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Vendendo Minhocas

Marcy Goodfleisch

Aprendi lições valiosas na noite em que eu e meu irmão vendemos minhocas.

Fiquei muito feliz quando passei na prova para tirar minha habilitação e finalmente tive permissão para dirigir o carro da família. Meus pais me deram um jogo de chaves, que eu orgulhosamente coloquei em meu chaveiro, prometendo honrar sua confiança em mim. Mas certa noite, enquanto meus pais estavam fora, uma chuva forte e um momento de fraqueza testaram minhas boas intenções.

Meus pais deixaram eu e meus irmãos sozinhos por algumas horas enquanto tinham algumas coisas para fazer. Começou a chover, e logo vimos grandes poças fora de casa. Vivemos em uma área cercada por terras férteis e sempre que o solo estava encharcado por uma boa chuva, grandes minhocas (nós as chamávamos de rastejadoras noturnas ) afloravam à superfície, quase como mágica. Quando a chuva parava, podíamos ver centenas delas deslizando pela lama escorregadia em torno de nosso jardim e ao longo das calçadas.

Meu irmão Bobby que ainda não tinha idade para dirigir, veio com uma ideia para ganharmos algum dinheiro com as minhocas. Ele tinha ouvido falar sobre um lugar do outro lado da cidade que comprava minhocas para usar como isca de pesca. Ele achava que poderíamos coletar centenas de minhocas do chão molhado, dirigir até a loja, vendê-las e voltar para casa antes de nossos pais. Eu não entendia muito a respeito de pesca e venda de iscas, mas sabia que não deveria sair com o carro sem permissão. Usei a justificativa de que sabia dirigir com segurança e não demoraria muito. Mas em primeiro lugar, é claro, tínhamos que pegar as minhocas.

Ainda estava tudo molhado lá fora quando pegamos as lanternas e algumas latas vazias e começamos a cavar a lama macia em busca daquelas criaturas escorregadias. O plano não me atraia tanto quanto ao meu irmão, mas deixei de lado meu nojo e peguei muitas minhocas. Passamos algum tempo pegando minhocas na lama e, em seguida, percebi que precisávamos ir rápido para loja que compraria as iscas. Eu não sabia onde era, mas meu irmão garantiu que sabia como chegar lá.

Meu estômago estava apertado, lembrei-me das inúmeras oportunidades que tive naquela noite de fazer escolhas melhores.

Segui suas instruções, e logo nos encontramos circulando por ruas escuras e desconhecidas. Estávamos a quilômetros de casa e da segurança. Meu irmão estava determinado a vender as minhocas, mas tudo que eu queria era voltar para casa tão rápido quanto possível. Quando resolvi voltar para casa, vimos um viveiro mal iluminado em frente, com pessoas de pé na fila segurando potes e baldes. Concordei com relutância em parar no viveiro apenas o tempo suficiente para vender as minhocas. No entanto, a fila se movia lentamente e demorou muito até que pesassem as minhocas e pagassem por elas. Sabíamos que tínhamos demorado muito mais do que planejáramos.

Quando estacionamos, nossos pais já estavam em casa. Fiquei desconsolada; sabia que teria muitos problemas por ter saído com o carro sem permissão. Meu estômago estava apertado, ao lembrar-me das inúmeras oportunidades que tive naquela noite de fazer escolhas melhores. Entramos pelos fundos da casa de cabeça baixa, na esperança de não chamar a atenção. Sem sorte. Mas estávamos despreparados para a reação.

Nossos pais estavam sentados à mesa da cozinha com o rosto expressando medo e aflição. Lágrimas escorriam pelo rosto de nossa mãe; os olhos do papai eram vermelhos, e ele estava claramente perturbado. Em vez de falarem conosco zangados, os dois demonstraram o alívio que sentiam por estarmos vivos e seguros. Depois eles perguntaram aonde tínhamos ido.

Senti-me tola e infantil, ao gaguejar a resposta: “hum … estávamos vendendo minhocas”. Seu pesar e emoção cortou-me a alma. Nunca teria, consciente ou intencionalmente, causado tamanha preocupação aos meus pais, mas sabia que era exatamente o que tinha feito. Estava ciente de que não merecia a confiança nem a responsabilidade que haviam colocado em mim, nem que tinha cumprido minhas próprias metas.

As lições que aprendi naquela noite me acompanharam no decorrer da vida. Eu dera minha palavra a meus pais e não a mantive Quando fazemos um convênio com o Pai Celestial, temos a responsabilidade de mantê-lo. Assim como meus pais sentiram-se gratos ao ver-nos chegar em casa, o Pai Celestial nos recebe com amor quando voltamos para Ele.

No final, a viagem que meu irmão e eu fizemos até a loja de iscas tornou-se parte do folclore familiar. Durante anos ela serviu como um pequeno lembrete de que precisávamos sempre trilhar o caminho certo. Caso contrário, um dos nossos pais sempre perguntava: “Você estava vendendo minhocas?”

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