar quando esse chamado chegou. Teria de começar tudo de novo. Era emocionante, mas assustador ao mesmo tempo.

A vida na missão em Honduras era ótima. Eu participava de reuniões de zona espirituais, ajudava missionárias fantásticas a ensinar o evangelho e servia o jantar de Natal para ávidos jovens élderes. No entanto, na escola não estava indo tão bem. Eu ia muito bem na parte acadêmica e estava até na equipe de vôlei, mas era uma de apenas três norte-americanos em minha classe — sem contar que era o único membro da Igreja em toda a minha escola.

Fazer amigos foi difícil. Em uma escola sem nenhuma orquestra, sem coro e nenhum programa de artes, poucas coisas me interessavam. Além disso, com meus valores SUD, eu não me sentia bem nos clubes de dança, onde meus colegas de classe passavam seus fins de semana bebendo. Fiz amizades, mas passava os intervalos para o almoço na biblioteca e meus fins de semana em casa. Por mais maravilhosos que fossem os missionários, eles não podiam ser os melhores amigos da filha do presidente da missão. Eu me sentia sozinha.

No começo, ninguém sabia que eu era SUD, mas as pessoas descobriram. Se eles tivessem perguntado, eu teria contado. Em Honduras, no entanto, o fato de que eu era Mórmon foi uma das primeiras coisas que as pessoas souberam sobre mim. Eu conhecia uma nova pessoa e a conversa transcorria assim:

“Então, o que o seu pai faz?”

Depois dessa experiência, eu já não podia mais ficar passiva a respeito dos meus valores e crenças; precisava ser um exemplo da veracidade do evangelho de Jesus Cristo a todas as pessoas que conhecia.

“Bom”, explicava, “ele é responsável por cerca de 200 missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nesta região”.

“Ah, legal”, eles respondiam, sem saber direito o que dizer.

Assim todos sabiam, e eu não me importava. Então, um dia minha professora me disse que alguém tinha feito um comentário sobre os Mórmons enquanto eu estava fora da sala de aula. Aparentemente, não tinha sido um comentário muito bom. Ainda não estou certa porque ela me disse isso.

Meu instinto me disse para ficar chateada ou me sentir ofendida, mas algo em mim falou mais alto naquele dia. Para minha surpresa, eu sorri e disse-lhe que eu ficaria feliz em explicar sobre a Igreja para a classe. Eu sabia que eles nunca tinham sido ensinados sobre nada a respeito da Igreja e seus membros e que seus comentários estavam baseados em ignorância, não crueldade. Minha professora ficou entusiasmada com minha proposta e organizou um período inteiro de aula para conversarmos sobre a Igreja.

Eu provavelmente deveria ter ficado nervosa, mas com a ajuda do Espírito, cheguei entusiasmada naquele dia com gravuras do templo na mão. O Espírito sussurrou que aquela era minha chance de servir de testemunha de Deus, exatamente como eu tinha prometido todos os domingos desde que fui batizada.

Arrumamos as carteiras em um grande círculo, e comecei. Até mesmo o diretor de escola veio me ouvir. Decidi começar perguntando aos meus colegas de classe o que sabiam sobre a minha Igreja. A lista de itens no quadro-negro incluíam John Smith, não beber refrigerante, todos moram em Utah e não namorar até os 16 anos. Pela primeira vez, percebi que eu era o único modelo do que era um santo dos últimos dias. Por exemplo, uma vez que pessoalmente decidi não beber refrigerante, eles imaginaram que minha decisão tinha algo a ver com o fato de eu ser SUD. Eu era o único contato com a Igreja, portanto isso me dava a responsabilidade de ser um bom exemplo para eles.

O debate continuou e falamos sobre poligamia, as placas de ouro, a Primeira Visão e outras perguntas. Adorei cada minuto. O Espírito deu-me as palavras para falar, e eu sabia que meus colegas de classe foram tocados. Podem não ter sido convertidos de imediato, mas pelo menos foram mais educados ao falar da Igreja — uma semente tinha sido plantada. Eu estava cheia de um espírito de convicção e testemunho. Ninguém ficou ofendido com o que eu tinha a dizer. Na verdade, creio que eles me respeitaram mais depois disso por minhas crenças e padrões. Era “legal” que eu era Mórmon.

Mesmo como filha do presidente da missão, tive oportunidade de ser uma missionária. Depois dessa experiência, eu já não podia mais ser passiva a respeito dos meus valores e crenças; precisava ser um exemplo da veracidade do evangelho de Jesus Cristo a todas as pessoas que conhecia. Servi de testemunha.

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